Raquel evita anunciar chapa majoritária, afaga base histórica e manda recado a opositores

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A agenda da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), em Petrolina, nesta semana, foi além da entrega de obras, anúncios administrativos e encontros institucionais. Em entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (8), a gestora adotou um discurso político calculado: evitou antecipar o anúncio da chapa majoritária para 2026, valorizou aliados antigos e recentes no Sertão do São Francisco e aproveitou para fazer críticas indiretas a adversários e a governos anteriores.

Ao ser questionada sobre a composição do palanque, Raquel preferiu não cravar nomes nem antecipar definições formais. “Nós vamos ter o tempo de anunciar palanque. Mas nós já estamos juntos trabalhando. Isso é o mais importante”, afirmou.

A declaração reforça a estratégia da governadora de manter a construção política em andamento sem oficializar, neste momento, o desenho da chapa para a reeleição. Ao mesmo tempo, a fala sinaliza que a aliança em formação no Sertão já está em curso, ainda que sem formalização pública completa.

Um dos pontos mais marcantes da entrevista foi o esforço de Raquel Lyra para reconhecer e prestigiar lideranças que já orbitavam seu projeto político antes da recente aproximação com o grupo do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.

Ao comentar a nova configuração política na região, a governadora fez questão de citar nomes como Guilherme Coelho, Odacy Amorim, Dulci Amorim, Júlio Lóssio e Juli Lóssio Filho, além de reconhecer o papel de Miguel e de seu grupo político.

“Agradeço a compreensão e a generosidade de quem estava comigo antes, durante o nosso mandato, de Guilherme Coelho, de Odacy, de Dulce, de Júlio Lóssio e Julinho”, declarou.

A fala foi interpretada nos bastidores como um gesto de acomodação política. Ao mesmo tempo em que consolida a entrada de Miguel Coelho e do seu grupo no campo governista, Raquel procura preservar espaço e prestígio para aliados históricos, evitando a leitura de substituição política.

“Jogo de soma”

Ao longo da entrevista, a governadora repetiu a ideia de que sua estratégia para o interior passa pela ampliação de alianças e pela construção de convergência entre diferentes forças políticas da região.

“É importante neste momento fazermos o jogo de soma. De soma por Pernambuco, de soma por Petrolina, pelo Vale do São Francisco, pelo Sertão”, afirmou.

Raquel também deu destaque à aliança com Miguel Coelho, quando ao lembrar o segundo turno de 2022, a governadora ressaltou o gesto do ex-prefeito de Petrolina ao declarar apoio à sua candidatura.

“Quando eu estava ali de luto (após a morte do marido no dia da votação do 1º turno), sem conseguir nem falar, Priscila foi fazer campanha na rua e eu fiquei em casa e Miguel, sem nem me telefonar, declarou o apoio”, disse.

Mas, se adotou cautela ao falar da chapa, a governadora foi mais incisiva ao tratar dos adversários. Sem citar nomes diretamente, fez críticas ao que chamou de antecipação do debate eleitoral e ao comportamento de quem, segundo ela, estaria mais focado em disputa política do que em gestão.

“Tem gente que acorda e dorme falando de eleição e falando mal de Pernambuco e trabalhando contra. E nós que estamos aqui acordando, dormindo, trabalhando”, afirmou.

Em outro momento, reforçou o contraste entre seu discurso de gestão e o ambiente pré-eleitoral: “Tem gente que vai falar muito de eleição e nós vamos falar de governo”.

A fala também veio acompanhada de uma defesa das realizações da gestão estadual. Raquel afirmou que seu governo já entregou, em três anos, mais do que os oito anos anteriores em várias áreas e voltou a cobrar comparação com números e indicadores.

“Não me cobre em três anos aquilo que tiveram oportunidade de fazer e não fizeram”, declarou.

Interior como eixo da narrativa

Outro ponto central da entrevista foi a tentativa de reforçar a imagem de um governo voltado para o interior. Raquel destacou sua origem em Caruaru e afirmou que a eleição de 2022 representou uma virada em relação ao modelo de gestão concentrado na capital.

Na sequência, fez uma crítica indireta ao modelo de administrações passadas. “Governos que governaram de costas para o estado, olhando para o mar”.

A formulação reforça uma narrativa já presente em outros discursos da governadora: a de que seu governo busca inverter prioridades e interiorizar investimentos em áreas como infraestrutura, saúde, segurança, abastecimento e saneamento.

Sem anunciar formalmente a chapa majoritária, Raquel preferiu trabalhar a imagem de unidade, destacar entregas do governo e lançar sinais para dentro e para fora do seu campo político.