A greve dos porteiros nas escolas estaduais de Petrolina e região colocou em evidência um problema que vai além dos portões fechados: trabalhadores terceirizados denunciam atrasos salariais e cobram garantias trabalhistas, enquanto a Secretaria Estadual de Educação afirma que os repasses às empresas estão em dia.
Em meio à mobilização, a gestora da Gerência Regional de Educação (GRE) do Sertão do São Francisco, Célia Regina, participou do programa Nossa Voz nesta sexta-feira (20) e falou sobre a situação. Segundo ela, o impasse envolve empresas terceirizadas responsáveis pela contratação dos profissionais.
“Embora a gente tenha avançado muito em diversas frentes, infelizmente temos empresas terceirizadas que não vêm cumprindo seu papel. O Estado não deve um real às empresas. Os repasses estão em dia. O que acontece é que, para receber, elas precisam apresentar documentação que comprove pagamento de FGTS e outras obrigações trabalhistas. Mesmo assim, o Estado tem feito os pagamentos, mas as empresas não estão repassando corretamente aos trabalhadores”, afirmou.
A gestora destacou que as empresas já estão sendo notificadas e podem sofrer sanções, como ocorreu anteriormente com outra prestadora de serviços.
“Não é uma situação que estamos ignorando. A Secretaria está acompanhando de perto, notificando e tomando as medidas legais cabíveis. Já tivemos empresa retirada do contrato anteriormente. Se for necessário, isso volta a acontecer. O trabalhador não pode ser prejudicado por uma falha que não é do Estado”, completou.
Impacto nas escolas
Apesar da paralisação, a GRE garante que o calendário escolar não será afetado. Segundo Célia Regina, os 200 dias letivos estão mantidos.
“O porteiro faz muita falta. Ele traz segurança, organização e tranquilidade para a equipe gestora. Sem ele, a direção precisa assumir funções extras, abrir e fechar portão, controlar entrada e saída. É uma ausência sentida. Mas o calendário é lei, e nós vamos cumprir fielmente os 200 dias letivos”, afirmou.
A regional atende mais de 42 mil estudantes no Sertão do São Francisco.
Investimentos e climatização
Durante a entrevista, a gestora também destacou os investimentos na rede estadual. Segundo ela, o programa Investe Educação já alcançou R$ 6 bilhões em todo o estado.
“Estamos iniciando 2026 com um volume de investimento nunca visto antes. São recursos que chegam à manutenção das escolas, melhoria salarial, fardamento, kit do estudante, kit do professor, alimentação escolar e programas como o Ganhe o Mundo. Aqui em Petrolina temos 29 estudantes no Canadá neste momento”, disse.
Na área de infraestrutura, a GRE informou que mais de 10 escolas passaram por melhorias estruturais, com instalação de cerca de 400 aparelhos de ar-condicionado e 18 subestações elétricas.
A climatização total das unidades, no entanto, depende da concessionária de energia Neoenergia.
“A parte da Secretaria foi cumprida: compramos os equipamentos, instalamos as subestações, contratamos engenheiros. Agora dependemos dos protocolos e da ligação por parte da Neoenergia. Respeitamos os processos, mas precisamos de mais agilidade para concluir 100% da climatização”, explicou.



