Vigilância Sanitária intensifica ações para o Carnaval de Petrolina e torna capacitação de ambulantes obrigatória

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A Vigilância Sanitária de Petrolina iniciou a intensificação das ações de planejamento e fiscalização para o Carnaval do município. O trabalho envolve articulação intersetorial, capacitação obrigatória de ambulantes e fiscalização diária durante os festejos, com foco na segurança alimentar e na proteção da saúde da população.

Os detalhes das estratégias foram apresentados nesta terça-feira (3), durante entrevista ao programa Nossa Voz, pelo diretor da Vigilância Sanitária do município, Acácio Andrade, e pelo coordenador da unidade regional da APEVISA, Iuri Cavalcante.

Segundo Acácio, o planejamento começa com antecedência e segue diretrizes nacionais para eventos de grande porte.

“ A gente, enquanto Vigilância Sanitária, sempre foca no processo de proteção da saúde da população. E quando se fala em proteção, a gente precisa planejar de maneira estratégica para que a resposta durante o período seja adequada. Por isso, 15 dias antes do início do Carnaval de Petrolina, já estamos divulgando nossas estratégias. Tudo isso foi construído de uma maneira muito planejada e estruturada”, afirmou.

Ele explicou que existe um plano específico para o Carnaval, construído de forma integrada com outros órgãos.

“Existe um plano de estruturação e condução durante o processo de Carnaval, um plano intersetorial. A gente acredita que ninguém faz nada sozinho, principalmente quando se fala de um evento de massa. Existe, inclusive, regulamentação da Anvisa determinando como a Vigilância Sanitária deve agir em eventos de grande circulação de pessoas”, destacou.

De acordo com o diretor, a primeira fase do trabalho é chamada de governança, que envolve reuniões e articulações entre os setores responsáveis.

“Estamos na nossa primeira fase, que é a fase de governança, baseada em articulações intersetoriais por meio de encontros. Ontem, por exemplo, estivemos na Guarda Municipal conversando com a equipe de disciplinamento urbano para entender onde os ambulantes vão se instalar, como essas barracas serão montadas e questões simples, como a distribuição da rede elétrica”, explicou.

Ainda segundo Acácio, esse cuidado é essencial para reduzir riscos durante a festa.

“Quando a gente fala em prevenção e proteção, precisamos reduzir completamente os riscos para conduzir um Carnaval seguro. Como o prefeito Simão sempre orienta, queremos uma festa bonita, alegre, mas também 100% segura, não só em relação à segurança pública, mas principalmente à segurança alimentar”, completou.

Capacitação obrigatória para ambulantes

Um dos principais diferenciais deste ano é a obrigatoriedade da capacitação para os ambulantes que irão trabalhar nos polos do Carnaval. Segundo a Vigilância Sanitária, 80 ambulantes já foram cadastrados.

“Esse ano colocamos um ponto diferencial, que é a obrigatoriedade da participação na capacitação. Um dos documentos exigidos no processo de liberação e credenciamento será o certificado de participação, porque a gente entende que fiscalização não é brincadeira”, afirmou Acácio.

Ele ressaltou que a capacitação acontece antes da festa e conta com diálogo constante com a Associação dos Ambulantes.

“ O diálogo vem acontecendo de forma frequente. Semana passada ela estava realizando o cadastro e, nesta semana, já entrou em contato conosco para dar andamento às próximas etapas”, disse.

Durante o Carnaval, a fiscalização será contínua e contará com apoio da APEVISA.

“Nos dias dos eventos, estaremos com apoio da APEVISA fazendo fiscalizações e orientações sobre manipulação correta de alimentos, gelo, água e bebidas. Tudo isso será cobrado durante as festas, porque precisamos prezar pela saúde da população”, reforçou.

Atenção a produtos irregulares

O coordenador da unidade regional da APEVISA, Iuri Cavalcante, alertou para problemas recorrentes em grandes eventos, como o uso de produtos irregulares.

“Nos últimos tempos, vivenciamos problemáticas importantes. Tivemos casos com pomadas capilares anos atrás, e no ano passado problemas relacionados ao metanol, com bebidas adulteradas. Em eventos de massa, essas situações tendem a reaparecer, e o nosso papel é prevenir para que a população não sofra agravos”, explicou.

Ele reforçou que o Carnaval deve ser um período de lazer, não de riscos à saúde.

“Carnaval é para festejar, não é para sofrer. A gente está aqui para proteger a população. As unidades hospitalares estarão prontas para atender, mas o nosso objetivo é terminar o Carnaval sem nenhuma ocorrência grave”, disse.

Iuri também orientou sobre o uso de pomadas, sprays, glitters e outros produtos comuns durante o período festivo, especialmente em crianças.

“Se a pomada adquirida não estiver naquela lista de produtos regularizados, ela não tem garantia. Não significa que vá causar um agravo, mas não há segurança. Tivemos casos graves em Pernambuco, inclusive com comprometimento da visão, e não queremos que isso aconteça aqui em Petrolina”, alertou.

Segundo ele, a população pode consultar a regularização dos produtos no site da Anvisa.

“No sistema da Anvisa é possível consultar pelo CNPJ ou nome do produto para verificar se ele está regulamentado. O problema é que, muitas vezes, um produto é registrado para uma finalidade e acaba sendo usado de outra forma, o que aumenta os riscos”, explicou.

Identificação dos ambulantes credenciados

Durante o Carnaval, os ambulantes autorizados receberão identificação visível.

“Os ambulantes credenciados vão receber um adesivo informando que são autorizados pela Vigilância Sanitária. É algo que a população precisa observar. Assim como eu tenho o hábito de entrar em um estabelecimento e olhar se tem alvará sanitário, no Carnaval teremos essa identificação visível”, disse Acácio.

A fiscalização, segundo ele, será diária.

“A liberação prévia não garante que a execução será correta. Por isso, estaremos todas as noites fiscalizando, garantindo que o processo aconteça dentro dos padrões e de forma segura”, concluiu.