Presidente do PL em Pernambuco critica saída de Gilson Machado e diz que decisão foi “projeto pessoal”

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A saída de Gilson Machado do Partido Liberal (PL) em Pernambuco repercutiu dentro da legenda. O ex-ministro deixou o partido e se filiou ao Podemos após movimentações ligadas à disputa pelo Senado. Em entrevista, o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, avaliou o episódio e fez críticas diretas ao ex-aliado.

Segundo Anderson, a decisão não foi construída de forma coletiva e teria partido de uma iniciativa individual.

“Primeiro é preciso deixar bem claro: houve ingratidão com o partido. Um projeto majoritário não pode nascer de um sentimento isolado, não pode ser algo construído apenas na vontade de uma pessoa. Uma candidatura ao Senado precisa partir de um grupo, de várias lideranças, de uma construção política sólida. Quando isso não acontece, o projeto deixa de ser coletivo e passa a ser pessoal.”

Anderson afirmou que dentro do PL havia um movimento consolidado em torno do seu nome para a disputa ao Senado, com apoio da direção nacional.

“Eu tenho uma torcida muito forte na direção nacional, inclusive do presidente Waldemar Costa Neto, que sempre defendeu meu nome para o Senado nas entrevistas e dentro do partido. Mas mesmo assim, nunca tratei isso como imposição. Sempre coloquei que é preciso dialogar, rodar o estado, ouvir as bases e analisar os cenários. Diferente disso, houve quem tratasse o desejo próprio como regra absoluta dentro do partido.”

O dirigente também relembrou episódios da eleição municipal no Recife, quando, segundo ele, houve decisões tomadas sem consenso interno.

“Na eleição do Recife, todos acompanharam o que aconteceu. De última hora, foi lançada uma candidatura do próprio filho, incluindo chapa de vereadores, e eu precisei atuar como bombeiro para administrar a situação. Quem está dentro de um partido como o PL não pode agir com egocentrismo. Precisa pensar no bem comum, na estratégia coletiva e no fortalecimento do grupo.”

Para Anderson, a insistência na pré-candidatura ao Senado não levou em conta o alinhamento interno da legenda em Pernambuco.

“Quando deputados estaduais e federais do partido começaram a declarar apoio ao nosso projeto, inclusive pessoas que caminhavam lado a lado com ele, ainda assim houve insistência em uma candidatura pessoal. Eu nunca vi alguém tratar um desejo individual como se fosse uma determinação partidária. Senado é construção com o povo, com as forças políticas internas e com as lideranças do estado. Não é apenas narrativa.”

O presidente estadual também citou uma declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria sido usada como argumento para sustentar a candidatura.

“Em uma reunião, quando provocado, Bolsonaro disse que, se dependesse dele, Gilson seria candidato. Mas a decisão não depende apenas de uma pessoa. Depende do povo, das lideranças, da viabilidade política. Aquela frase foi usada para criar uma narrativa dentro da bolha, como se fosse uma chancela automática. Só que narrativa não substitui construção política.”

Ao comentar a filiação ao Podemos, Anderson questionou o alinhamento ideológico da nova sigla.

“Ele foi para outro partido. E esse partido está na base do presidente Lula. Se vai montar chapa, vai ajudar a eleger deputados que votam com Lula. Então é preciso perguntar: isso presta serviço ou desserviço ao campo da direita? Não se pode defender um discurso de fidelidade a um projeto e, ao mesmo tempo, integrar uma estrutura que caminha em outra direção.”

Anderson disse que o PL segue unido em torno do que classificou como projeto coletivo.

“O nosso time continua junto, alinhado com o presidente Bolsonaro e com o projeto que defendemos para Pernambuco. Quem optou por um caminho diferente deixou claro que o objetivo era pessoal. O partido segue trabalhando, dialogando e construindo, porque candidatura majoritária exige responsabilidade e planejamento.”