O reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Télio Nobre Leite, fez um balanço do ano de 2025 e apresentou as perspectivas da instituição para 2026 durante entrevista ao programa Nossa Voz, nesta sexta-feira (30). Segundo ele, a universidade viveu um ano de conquistas expressivas, com destaque para a nota máxima dos cursos de Medicina no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), reconhecimento internacional de pesquisadores, prêmios em inovação e posições de destaque em rankings nacionais.
Ao mesmo tempo, a Univasf enfrentou desafios comuns às universidades federais brasileiras, como restrições orçamentárias, ajustes administrativos e a necessidade de manter a qualidade acadêmica em um cenário adverso de financiamento público.
Para 2026, a instituição inicia um novo ciclo com a implantação do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), ampliação de vagas via Sisu, fortalecimento da área da saúde e acompanhamento da recomposição orçamentária anunciada pelo Governo Federal.
Nota máxima em Medicina
Os cursos de Medicina da Univasf, nos campi de Petrolina (PE) e Paulo Afonso (BA), conquistaram nota máxima no Enamer 2025, ficando entre as dez melhores avaliações do país. Para o reitor, o resultado traz visibilidade nacional e reflete um trabalho coletivo construído ao longo de anos.
“Esse resultado nos dá uma enorme visibilidade. Foram divulgadas as notas, os desempenhos, e os dois cursos da universidade, tanto aqui em Petrolina como em Paulo Afonso, ficaram entre as dez maiores notas do país. Então, isso a gente precisa destacar: essa enorme visibilidade do nosso processo de formação. Nós temos um corpo docente muito qualificado, estudantes muito dedicados e muito capazes, que se desdobram para enfrentar esse desafio que é a graduação em Medicina, que exige muito. Há também todo um esforço coletivo para garantir esse processo de formação com qualidade.”
Télio Nobre Leite também destacou a infraestrutura da universidade, a articulação com a rede de saúde da região e o papel do Hospital Universitário no processo formativo.
“A nossa instituição tem uma infraestrutura bastante adequada para proporcionar esse processo de formação, com laboratórios, bibliotecas e outros espaços. A nossa capacidade de articulação com a rede de saúde é fundamental, e o hospital universitário faz parte desse processo. Inclusive, uma pesquisa recente mostrou um alto nível de satisfação entre estudantes, docentes e preceptores envolvidos na formação. Isso mostra que esse conjunto de fatores não é à toa.”
Pesquisa, inovação e reconhecimento internacional
Além da Medicina, a Univasf também se destacou em outras áreas. Cursos de pós-graduação alcançaram nota 7, o nível máximo de avaliação, consolidando a universidade como referência em pesquisa no interior do Nordeste.
“Nós tivemos recentemente o resultado da pós-graduação, em que a maioria dos nossos cursos alcançou nota sete, o que significa consolidação e amadurecimento da pesquisa na nossa instituição. Esse processo sempre muito integrado entre pós-graduação e graduação demonstra que a interiorização da educação superior era necessária. Hoje, a Univasf se transforma em uma universidade de referência também na pós-graduação, mostrando que é possível compatibilizar excelência acadêmica com interiorização.”
Segundo o reitor, após mais de duas décadas de atuação, a universidade se tornou um patrimônio da região do Vale do São Francisco.
“Não dá mais para falar do Vale do São Francisco sem falar da Univasf. Claro que nos somamos a outras instituições de ensino superior da região, que fazem um excelente trabalho, mas a universidade é um patrimônio que precisa ser defendido com unhas e dentes para que a gente consiga fazer ainda melhor.”
Ampliação de vagas e permanência estudantil
Em 2026, a Univasf ofertou mais de 1.700 vagas pelo Sisu e pretende seguir ampliando o acesso. O reitor ressaltou, no entanto, que a permanência estudantil segue como um dos maiores desafios da instituição.
“A assistência estudantil é a nossa principal prioridade. Os desafios são muito grandes, desde a garantia da residência, da alimentação e da mobilidade. O orçamento não acompanha essas necessidades. Apesar do anúncio da recomposição orçamentária, a assistência estudantil ainda não teve essa sinalização concretizada. Nosso grande desafio é manter o restaurante universitário funcionando com qualidade, porque ele é essencial para garantir a permanência dos nossos estudantes.”
Ele também citou dificuldades relacionadas ao transporte estudantil e à inclusão de alunos com deficiência.
“A mobilidade é uma questão que a gente discute internamente, com o Ministério da Educação e com os municípios. Temos dificuldades para manter o transporte como está hoje e precisamos do apoio do poder público. Além disso, a inclusão é um papel fundamental das universidades federais, mas ela traz desafios, como a necessidade de contratar profissionais de apoio para estudantes com deficiência, o que muitas vezes esbarra nas limitações orçamentárias.”
Novo Plano de Desenvolvimento Institucional
O novo PDI da Univasf entra em vigor em 2026 e terá validade até 2030. Diferente do anterior, pensado para dez anos, o novo plano terá duração de cinco anos e foco em metas mais objetivas.
“Dessa vez, resolvemos pensar um plano institucional mais curto, para cinco anos, em que a gente traça elementos centrais sobre onde queremos chegar. O plano envolve novas propostas de cursos de graduação e pós-graduação, fortalecimento da pesquisa, da extensão, da inovação, melhorias na governança, na participação social e na comunicação institucional. Identificamos nossos macroproblemas e as ameaças que podem impedir que a gente atinja determinados objetivos.”
Segundo o reitor, o foco permanece na missão central da universidade.
“A questão central é quais ações queremos desenvolver nesses próximos cinco anos, sempre focados na nossa missão institucional, que é o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação, garantindo cada vez mais a permanência e a inclusão dos estudantes na nossa instituição.”



