Moradores e trabalhadores do bairro Coati, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, reclamam de mudanças no acesso à comunidade após as obras de duplicação da BR-407. Segundo a população, a retirada do acesso direto ao bairro para quem trafega pela rodovia tem causado transtornos diários e aumentado os riscos para quem precisa atravessar ou circular pela região.
Além da dificuldade de acesso, moradores também apontam a ausência de ciclovia, iluminação pública, passarelas e faixas adequadas de rolamento. As reivindicações, segundo eles, já são antigas e continuam sem solução.
A equipe da reportagem esteve no local nesta sexta-feira (13) e conversou com moradores e trabalhadores que utilizam a via diariamente.
Morador do bairro há mais de 40 anos, Francelino, conhecido na comunidade como “Mestre”, afirma que a obra deixou a população sem uma entrada adequada para o Coati.
“A gente vê que outros bairros têm acesso, como João de Deus e Cacheado, mas o Quati ficou sem entrada. A duplicação foi feita, mas aqui a comunidade ficou encurralada. Isso não pode acontecer com um bairro que existe há tantos anos e que precisa dessa ligação com a BR. O que a gente pede é algo básico: uma entrada que permita o morador chegar e sair com segurança”, afirmou.
Segundo ele, a população pretende buscar apoio político para tentar resolver o problema.
“Nós vamos conversar com representantes do bairro e procurar quem for necessário para resolver essa situação. Se for preciso, vamos até Brasília, porque essa obra foi feita, mas deixou muita coisa sem solução. A comunidade não quer confusão, não quer interditar a rodovia, mas também não pode continuar sem acesso ao próprio bairro”, disse.
Outro problema relatado por quem utiliza a rodovia é a falta de estrutura para ciclistas. Luciano Oliveira, que pedala diariamente pelo trecho, afirma que a promessa de ciclovia durante a obra não foi cumprida.
“Quando a duplicação foi anunciada, falaram que teria ciclovia. Inclusive houve reunião com ciclistas e essa estrutura estava prevista no projeto. Só que, na prática, ela não foi construída. Hoje quem pedala precisa dividir espaço com os carros em uma rodovia movimentada, o que aumenta muito o risco de acidentes”, contou.
Ele também destacou que a falta de iluminação no trecho agrava a situação, principalmente no período da noite.
“Tem muita gente que passa por aqui cedo para trabalhar ou retorna depois das 18h, quando já está escuro. O trecho entre o aeroporto e o Burrinho, por exemplo, é muito escuro. Sem iluminação e sem ciclovia, o perigo aumenta. A gente já ouviu relatos de acidentes e isso preocupa quem depende da bicicleta para trabalhar ou se deslocar”, explicou.
Para moradores da região, o problema vai além da falta de acesso e envolve também a mobilidade entre bairros vizinhos. Messias, que também vive na comunidade, questiona o planejamento da obra.
“É difícil entender como uma rodovia duplicada acaba retirando o acesso de uma avenida principal que há mais de 30 anos atendia o bairro Coati. Esse acesso sempre foi fundamental para a comunidade. De repente ele simplesmente deixa de existir e ninguém apresenta uma solução”, disse.
Ele também critica a ausência de estruturas que garantam a travessia segura de pedestres.
“Aqui não tem passarela ligando o Quati ao Cosme Damião ou ao bairro Padre Cícero. As pessoas precisam atravessar a BR correndo risco. Imagine um idoso, um cadeirante ou alguém com dificuldade de locomoção tentando cruzar essa rodovia movimentada. Não tem como. Falta iluminação, falta ciclovia e falta estrutura básica para quem mora aqui”, afirmou.
Entre as principais reivindicações da comunidade estão a readequação do acesso ao bairro Coati pela BR-407, além da implantação de iluminação pública, ciclovia, faixas de rolamento e passarelas que facilitem a travessia entre os bairros da região.
Os moradores pedem que os órgãos responsáveis revisem o projeto da duplicação da rodovia para garantir mais segurança e mobilidade para quem vive e trabalha no local.


