Janeiro Branco reforça alerta sobre saúde mental e importância de buscar ajuda profissional

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A campanha Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental e emocional, voltou ao centro do debate no início de 2026. Em entrevista ao programa Nossa Voz, nesta segunda-feira (12), a psicóloga Thayse Barros destacou a importância de falar sobre o tema logo no começo do ano, período marcado por reflexões, recomeços e planejamento da vida.

Segundo a especialista, o mês de janeiro foi escolhido estrategicamente para ampliar a conscientização sobre cuidados que, muitas vezes, ficam em segundo plano.

“Janeiro é um mês simbólico, de recomeços. As pessoas pensam em fazer check-up, marcar exames, cuidar do corpo, mas acabam esquecendo da saúde mental. E ela é tão essencial quanto cuidar do coração, da pressão ou do diabetes. Sem saúde mental, a gente não consegue sustentar nenhuma outra área da vida”, afirmou.

Durante a entrevista, Thayse explicou que saúde mental não significa viver sem dor ou problemas, mas desenvolver recursos para lidar com as dificuldades da vida.

“A vida é inerente ao sofrimento, às preocupações. Saúde mental não é ausência de sofrimento, é a capacidade de lidar com a vida, reconhecer limites, identificar quando algo não vai bem e buscar ajuda. Cuidar da saúde mental é aprender a se construir apesar das adversidades”, pontuou.

Ela reforçou ainda que o corpo costuma dar sinais quando a mente não está bem.

“Quando a saúde mental não vai bem, o corpo responde. Aparecem sinais de alerta, sintomas físicos, cansaço extremo. Por isso esse cuidado precisa ser integral”, destacou.

Brasil lidera índices de ansiedade

O Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade e depressão, realidade que, segundo a psicóloga, se reflete diretamente na prática clínica e no ambiente de trabalho.

“Houve um crescimento significativo dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. A NR-1, que é a norma regulamentadora da saúde do trabalhador, passou a incluir a responsabilidade das empresas em avaliar e cuidar da saúde mental dos funcionários. Isso mostra como o problema é sério”, explicou.

Thayse também lembrou que os efeitos da pandemia ainda são sentidos.

“A pandemia aconteceu há poucos anos e agravou quadros de ansiedade, depressão, uso abusivo de álcool e sofrimento emocional. O isolamento social, o medo e a insegurança deixaram marcas que ainda estão muito presentes”, disse.

Tabu ainda existe, apesar dos avanços

Em cidades de porte médio, como Petrolina, o preconceito em relação ao cuidado psicológico ainda é uma barreira.

“Hoje existe mais informação e um trabalho forte de psicoeducação nas unidades de saúde, mas ainda há resistência. Muitas pessoas dizem: ‘eu não sou doido’. O psicólogo não está ali só para tratar doença, mas para prevenir e promover saúde”, afirmou.

Ela ressaltou que, na maioria das vezes, a busca por ajuda acontece quando o sofrimento já está intenso.

“As pessoas procuram quando o incêndio já começou, quando o sofrimento já está grande. O ideal é procurar antes”, alertou.

Sinais de alerta não devem ser ignorados

A psicóloga listou sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda profissional.

“Quando o sofrimento dura muito tempo e começa a prejudicar o trabalho, os estudos, o sono, o apetite, as relações, quando vem acompanhado de isolamento, desesperança ou pensamentos de morte, isso é um alerta. Às vezes a pessoa não pensa em morrer, mas perde a energia, não quer levantar da cama, se afasta de tudo”, explicou.

Cuidados simples fazem diferença

Antes que o sofrimento se torne um transtorno, algumas práticas podem ajudar.

“A rede de apoio é fundamental. Família, amigos, grupos. Se não tiver com quem contar, procure o posto de saúde. A UBS é porta de entrada. Uma rotina de sono, reduzir o uso excessivo do celular, alimentação adequada e atividade física leve, como uma caminhada de 20 minutos, já ajudam muito”, orientou.

Ela também destacou a importância de falar sobre sentimentos.

“Guardar tudo vai acumulando. Quando a crise vem, parece que foi algo pequeno, mas foi só a gota d’água. Falar sobre o que sente é essencial”, completou.

Mensagem final: procurar ajuda não é fraqueza

Para quem sente que precisa de ajuda, mas ainda tem medo ou resistência, Thayse deixou um recado direto.

“O atendimento psicológico e médico é sigiloso. Existe um código de ética que protege o paciente. Nem todo mundo precisa de remédio, mas também nem todo mundo melhora só com força de vontade. Cuidado em saúde mental não é luxo, é necessidade”, afirmou.

Ela reforçou que Petrolina conta com uma rede de atenção psicossocial, incluindo UBS, CAPS e serviços de urgência.

“Em caso de crise, procure atendimento imediato. O SUS oferece esse cuidado. Existe também o CVV, pelo número 188, com escuta gratuita e sigilosa 24 horas por dia. A ajuda existe. O mais importante é dar o primeiro passo”, concluiu.