Humberto Costa critica “trava” de pautas no Congresso e defende prioridades sociais em entrevista ao programa Nossa Voz

0

Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta sexta-feira (29), o senador Humberto Costa (PT) comentou sobre o travamento de pautas importantes no Congresso Nacional e criticou a tentativa da oposição de priorizar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, chamada de “pacote da paz”. Para o parlamentar, o foco legislativo deveria estar em medidas que beneficiem diretamente a população.

“Em primeiro lugar, o parlamento precisa estar sintonizado com o desejo e o interesse da população. Temos projetos urgentes, como a medida provisória que trata da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.300. Isso significa que muitas famílias terão mais dinheiro no bolso, mas essas medidas estão paradas, enquanto se discute anistia para crimes já cometidos”, afirmou Humberto Costa.

O senador destacou ainda o impacto de outros programas sociais em tramitação no Congresso, como o novo Vale Gás, que beneficiará 15 milhões de famílias, e a tarifa social de energia elétrica. “São medidas que vão reduzir acidentes, dar dignidade às pessoas e beneficiar milhares de famílias brasileiras. O Congresso deveria estar focado nessas prioridades, mas a pauta tem sido desviada por interesses políticos que não refletem as necessidades da população”, disse.

Sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, Humberto Costa defendeu que o processo ocorre dentro da legalidade. “O julgamento está sendo feito conforme a Constituição e a legislação brasileira. Diferentemente do que se diz nas redes, não há arbitrariedade. É um processo transparente e comparável ao que ocorreu nos Estados Unidos em situações semelhantes, como no caso do 6 de janeiro”, explicou.

O senador também criticou a proposta da chamada “blindagem” a políticos que cometerem irregularidades. “É um absurdo. Não podemos aceitar que parlamentares tenham tratamento diferenciado. O que vale para um deve valer para todos. Infelizmente, essa discussão ocorre porque há inquéritos envolvendo deputados e senadores que se beneficiariam dessa proteção”, avaliou.

Humberto Costa ainda comentou sobre o cenário político em Pernambuco e as eleições de 2026. “O PT ainda não definiu formalmente alianças estaduais, pois a prioridade é a eleição do presidente Lula. No entanto, estamos estruturando grupos de trabalho para avaliar cada estado. Existe um debate interno sobre alianças aqui em Pernambuco, incluindo João Campos e Raquel Lyra, mas a decisão final será do partido nacional, provavelmente até o final do semestre”, disse.

Sobre a eleição para o Senado, o senador reafirmou sua candidatura como prioridade do PT no estado. “Nossa meta é garantir representatividade e impedir que a extrema direita conquiste maioria no Senado, o que poderia dificultar a nomeação de pessoas indicadas pelo presidente e a aprovação de políticas públicas essenciais. Tenho uma expectativa positiva para o pleito, apesar da diversidade de candidatos”, afirmou.

Por fim, Humberto Costa comentou a saída de Odacy Amorim do PT. “Conversei com ele e entendi perfeitamente suas razões. Ele continuará apoiando o presidente Lula e também minha candidatura ao Senado. A relação política e pessoal permanece intacta, e desejamos sucesso a ele. Aqui em Petrolina, nosso partido passa por um processo de reestruturação, valorizando a unidade e promovendo novas lideranças, especialmente o trabalho do vereador Gilmar, que tem se destacado”, concluiu.

A entrevista reforça o posicionamento de Humberto Costa em defesa de pautas sociais, da transparência política e da organização interna do PT em Pernambuco, em meio às discussões que antecedem as eleições de 2026.