Em entrevista nesta quinta-feira (19), o meteorologista da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), professor Mário Miranda, afirmou que o tempo deve permanecer instável em Petrolina nos próximos dias, com previsão de chuvas frequentes até o dia 3 de março.
Segundo o especialista, já houve registro de chuvisco em áreas da cidade durante a madrugada e a tendência é de que novas precipitações ocorram ainda nesta quinta e ao longo das próximas semanas.
“De hoje até o dia 3 de março, há possibilidade de chover em vários dias. Essas chuvas podem variar de moderadas a fortes e ocorrer de forma intercalada. A gente chama a atenção porque será um período com instabilidade persistente.”
Risco de alagamentos
O meteorologista alertou para o risco de alagamentos, especialmente em áreas mais vulneráveis. Como Petrolina é uma cidade predominantemente plana, a sequência de chuvas pode agravar a situação.
“Quando chove duas ou três vezes seguidas, mesmo que as precipitações não sejam tão intensas, o solo já está encharcado.
A partir daí, qualquer nova chuva pode provocar pontos de alagamento. Por isso, já comunicamos a Defesa Civil e reforçamos o alerta para as áreas de risco.”
Sensação de calor e alta umidade
Apesar da sensação térmica elevada, o professor explicou que as temperaturas não estão tão altas quanto em meses mais secos, como setembro e outubro. O desconforto é provocado principalmente pela alta umidade do ar.
No momento da entrevista, a temperatura registrada era de 24,6 °C, com umidade relativa de 91%.
“Nesta época do ano, a temperatura não é tão elevada quanto no período mais seco. A sensação de calor aumenta porque a umidade do ar está muito alta. Quando ela se aproxima de 97% ou 100%, as condições ficam favoráveis para ocorrência de chuva.”
De acordo com o meteorologista, o cenário é considerado normal para o período. Historicamente, os meses mais chuvosos na região vão de janeiro a abril, com maior volume concentrado em março e, em alguns anos, abril.
“Estamos nos aproximando de março, que tradicionalmente é o mês que mais chove aqui na região. Em alguns anos, abril também apresenta volumes expressivos. Portanto, esse padrão de chuva é considerado normal para esse período.”
Cuidados durante as tempestades
O especialista também reforçou orientações de segurança, principalmente por causa da incidência de descargas elétricas durante as chuvas.
“Essas chuvas podem vir acompanhadas de muitas descargas elétricas. É importante evitar subir em telhados durante temporais, porque o ponto mais alto tende a atrair o raio.Muitas pessoas já morreram no Brasil e no mundo por causa desse tipo de exposição.”
Ele alertou ainda para situações em áreas abertas.
“Se a pessoa estiver em campo aberto, em uma roça ou até em um campo de futebol, o ponto mais alto pode ser ela mesma. Não adianta acreditar que pneus de bicicleta ou moto vão proteger. O raio pode atingir da mesma forma.”
O professor também esclareceu um mito comum sobre o uso de celular durante tempestades.
“O celular não atrai raio se estiver sendo usado normalmente. O risco existe apenas quando o aparelho está conectado à rede elétrica, carregando. Fora isso, o uso não representa perigo.”
Previsão para o fim de semana
A previsão indica que as chuvas devem atingir não apenas Petrolina, mas outras áreas do semiárido nordestino ao longo do fim de semana.
“A tendência é de chuva em toda a região, não apenas em Petrolina. O cenário indica instabilidade em boa parte do semiárido nordestino.
Devem ser muitos dias com precipitação ao longo desse período.”
O meteorologista ressaltou que não trabalha com estimativas exatas de milímetros de chuva.
“Essas previsões de volume em milímetros variam muito. Às vezes se anuncia 50 milímetros e não chove nada, ou pode chover muito mais que o previsto. O mais importante agora é a indicação de um período chuvoso consistente.”
A orientação é que moradores, especialmente os que vivem em áreas de risco, redobrem a atenção nos próximos dias.



