Marinha intensifica fiscalização no Rio São Francisco com Operação Navegue Seguro, em Juazeiro

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A Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial de Juazeiro, está executando a Operação Navegue Seguro, que substituiu a antiga Operação Verão e ocorre no período de maior movimentação nas águas do Rio São Francisco. A ação teve início no dia 17 de dezembro e segue até 11 de março, acompanhando o aumento do tráfego aquaviário provocado pelas altas temperaturas e pelas férias, principalmente as escolares.

Em entrevista ao programa Nossa Voz, nesta terça-feira (6), o capitão dos portos e comandante da Capitania Fluvial de Juazeiro, Thiago Zanoni, explicou que a operação tem caráter nacional e foi reforçada na região do Médio e Submédio São Francisco.

“Em função das altas temperaturas, do verão e das férias escolares, muita gente sai de férias. A Marinha entende, e é fato, que há um aumento do tráfego aquaviário. Então, a Marinha entende que é necessário intensificar a fiscalização nesse período, tanto quanto a divulgação de informações de segurança para conscientização dos usuários do rio”, destacou.

Aumento de embarcações e áreas prioritárias

Nos últimos anos, houve um crescimento significativo no número de embarcações de lazer, como motos aquáticas, lanchas e caiaques, impulsionado, inclusive, pela facilidade de aquisição por meio de cotas. Esse cenário elevou os riscos de acidentes e levou a Marinha a concentrar esforços em pontos considerados críticos.

“Como o rio é muito extenso, a gente acaba se concentrando em pontos específicos, onde há maior concentração, principalmente encontro de banhistas, motoaquáticas e embarcações. Essas são nossas maiores preocupações e nossos pontos de interesse”, explicou.

Nessas áreas, a presença da fiscalização é reforçada e há recomendações claras aos condutores.

“A gente recomenda, principalmente para embarcações e motoaquáticas, não fazer manobras arriscadas nessas áreas, evitar se aproximar de áreas de banhistas, principalmente com velocidades não compatíveis com aquele ambiente. A Marinha, por publicação, determina que a velocidade seja menor que três nós nesses locais, para diminuir o risco de acidentes”, completou.

Ocorrências recorrentes e principais irregularidades

Apesar do aumento no número de embarcações de lazer, o comandante afirma que o perfil das ocorrências se mantém semelhante ao de outros verões.

“Na verdade, praticamente são as mesmas ocorrências que a gente encontra no rio. Pessoas não habilitadas. Normalmente são condutores habilitados que acabam passando a condução da embarcação para pessoas que não são habilitadas, para dar uma voltinha, e isso não é permitido”, alertou.

De acordo com Zanoni, nesses casos, tanto quem conduz sem habilitação quanto quem permite a irregularidade é autuado.

“É autuado tanto a pessoa que está no controle da embarcação quanto a pessoa que passou a embarcação para quem não é habilitado. A gente entende que é um risco muito grande”, disse.

Outro ponto frequentemente observado é a falta de equipamentos obrigatórios.

“É muito importante a utilização dos coletes salva-vidas durante a navegação. As embarcações têm que ter a quantidade mínima exigida para o número de tripulantes”, reforçou.

Além disso, a Marinha cobra a documentação obrigatória.

“Os comandantes das embarcações têm que estar portando o documento da embarcação, a habilitação do condutor e o seguro obrigatório”, completou.

Fiscalização, prevenção e uso do etilômetro

A operação também aposta na conscientização como estratégia principal.

“Cada vez mais a gente tem trabalhado com a conscientização e a prevenção, que a gente entende que é muito mais efetivo do que a fiscalização e a atuação punitiva. Quando a gente chega, atua se necessário for, mas o desejável é evitar, trabalhar com prevenção. Quando a gente trabalha com líderes de comunidades náuticas, de marinas, de motonautas, é muito mais efetivo. Através dessas pessoas, a gente tenta levar a conscientização e incentivar a busca pelas escolas náuticas, que dão aulas práticas e teóricas para depois habilitar a pessoa”, afirmou.

Durante as fiscalizações, todas as equipes utilizam etilômetros.

“Toda nossa equipe de fiscalização, quando está no rio, é munida de equipamento de etilômetro. Se for percebida a presença de bebida alcoólica, o comandante da embarcação será convidado a fazer o teste. Se atingir níveis não satisfatórios, ele será notificado, impedido de continuar a navegação e a embarcação pode ser retida”, detalhou.

Banhistas, afogamentos e parceria com o Corpo de Bombeiros

Embora o afogamento de banhistas seja atribuição do Corpo de Bombeiros, a Marinha atua de forma integrada.

“Embora a Marinha esteja no rio, a parte de afogamentos de banhistas cabe ao Corpo de Bombeiros. Logicamente, se a gente estiver no rio e perceber alguma ocorrência, é obrigação nossa tentar resgatar aquela pessoa, ajudar de alguma forma”, afirmou.

Zanoni destacou ainda a parceria com a Prefeitura e os alertas sobre áreas de risco.

“A prefeitura já indicou que vai fazer o delineamento das áreas de banhistas. Existem placas em áreas que não devem ser utilizadas para banho, mas muitas vezes as pessoas, por desconhecimento ou por acharem que não vai acontecer nada, acabam entrando. Evite essas áreas, procure locais mais seguros”, orientou.

Navegação noturna exige atenção redobrada

A Marinha também alerta para os riscos da navegação após o pôr do sol. Segundo ele, embarcações sem esse equipamento não podem navegar nesse horário.

“A gente cobra muito a navegação após o pôr do sol. A maioria das embarcações não possui luz de navegação, que é obrigatória para navegar à noite. À noite, a visibilidade diminui muito, inclusive para banhistas. Não é permitido embarcações que não possuem luz de navegação navegar após o pôr do sol. É extremamente importante que os comandantes fiquem atentos aos horários, que variam entre 17h30 e 18h30”, explicou.

Contato com a Capitania

Quem precisar de informações sobre inspeções, habilitação ou regularização de embarcações pode entrar em contato diretamente com a Capitania Fluvial de Juazeiro.

“Nossa capitania está disponível, tem pessoal de serviço direto. A gente tem um WhatsApp, pelo número (74) 99976-5063, para tirar dúvidas e orientar. Também temos o site www.marinha.mil.br”, informou o comandante.

A Marinha reforça que o objetivo da operação é garantir que todos possam utilizar o Rio São Francisco de forma segura.

“Respeite os banhistas, evite manobras arriscadas, para que todos possam usar o rio em segurança e, ao final do dia, retornar para casa com saúde e tranquilidade”, concluiu Zanoni.