Sobre apoio de Miguel Coelho a Raquel Lyra, Pedro Campos, irmão de João Campos, cobra coerência e diz que mudança política “cabe ao grupo dos Coelhos justificar”

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Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta quinta-feira (2), o deputado federal Pedro Campos fez uma avaliação política do cenário eleitoral em Pernambuco e comentou diretamente o posicionamento recente de Miguel Coelho. Para o parlamentar, há incoerência na mudança de postura do grupo político liderado pelo ex-prefeito, especialmente após críticas anteriores ao governo estadual.

Ao comentar o rompimento político com o União Brasil e a criação da Federação União Progressista, Pedro Campos destacou que o momento exige organização interna dos partidos envolvidos. Ele também citou divergências entre lideranças como um dos principais desafios da federação.

“Nós entendemos que a Federação União Progressista precisa primeiro resolver suas questões internas, definir claramente como será sua governança. Durante muito tempo, vimos Miguel Coelho afirmar que a liderança seria do União Brasil, enquanto Eduardo da Fonte defendia o comando pelo Progressistas. Agora, com as definições recentes, há indicação de que muitas decisões serão conduzidas pelo PP, e em caso de divergência, podem ser levadas à instância nacional. O maior risco na política é quando não há consenso interno, o que pode levar a disputas judiciais e fragilizar o grupo.”

Sobre Miguel Coelho, o deputado foi direto ao questionar a mudança de posicionamento do grupo político e cobrou explicações públicas sobre a nova postura.

“Durante muito tempo, Miguel e seu grupo fizeram críticas duras ao governo do estado, especialmente em temas como orçamento e excesso de empréstimos sem retorno em investimentos. Agora, vemos uma mudança de postura e uma aproximação que precisa ser explicada. Agora isso, obviamente, é algo que cabe ao grupo político dos Coelhos justificar e colocar suas posições em relação a isso. Nós iremos continuar rodando o estado de Pernambuco, conversando com quem queira fazer uma mudança de verdade.”

Ele ainda alfinetou ao críticar o alinhamento de Miguel Coelho a Governadora Raquel Lyra.

“E apontar com coerência que os últimos quatro anos do estado foram anos de muita conversa, de muita promessa e de pouca ação e de pouca realização. É isso que a gente vê, é isso que o próprio Miguel tinha apontado por diversas vezes e eu não sei o que mudou na esperança dele de que talvez agora, no ano eleitoral, as coisas vão acontecer, quando a gente viu o estado de Pernambuco viver anos muito ruins.”

Na reta final da entrevista, Pedro Campos também comentou a situação do MDB em Pernambuco após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve Raul Henry na presidência estadual do partido. Segundo ele, a tendência é de alinhamento com a Frente Popular.

“O TSE reconheceu a legalidade da decisão interna do MDB, o que fortalece a condução de Raul Henry. Com isso, entendemos que o partido deve estar junto com o PSD nessa construção política. É um partido que historicamente respeita suas decisões internas e tem uma estrutura forte nos municípios.”

Por fim, ao falar sobre o palanque do presidente Lula em Pernambuco, o deputado afirmou que, atualmente, apenas um grupo político no estado representa de forma clara o projeto do governo federal.

“Hoje, o que vemos é que apenas um palanque defende de forma consistente o trabalho do presidente Lula em Pernambuco. Nós participamos do governo, ajudamos a trazer investimentos importantes e temos clareza do que está sendo feito. É lógico que qualquer grupo que queira apoiar o presidente será bem-vindo, mas até agora não vemos esse reconhecimento por parte do governo do estado. De toda forma, nossa prioridade será discutir Pernambuco, os problemas reais da população e aquilo que foi prometido, mas não foi entregue.”