Em entrevista ao programa Nossa Voz, a nutricionista Rafaela Borges explicou como retomar uma alimentação equilibrada, os cuidados com o jejum e a importância da hidratação e do sono para a saúde.
Nesta segunda-feira (5), a nutricionista Rafaela Borges participou do programa Nossa Voz e falou sobre a importância de tratar a alimentação como aliada, não como um peso ou obrigação. Segundo a especialista, a informação correta é essencial para que os hábitos saudáveis se tornem sustentáveis ao longo da vida.
“A alimentação não é para aprisionar as pessoas. Ela deve ser uma aliada na nossa vida, porque os nutrientes estão completamente interligados ao bom funcionamento do nosso corpo e à qualidade do nosso dia a dia”, afirmou Rafaela.
Durante a conversa, a especialista abordou estratégias populares após os excessos das festas de fim de ano, como o jejum, e alertou para os riscos de aplicá-lo sem acompanhamento.
“Não é para todo mundo. O jejum não é todo mundo que se adapta. Então assim, pode sim ser uma forma de conseguir reduzir danos, digamos assim. Mas o mais importante não é nem só buscar uma estratégia que traga um resultado rápido. É buscar de fato algo que você consiga levar não só para janeiro, mas para o resto da sua vida”, explicou.
Primeiros passos para retomar uma alimentação equilibrada
Ao ser questionada sobre como retomar bons hábitos alimentares após o período de festas, Rafaela ressaltou a importância da decisão consciente e do cuidado com o corpo e a mente:
“O primeiro passo é com a mente. A pessoa precisa estar decidida a mudar hábitos que vão trazer benefícios para ela. Muitas pessoas têm o costume de sair cortando coisas ou de fazer jejum, mas o que funciona de verdade é reduzir, amenizar o consumo de alimentos industrializados, bastante açucarados, aumentar o consumo de água e, se possível, retomar uma atividade física que seja prazerosa.”
Ela destacou ainda que o paladar humano é adaptável, e que alimentos muito doces, salgados ou industrializados podem tornar o retorno à alimentação equilibrada mais difícil:
“Nosso cérebro vai se acostumando com aquilo e tem dificuldade de retomar, mas com bons hábitos, a pessoa pode se readaptar. Algumas pessoas funcionam melhor quando estão em atividade física em relação à alimentação. Muitos pacientes dizem: ‘Não consegui seguir direito porque não consegui ir para a academia’. Então, muitas vezes, retomar uma atividade física prazerosa é um ponto principal.”
Hidratação e sono: pilares essenciais para o corpo
Rafaela também enfatizou a importância do consumo adequado de água para reduzir inchaço, auxiliar no trânsito intestinal e transportar nutrientes pelo corpo:
“A água tem um papel muito importante. O cálculo é simples: 35 ml de água por quilo de peso da pessoa, ou 40 ml se ela faz atividade física. Não basta só olhar para a alimentação, precisa se olhar também para o consumo de água.”
O sono, segundo a especialista, também é fundamental para a regulação hormonal e para controlar a fome e a saciedade:
“Durante o sono, hormônios que influenciam o humor e a alimentação são regulados. Quem não dorme bem tende a consumir mais alimentos em maiores quantidades, principalmente doces, à tarde ou à noite. Privação alimentar durante o dia também contribui para isso, e muitas vezes a pessoa recorre a fast food quando chega em casa.”
Alimentos que ajudam na recuperação do organismo
A nutricionista destacou que a alimentação equilibrada deve incluir proteínas, fibras e gorduras saudáveis, além de reduzir alimentos inflamatórios como açúcar em excesso, bebidas alcoólicas e industrializados.
“Alguns alimentos devem ganhar prioridade no dia seguinte às festas. Além da água, é importante consumir frutas, verduras e legumes, proteínas magras, azeite, castanhas e sementes. Esses alimentos ajudam na saúde, no controle de peso e na redução de inflamações.”
Rafaela reforçou que não se trata de vilanizar alimentos como hambúrguer, pizza ou panetone, mas sim de equilibrar o consumo e priorizar hábitos que beneficiem a saúde de forma consistente.
“Não são alimentos que devem ser vilões, mas que não devem fazer parte da nossa alimentação na maior parte do tempo. Cada pessoa é diferente, e alguns alimentos podem ser mais inflamatórios para uns do que para outros, como leite para quem tem intolerância ou alergia à proteína do leite.”
A especialista encerrou a participação lembrando que a alimentação equilibrada é um processo contínuo e que buscar orientação profissional faz diferença:
“A informação liberta. A alimentação deve ser uma aliada para toda a vida, e não apenas uma estratégia rápida. Pequenos ajustes consistentes trazem resultados muito melhores do que restrições temporárias.”



