Nova rejeição de requerimento sobre cachês e publicidade do São João provoca bate-boca na Câmara de Petrolina

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Como é de costume nas cidades sertanejas, assim que encerra o período carnavalesco, já se inicia o planejamento dos festejos juninos. Porém, quando o assunto chegou à sessão da Câmara de Vereadores de Petrolina da última quinta-feira (05) um embate entre os vereadores Dhiego Serra e Ronaldo Cancão ganhou a cena. O fato ocorreu durante a discussão do Requerimento nº 0075/2026, apresentado por Serra, com pedido de informações à Prefeitura sobre os critérios de contratação de atrações artísticas e a regulamentação da exploração publicitária do São João de Petrolina.

No documento, o vereador solicita ao prefeito Simão Durando, por meio da secretaria competente e da comissão responsável pela Concorrência Eletrônica nº 004/2026, esclarecimentos oficiais sobre os critérios técnicos e financeiros utilizados pelo município na definição dos valores das atrações nacionais indicadas pela gestão, além de detalhes sobre limites de gastos, estudos comparativos de mercado, justificativas técnicas das contratações e regras para publicidade vinculada ao evento.

Entre os pontos levantados, o vereador questiona se existe teto máximo de cachê por artista, se houve estudo de viabilidade econômica, se a publicidade está restrita ao espaço físico da festa e se há permissão para a utilização de outros espaços públicos municipais na divulgação do evento. O requerimento também pede informações sobre a possibilidade de naming rights e sobre restrições a propagandas de bebidas alcoólicas, publicidade institucional e bets.

Ao defender a proposta, Dhiego Serra afirmou que o pedido não é contra o São João, mas a favor da transparência no uso dos recursos públicos. “Esse requerimento não trata apenas do cachê. O cachê é apenas o teto. O que estamos perguntando aqui — e não estipulando — é qual será o valor máximo que a Prefeitura pretende adotar para os artistas nacionais. Queremos saber: será R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões, R$ 3 milhões? São informações”, disse.

O vereador também declarou que a negativa em fornecer esses dados compromete a independência do Legislativo. “Quando essas informações são negadas, isso demonstra que vereadores que deveriam ser vereadores do povo passam a ser vereadores do prefeito Simão Durando. Esta Casa precisa ter independência. Esta Casa precisa trazer informações claras”, afirmou.

Em outro trecho, ele reforçou que seu posicionamento não é contrário à festa, mas  também relacionou o debate à publicidade de casas de aposta. “Nós queremos saber se a Prefeitura vai recusar a prestação de serviço público vinculada às apostas. É uma vergonha ver uma cidade que investe pouco na recuperação de tantos jovens e saber que esses jovens, principalmente os que utilizam essas casas de apostas, estão deixando suas famílias endividadas e se tornando dependentes”, afirmou.

Na resposta, o vereador Ronaldo Cancão criticou o que classificou como tentativa de “fazer pirotecnia” em torno de um evento que, segundo ele, já demonstrou resultados concretos para a cidade. “Há vereador querendo fazer pirotecnia com aquilo que deu certo. Não vou citar nome, porque não haverá direito de resposta”, disse.

Cancão argumentou que não é possível comparar o São João de Petrolina com festas promovidas em municípios de menor porte. “É inconcebível querer comparar um acordo bilateral entre municípios da Bahia com o evento do São João. Não se pode fazer esse comparativo com cidades que têm receita de apenas R$ 1,5 milhão ou R$ 3 milhões e querem contratar artista por R$ 1,5 milhão”, afirmou.

Na defesa do evento, o vereador ressaltou a posição de Petrolina no circuito junino nacional. “Hoje, Petrolina está entre os três maiores São Joões do Brasil. Estamos incluídos nesse grupo, ao lado de Campina Grande e Caruaru”, declarou. Em seguida, chamou atenção para o impacto econômico da festa. “Talvez o vereador não tenha conhecimento do envolvimento financeiro e da força geradora de renda que o São João de Petrolina representa”, disse.

Ao citar números, Cancão destacou o orçamento municipal e os valores envolvidos na realização do evento. “Nós temos um orçamento anual de R$ 2.386.690.222 para 2026. Isso representa uma receita mensal do município de cerca de R$ 198 milhões”, afirmou. Ele também explicou o modelo de concessão da festa: “A empresa ganhou a concessão do São João por dois anos, no valor de R$ 7,5 milhões. Ela pagou R$ 7,5 milhões para explorar o evento. A empresa entra com toda a estrutura. O município entra com R$ 13 milhões na contratação das bandas”.

Encerrando a resposta, o vereador governista voltou a enfatizar os resultados financeiros do São João. “Só no ano passado, vereador, circularam em Petrolina R$ 380 milhões durante o São João. Vá perguntar ao povo se ele está satisfeito ou se está contra o São João”, afirmou.

No desfecho, o Requerimento nº 075/2026, de autoria do vereador Dhiego Serra, foi rejeitado por 13 votos contrários. Votaram contra a proposta os vereadores Ronaldo Cancão, Gaturiano Cigano, Cláudia Ferreira, Wanderley Alves, Gabriel Menezes, Josivaldo Barros, Capitão Alencar, Aero Cruz, Diogo Hoffmann, Rogério Passos, Wenderson Menezes, Rosarinha Coelho e Maria Elena. Apenas Dhiego Serra,Gilmar Santos e Ronaldo Silva foram favoráveis à solicitação. (Fotos: Nilzete Brito/Ascom CMP)