O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) rejeitou, por unanimidade, o recurso que pedia a condenação do vereador eleito de Petrolina, Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Júnior Gás (Avante), por supostas irregularidades nas eleições municipais de 2024.
A Corte manteve integralmente a sentença de primeiro grau que havia afastado as acusações de captação ilícita de votos, abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação social e irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), além do tempo de propaganda eleitoral.
O julgamento ocorreu no âmbito do processo nº 0600001-24.2025.6.17.0083. O relator foi o vice-presidente do TRE-PE, desembargador Paulo Augusto de Freitas, que votou pela manutenção da decisão da 83ª Zona Eleitoral, sendo acompanhado pelos demais membros da Corte.
A ação foi ajuizada pelos suplentes de vereador Cícero Freire e José Peixoto, ambos do Avante, mesma legenda de Júnior Gás.
Vereador comemora decisão e diz confiar na Justiça
Em entrevista concedida nesta terça-feira (10) ao programa Nossa Voz, Júnior Gás comentou a decisão do TRE-PE e afirmou que sempre confiou na Justiça.
“Eu sempre dizia e falo: ‘Eu não fiz nada, não fiz nada, né, à toa. Graças a Deus, né, aconteceu aí, nós ganhamos esse processo’. E dizia: ‘A gente tá aqui, quem me botou aqui foi duas pessoas: Deus acima de tudo e o povo de Petrolina que acreditou no meu trabalho’. E a gente vai agora dar continuidade ao nosso trabalho, que nunca paramos”, afirmou.
Durante a entrevista, o parlamentar também comentou sobre as dificuldades da atuação política no município.
“Não é fácil a gente ser vereador de uma cidade dessa tão grande como Petrolina, com mais de 430 mil habitantes, prevista para chegar a 500 mil. Mas é aquele ditado: Deus disse que Ele é o Rei dos Reis. Então o silêncio é tudo. Eu, hora nenhuma, não sou muito de falar, de discutir. Eu não gosto disso, sou mais reservado”, declarou.
Questionado se ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júnior Gás disse não ter informações sobre novos desdobramentos processuais.
“Eu não sei dizer, porque eu não tenho conhecimento disso. Hoje e ontem eu tive essa grande vitória, primeiramente de Deus e da Justiça aqui na Terra, que foi feita”, afirmou.
Relação com suplentes e alianças políticas
Ao ser perguntado se se sentiu traído pelos suplentes que ingressaram com a ação, o vereador minimizou o episódio.
“Eu não posso dizer que foi traição. Você sabe como é que funciona a política, tudo pode acontecer, inclusive nada. Ele achou que devia correr atrás, é o papel dele. Agora, mágoa jamais. Não tenho mágoa de maneira alguma”, disse.
Sobre a relação política com o deputado estadual Sebastião Oliveira e com o deputado federal Fernando Filho, Júnior Gás afirmou que a decisão judicial não altera as alianças.
“Não arranha, não. Sebastião é meu amigo, meu irmão. O prefeito já está ciente disso, foi tudo conversado. Vamos continuar aliados, fazendo dobradinha com Sebastião agora nessas eleições”, declarou.
Orlando Tolentino fala em “legitimação da vontade popular”
Também participou da entrevista Orlando Tolentino, que saiu em defesa do vereador e afirmou que a Justiça confirmou a escolha feita pelo eleitorado.
“As pessoas precisam saber que o povo é muito sábio. Júnior, junto com o seu filho, formou uma chapa dentro do enquadramento da lei eleitoral, respeitando gênero e todos os critérios. Os suplentes interpuseram recurso, mas eu sempre dizia: ‘Júnior, fica tranquilo, faz seu trabalho, porque Deus e a Justiça vão legitimar o que o povo escolheu’”, afirmou.
Tolentino destacou ainda o perfil pessoal do vereador.
“Júnior não guarda rancor nem raiva de ninguém. São apenas adversários políticos que queriam o lugar dele, mas o povo já escolheu. Ele vai trabalhar na base aliada do prefeito Simão, buscando melhorias para as populações que representa”, disse.
Histórico de decisões na Justiça Eleitoral
Esta é a segunda vez que Júnior Gás esteve sob análise da Justiça Eleitoral em processos distintos.
Em 2023, o TRE-PE cassou, por unanimidade (7 a 0), o mandato do vereador e de seus suplentes por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2020. Na ocasião, quem assumiu a vaga foi Lucinha Mota. O parlamentar recorreu ao TSE.
Já em 2021, Júnior Gás também teve o mandato cassado, mas conseguiu reverter a decisão em instâncias superiores.
Nas eleições de 2024, Júnior Gás foi eleito para a Câmara Municipal de Petrolina com 1.279 votos e voltou a ser alvo da Justiça Eleitoral, desta vez por suposto abuso de poder econômico. A ação foi proposta novamente pelos suplentes Cícero Freire e José Peixoto, mas acabou rejeitada tanto em primeira quanto em segunda instância.



