Manifestação está marcada para esta quarta-feira (2), no Trevo do Ibó. Moradores, produtores, comerciantes e lideranças cobram agilidade do DNIT para liberar alternativa de tráfego entre Orocó e Cabrobó
A interdição da ponte sobre o Rio Brígida, na BR-428, em Orocó, vem provocando impactos na rotina de moradores e na economia de municípios do Sertão do São Francisco. Diante dos transtornos, moradores, lideranças indígenas, produtores rurais, comerciantes e representantes da sociedade civil estão mobilizando uma manifestação pacífica para esta quarta-feira (2), a partir das 6h, no Trevo do Ibó.
A mobilização é organizada por caciques e lideranças do povo indígena Truká e conta com a convocação de moradores de municípios como Cabrobó, Orocó e Santa Maria da Boa Vista. O objetivo é chamar a atenção das autoridades para a necessidade de uma solução mais rápida para o problema provocado pelo bloqueio da ponte.
Interdição foi determinada pelo DNIT
A ponte está localizada no km 43,84 da BR-428, no município de Orocó. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) determinou a interdição total do tráfego a partir de 24 de agosto, como medida preventiva de segurança.
De acordo com o órgão federal, a interrupção permanecerá enquanto forem realizadas as avaliações técnicas e adotadas as providências necessárias para garantir condições seguras de circulação na estrutura. Até o momento, o DNIT não estabeleceu uma data para a reabertura da ponte.
A decisão obrigou os motoristas a utilizar rotas alternativas consideravelmente mais longas.
Uma das opções indicadas pelo DNIT passa por Orocó, Lagoa Grande, Parnamirim, Salgueiro, Trevo do Ibó e Cabrobó. Outra alternativa segue no sentido de Cabrobó, Trevo do Ibó, Bendegó, Juazeiro, Petrolina, Lagoa Grande e Orocó. O órgão também apresentou outras rotas, algumas delas destinadas exclusivamente a veículos leves.
Desvio provisório começou a ser construído
Após as reclamações provocadas pelos grandes desvios, o DNIT iniciou a construção de uma rota provisória nas proximidades da ponte, com o objetivo de reduzir os impactos provocados pelo bloqueio.
A implantação do desvio foi confirmada pelo diretor do escritório do DNIT em Petrolina e deverá permitir uma alternativa mais curta para o deslocamento entre os municípios da região enquanto são tomadas as providências relacionadas à estrutura da ponte. Entretanto, a obra ainda não está concluída.
Em visita realizada nesta terça-feira (1º), o Blog do Didi Galvão registrou o andamento dos trabalhos no local e relatou que apenas uma máquina estava trabalhando no trecho naquele momento. Segundo informações repassadas por trabalhadores, uma das etapas depende da chegada de estacas e da adequação de uma cerca existente em uma propriedade particular para que os serviços possam avançar.
É justamente a demora na conclusão do desvio que está aumentando a pressão da população e das lideranças locais sobre o DNIT.
Impactos vão além do trânsito
A interdição não representa apenas um problema para quem utiliza a BR-428.
O bloqueio interfere diretamente na circulação de trabalhadores, estudantes, produtores rurais, transportadores e pacientes que precisam se deslocar para atendimento de saúde em outros municípios. A própria mobilização anunciada para esta quarta-feira cita preocupação com o transporte de pacientes, o escoamento da produção agrícola e o acesso a insumos utilizados pelos produtores.
O setor comercial também sente os efeitos da interrupção.
Em Cabrobó, comerciantes relatam redução no movimento, enquanto produtores, transportadores e trabalhadores enfrentam dificuldades adicionais para circular pela região. Representantes da CDL e empresários também acompanharam, nesta terça-feira, a situação no local e manifestaram preocupação com os prejuízos provocados pelo bloqueio.
O problema também afeta diretamente moradores da zona rural de Orocó. O prefeito do município, Ismael Lira, criticou a falta de comunicação prévia por parte do DNIT e afirmou que parte da população rural utiliza a ponte diariamente para chegar à área urbana.
Prefeituras articulam cobrança junto ao Governo Federal
Diante dos impactos, os municípios atingidos também passaram a buscar uma solução junto ao Governo Federal.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, está sendo articulada uma reunião na Superintendência do DNIT, no Recife, com a participação dos prefeitos dos municípios afetados.
A articulação está sendo conduzida pelo prefeito de Cabrobó, Galego de Nanai, e a expectativa é que os gestores apresentem ao órgão federal os impactos econômicos e sociais provocados pela interdição e cobrem maior agilidade na conclusão e liberação do desvio provisório.
Manifestação acontece nesta quarta-feira
É nesse cenário que acontece a manifestação convocada pelas lideranças do povo indígena Truká.
O ato está marcado para quarta-feira, 2 de setembro, a partir das 6h da manhã, no Trevo do Ibó. A convocação informa que haverá transporte saindo da EREFEM Indígena Capitão Dena, com destino ao local da manifestação.
A mobilização é apresentada pelos organizadores como um ato pacífico, com o objetivo de pressionar as autoridades e chamar atenção para os efeitos da interdição sobre a saúde, o transporte, a produção agrícola, o comércio e a circulação da população.
A principal reivindicação, neste momento, é que o desvio provisório seja concluído e liberado o mais rapidamente possível, reduzindo os impactos enquanto o DNIT trabalha na solução definitiva para a ponte.
O que diz o DNIT
Até o momento, a posição oficial do DNIT é de que a interdição da ponte foi adotada como medida preventiva de segurança, diante das condições da estrutura. O órgão orienta os motoristas a planejarem seus deslocamentos e utilizarem as rotas alternativas estabelecidas.
A construção do desvio provisório representa uma tentativa de reduzir os impactos, mas ainda não há, nas informações sobre uma data para a conclusão e liberação da alternativa ou para a retomada do tráfego sobre a ponte.



