Comunidades denunciam até três meses sem abastecimento em meio a calor acima de 37°C e baixa umidade; Compesa promete normalização até o dia 15
Moradores dos bairros Henrique Leite e Fernando Idalino Bezerra, em Petrolina (PE), realizaram na manhã desta segunda-feira (10) uma manifestação para protestar contra a falta de água nas torneiras. O ato aconteceu na estrada das Pedrinhas, na zona leste da cidade, e deixou a Avenida das Nações com fluxo intenso, exigindo atenção dos motoristas. A via foi interditada pelos moradores por tempo indeterminado.
O protesto ocorre em meio a uma onda de calor extremo, com temperaturas acima de 37°C e umidade relativa do ar que pode chegar a apenas 20%, segundo dados meteorológicos locais. A escassez de água, em meio ao clima seco e quente do Sertão, tem ampliado o desconforto e as dificuldades de centenas de famílias.
De acordo com os manifestantes, o abastecimento tem sido irregular há cerca de seis meses, mas há três meses o fornecimento foi totalmente interrompido, obrigando as famílias a recorrerem à compra de água mineral e ao uso de caminhões-pipa.
“Estamos há três meses sem água. Nem pra lavar as fardas das crianças, nem pra dar descarga. Temos que comprar água mineral até pra isso”, contou Verônica, moradora do bairro Fernando Idalino Bezerra.
A insatisfação é compartilhada por outros moradores, que dizem continuar recebendo as contas mesmo sem ter acesso ao serviço. “A conta chega todo mês, mas água não. Como é que a gente paga por um produto que não tem? Isso é humilhante”, desabafou Francisca, também moradora da comunidade.
Entre as principais queixas estão as dificuldades para manter a higiene básica, o impacto na rotina de famílias com crianças e idosos, e até problemas de saúde provocados pelo esforço físico de buscar água em outros bairros. “Estamos adquirindo doença de tanto carregar balde de água. Ontem, em pleno domingo, todo mundo saiu atrás de água. Isso é desumano”, relatou outra moradora.
O morador Cícero, do bairro Henrique Leite, afirmou que a situação é recorrente. “Falta água direto. Já estamos há mais de três dias sem uma gota na torneira, nem pra cozinhar, nem pra beber.”
Durante a manifestação, a vereadora Cláudia compareceu ao local e declarou apoio aos moradores. “Estamos representando toda a cidade. É inadmissível que a zona leste, que fica a cinco minutos do rio, esteja sofrendo com falta d’água. A água é vida, e a governadora precisa se sensibilizar com isso”, afirmou.
Ao final do programa, o gerente da Compesa em Petrolina, Alex Chaves, também entrou ao vivo para detalhar os problemas que afetaram o abastecimento durante o fim de semana. Ele informou que a manutenção na Estação de Tratamento de Água (ETA) Vitória, que atende parte dos bairros João de Deus, Bela Vista, Cidade Universitária e Henrique Leite, foi concluída na tarde de domingo (9).
“O João de Deus é abastecido parte pela ETA Vitória e parte pela ETA Centro. Por conta da parada na ETA Vitória, algumas áreas sofreram mais nesses dois últimos dias. A manutenção foi concluída por volta das 17h de ontem e o sistema entrou em processo de normalização à noite”, explicou.
Alex destacou que as áreas mais altas foram as mais prejudicadas, mas que as pressões começaram a melhorar nas últimas horas. Ele também esclareceu que não há rodízio oficial de abastecimento no momento, apenas ajustes de pressão e manobras operacionais para permitir reparos em casos de vazamentos.
“Quando há rompimento de rede, é preciso fechar um lado para consertar o vazamento. Isso acontece com frequência e pode causar interrupções pontuais, mas não se trata de rodízio”, afirmou.
O gerente confirmou ainda que novas equipes chegaram a Petrolina para reforçar as obras emergenciais nas estações de tratamento, especialmente na ETA Centro, que passa por requalificação dos filtros. “Esses serviços estão dentro do cronograma que vai até o dia 14. Estamos antecipando etapas para garantir que o sistema volte à normalidade o quanto antes”, completou.
Compesa promete normalização até o dia 15
Na última quarta-feira (5), o novo diretor-presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, esteve em Petrolina e concedeu entrevista ao programa Nossa Voz, onde explicou as medidas emergenciais adotadas para restabelecer o abastecimento.
Segundo ele, o resultado do trabalho deve começar a ser sentido nos próximos dias. “Esse trabalho emergencial está sendo feito e, em cerca de cinco a dez dias, a água deve começar a voltar às pressões anteriores. Isso vai atenuar o desabastecimento. Até o dia 15, os sistemas voltam a funcionar na sua plenitude. Estamos recuperando cerca de 10% da vazão da principal estação de tratamento de Petrolina, então, de forma gradual, a água começa a voltar para a população”, afirmou.
Douglas também explicou que a situação é resultado de falta de manutenção nos sistemas de captação e tratamento. “Há vários anos esse tipo de manutenção geral não foi feito, mais de dez anos. Estamos trabalhando na captação, colocamos novas bombas, alteramos o procedimento de retrolavagem dos filtros e diminuímos a frequência dessas lavagens, porque, quando elas acontecem, o abastecimento precisa ser interrompido.”



