O enterro do ex-prefeito de Petrolina, ex-deputado estadual e empresário Diniz de Sá Cavalcanti foi realizado na manhã desta sexta-feira (30), no Cemitério Campo das Flores, no Centro da cidade. A cerimônia reuniu familiares, amigos, autoridades políticas e moradores que foram prestar as últimas homenagens a uma das figuras mais marcantes da história pública do município.
Conhecido carinhosamente como Seu Diniz, ele morreu na quinta-feira (29), aos 99 anos, em casa, ao lado da família. Pai de seis filhos, avô de 20 netos e bisavô de 18 bisnetos, Diniz deixou um legado que atravessa décadas e ajudou a moldar o desenvolvimento de Petrolina e do Vale do São Francisco.
O velório foi realizado na Câmara Municipal de Petrolina e foi marcado por emoção, reconhecimento e relatos sobre a trajetória política e humana de Diniz de Sá Cavalcanti. Durante a despedida, lideranças políticas, familiares e amigos relembraram o papel dele na transformação da cidade e a relação próxima que mantinha com a população.
Para muitos, Diniz foi um homem à frente do seu tempo. Não apenas pelas obras que executou, mas pela capacidade de enxergar, décadas antes, as necessidades estruturais que permitiriam a Petrolina deixar de ser apenas uma cidade de passagem e se tornar protagonista no Sertão.
Prefeito entre 1977 e 1982, Diniz governou o município em um momento decisivo para o Vale do São Francisco, marcado pela grande seca de 1976 e pela expansão da irrigação. O crescimento acelerado da cidade exigia respostas rápidas do poder público, especialmente na área habitacional.
Em entrevista concedida em 2019 ao Nossa Voz, Diniz relembrou como enfrentou o surgimento de ocupações precárias e o fluxo de trabalhadores que chegavam à cidade em busca de oportunidades.
“Em 76 teve uma grande seca no Nordeste e começou a irrigação em Petrolina. Esses nordestinos abriram barracos de papelão e vieram trabalhar na irrigação. Em 77, eu comecei a fazer as obras. O primeiro passo foi enfrentar aquele problema de frente”, afirmou.
Foi nesse contexto que surgiram bairros como o José e Maria, hoje um dos maiores de Petrolina. Segundo Diniz, o nome foi escolhido como uma homenagem simbólica às famílias que migraram para não morrer de fome nem de sede.
“Os nordestinos que vieram para Petrolina vieram para não morrer de fome nem de sede. José e Maria fugiram para o Egito para salvar Jesus. Por isso o bairro se chama José e Maria. Onde hoje é o bairro, antes era o lixão da cidade. Eu aterrei tudo e fiz mil lotes ali”, contou.
Além da política habitacional, Diniz deixou marcas em obras estruturantes como o novo aeroporto de Petrolina, o viaduto do Barranqueiro, a biblioteca municipal — hoje Fórum — e um amplo programa de pavimentação de ruas em diversos bairros.
Na área da educação, a atuação de Diniz também foi lembrada durante as homenagens. A consolidação da Faculdade de Ciências Aplicadas de Petrolina (Facape), com a inauguração da sede própria em 1981, é considerada um dos marcos de sua gestão e abriu caminho para que anos depois a cidade se transformasse em um polo universitário regional.
O neto, Diniz Guilherme Cavalcanti, lembrou que o avô via a política como uma ferramenta de serviço às pessoas e não como um caminho para benefícios pessoais.
“Ele era uma figura pública, mas acima de tudo um homem generoso. Não tinha objetivo de enriquecer. Via na política uma oportunidade de ajudar as pessoas. Os depoimentos que temos recebido mostram gratidão e esperança”, afirmou.
Segundo ele, o maior ensinamento deixado por Seu Diniz foi a humildade.
“Ele nunca fez diferença com ninguém. Sempre tinha pessoas esperando por ele para pedir uma palavra ou uma ajuda. Ele nunca se recusou a ajudar”, completou.
O filho de Diniz, Diniz Guilherme, destacou que, dentro de casa, o pai era conhecido por saber ouvir.
“Meu pai era um homem que ouvia muito. Ele tinha tempo para as pessoas. Mesmo quando foi prefeito, continuava na rua, dirigindo a própria caminhonete. Se alguém chamasse ‘Seu Diniz’, ele parava para escutar”, disse.
Para familiares e amigos, o enterro marcou não apenas a despedida de um ex-prefeito, mas de um personagem central da história de Petrolina. Um homem que exerceu mandatos como vereador, vice-prefeito, prefeito e deputado estadual, mas que ficou conhecido pela proximidade com o povo e pela defesa do desenvolvimento do Sertão.




