O aumento no preço dos combustíveis voltou a pesar no bolso do consumidor em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A gasolina já é encontrada a R$ 7,59 em alguns postos, o que tem gerado questionamentos sobre a formação do valor final e levantado suspeitas sobre possível padronização de preços na cidade.
Diante desse cenário, o Procon realizou uma operação de fiscalização em mais de 30 postos de combustíveis, solicitando documentos e explicações aos estabelecimentos. A ação busca entender se há irregularidades ou práticas abusivas no repasse dos preços ao consumidor.
Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta quarta-feira (25), o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco, Publio Ramalho, afirmou que os postos são o último elo da cadeia e não os responsáveis diretos pela definição dos preços.
“O revendedor é apenas um repassador de produto. A gente costuma comparar que somos como o entregador da pizza: não fazemos a pizza, não compramos a massa, nem o recheio. A gente só entrega. Então não é correto que o posto seja responsabilizado de forma equivocada ou até maldosa por um preço que já chega elevado.”
Ele detalhou que o principal fator que pesa no valor final é o próprio custo do combustível, que já chega elevado às distribuidoras e, consequentemente, aos postos.
“O custo do produto em si ainda é o que mais pesa na composição do preço final. Quando o posto compra da distribuidora, esse valor já vem impactado por uma série de etapas anteriores, como refino, importação e transporte. Além disso, temos a incidência de impostos federais e estaduais, sendo o ICMS um dos principais componentes que elevam esse valor ao consumidor.”
Segundo ele, há uma percepção equivocada de que os preços são definidos diretamente pela Petrobras, o que não corresponde à realidade de todas as regiões.
“Aqui na nossa região, por exemplo, os postos não compram diretamente da Petrobras. Esse é um esclarecimento importante. O combustível chega por meio das distribuidoras, que por sua vez podem adquirir o produto de refinarias privatizadas ou até de importadores. Toda essa cadeia influencia no preço que chega à bomba, e muitas vezes o consumidor não percebe essas etapas intermediárias.”
A semelhança entre os preços praticados nos postos também tem sido alvo de críticas e suspeitas de cartelização. No entanto, segundo o representante do sindicato, isso se explica pela uniformidade dos custos de compra.
“Existe uma percepção de que os preços são iguais, mas isso se deve principalmente ao fato de que os postos compram praticamente pelo mesmo valor das distribuidoras. Como o mercado trabalha com margens muito apertadas, em centavos, não há espaço para grandes diferenças. Além disso, fatores como localização e custos operacionais influenciam. Um posto em área central, por exemplo, pode ter despesas maiores do que um localizado em regiões mais afastadas.”
Sobre a atuação do Procon, Publio Ramalho destacou que a fiscalização foi importante para dar mais transparência ao setor e esclarecer dúvidas da população.
“O Procon atuou de forma correta ao solicitar informações e abrir espaço para que os postos apresentassem suas justificativas. É importante diferenciar: notificação não é autuação. Nenhum posto foi penalizado até agora, todos foram chamados a apresentar notas fiscais, planilhas de custo e explicações sobre os reajustes. Esse processo é fundamental para garantir transparência e um mercado mais justo.”
Ele afirmou ainda que o sindicato acompanha e apoia ações de fiscalização, desde que realizadas dentro da legalidade.
“O sindicato está ao lado de um mercado regular e transparente. Sabemos que, como em qualquer setor, podem existir exceções, mas nosso papel é defender os empresários que atuam corretamente. A ação do Procon, inclusive, pode ajudar a esclarecer dúvidas da população e comprovar que os reajustes seguem critérios técnicos e econômicos.”
O setor também rebate críticas recorrentes e reforça que a atividade é altamente regulada no país, com fiscalização constante de diferentes órgãos.
“Hoje, os postos de combustíveis são fiscalizados por diversos órgãos nas esferas municipal, estadual e federal. Isso garante um nível alto de controle. A gente segue trabalhando para esclarecer a população, mesmo diante de muitas dúvidas e desinformação sobre o tema.”
A análise dos documentos apresentados pelos postos segue em andamento. A expectativa é que o resultado da apuração contribua para esclarecer a formação dos preços e traga mais transparência ao consumidor.
Enquanto isso, quem depende do combustível no dia a dia continua sentindo no bolso os impactos da alta, e cobrando respostas sobre um dos itens que mais pesam no custo de vida.



