A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou em coletiva de imprensa realizada em Petrolina, na última quarta-feira (8), que o governo estadual está afastando empresas terceirizadas que atuam na área da educação e que não cumpriram obrigações trabalhistas com seus funcionários, mesmo com os repasses do Estado em dia. Segundo a gestora, a medida atinge contratos ligados a profissionais como vigilantes, porteiros e merendeiras, categorias que vêm denunciando atrasos salariais e falta de benefícios desde o fim de 2025.
Nos últimos meses, trabalhadores vinculados a empresas terceirizadas relataram atrasos de até três e quatro meses nos salários, além de problemas no pagamento de vale-alimentação, vale-transporte, férias e retroativos. Em Petrolina, os protestos chegaram à Gerência Regional de Educação (GRE), onde vigilantes e outros profissionais cobraram uma solução para a situação.
Ao comentar o tema, Raquel Lyra disse que o governo vem promovendo a substituição das empresas e adotando medidas emergenciais para manter os serviços funcionando. “Estamos trocando todas essas empresas e vocês já estão vendo isso”, afirmou a governadora. Segundo ela, o Estado efetuou os pagamentos às prestadoras, mas parte delas não repassou os valores corretamente aos trabalhadores. “A gente pagou as empresas, mas as empresas não pagavam os seus funcionários, ou pagavam pela metade, pagavam atrasado o dinheiro do salário, não pagavam o vale-alimentação”, declarou.
De acordo com a governadora, o Estado já iniciou contratações emergenciais de novas empresas e também está lançando novas licitações para substituir de forma definitiva as terceirizadas afastadas por irregularidades. Ela afirmou ainda que tem acompanhado a situação diretamente nas escolas. “Todas as vezes que eu vou na escola eu pergunto se o porteiro, o vigilante, a merendeira estão recebendo o seu recurso”, disse.
Na coletiva, Raquel Lyra também pediu desculpas aos trabalhadores afetados e declarou que o governo reconhece a responsabilidade sobre o passivo trabalhista, mesmo quando o problema teve origem nas empresas contratadas. “O Estado de Pernambuco é corresponsável pelo pagamento do passivo das pessoas que não receberam. Então, elas vão receber”, afirmou.
A crise envolvendo terceirizados da educação em Pernambuco ganhou mais repercussão após denúncias de que unidades escolares tiveram o funcionamento comprometido pela falta de profissionais, especialmente nas áreas de vigilância, portaria e merenda. Em março, reportagem apontou que cerca de 1.600 vigilantes terceirizados que atuavam nas escolas estaduais de Pernambuco acumulavam meses de atraso salarial.
Mais recentemente, o tema também chegou à Justiça do Trabalho. Uma ação civil pública movida pelo sindicato da categoria contra a empresa B1 Vigilância e o Estado de Pernambuco resultou em bloqueio judicial de valores para garantir quitação de salários atrasados referentes a dezembro de 2025, janeiro de 2026 e parte de fevereiro de 2026, segundo publicação desta sexta-feira (10).
Com a fala da governadora, o governo estadual tenta sinalizar que o problema está sendo enfrentado em duas frentes: a substituição das empresas que descumpriram contratos e a garantia de pagamento aos trabalhadores prejudicados. A expectativa agora recai sobre a efetivação dessas medidas e a regularização da situação dos profissionais que seguem aguardando salários e benefícios atrasados.



