A Prefeitura de Juazeiro iniciou uma nova etapa do plano de gerenciamento costeiro com a instalação de boias de sinalização ao longo da margem do Rio São Francisco. A ação é realizada em parceria com a Marinha do Brasil e conta com o apoio de bombeiros civis do município.
Nesta primeira fase, o balizamento foi implantado na área da Marinha e deve avançar para outros pontos estratégicos, como a região dos caiaques, a Ilha do Fogo e a Ilha do Rodeadoro. A expectativa da gestão municipal é concluir a segunda etapa até o fim de junho.
Plano é mais amplo que instalação de boias, diz Marinha
Durante entrevista ao programa Nossa Voz, o capitão de corveta Thiago Zanoni explicou que o plano de gerenciamento costeiro vai além do balizamento.
“É importante deixar bem claro que o plano de gerenciamento costeiro é algo maior do que o que a gente está executando agora, que é o balizamento. Ele engloba toda a organização das margens, a utilização das estruturas ao longo do rio e define quem pode usar cada espaço. O balizamento é uma etapa prática desse planejamento, porque garante a segurança dos banhistas e delimita de forma visível onde é permitido o banho e onde é área exclusiva para embarcações.”
Segundo o capitão, a iniciativa ajuda diretamente na atuação da Marinha.
“Quando o município define as áreas de banho e faz essa marcação com boias, facilita muito a fiscalização. A nossa maior preocupação é evitar que embarcações, especialmente de lazer, se aproximem de banhistas. Com a sinalização adequada, conseguimos reduzir riscos e organizar melhor o tráfego aquaviário.”
Segunda etapa inclui Ilha do Fogo e Rodeador
O secretário de Meio Ambiente de Juazeiro, Cláudio Fernandes, detalhou os próximos passos do projeto.
“Nós vamos avançar agora para a região dos caiaques e seguir até a área onde está instalado o Nego D’Água. Também vamos instalar boias na Ilha do Fogo, do lado da Bahia, e estender o balizamento até a Ilha do Rodeador. Mesmo sem uma definição clara sobre a quem pertence a Ilha do Fogo, entendemos que a prioridade é preservar vidas e garantir segurança para quem utiliza aquele espaço.”
De acordo com o secretário, a previsão é concluir essa etapa até o final de junho, respeitando o tempo técnico necessário para fixação das estruturas.
“As poitas, que são os pesos utilizados para sustentar as boias, precisam de um tempo de cura adequado. Estamos fazendo medições em algumas áreas, inclusive na Ilha do Fogo, onde percebemos a necessidade de ampliar a metragem inicialmente prevista. A meta é entregar tudo dentro do prazo, em parceria com a Marinha e os bombeiros civis.”
Ilha do Fogo pertence à União
Sobre a indefinição envolvendo a Ilha do Fogo, o capitão Zanoni esclareceu que, atualmente, a área é da União.
“Hoje a ilha pertence à União, por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Existe um acordo informal entre Petrolina e Juazeiro para dividir a manutenção do espaço. O prefeito informou que fez um requerimento para obter concessão de uso da área e aguarda a análise.”
A Ilha do Fogo está localizada entre Petrolina e Juazeiro, o que historicamente gera dúvidas sobre a gestão do território.
Fiscalização e penalidades
Com a instalação das boias, a fiscalização deve ser intensificada. Segundo a Marinha, embarcações que colocarem banhistas em risco poderão ser autuadas.
“A legislação é nacional. Qualquer embarcação que cause perigo a banhistas ou à navegação está sujeita a infração e multa. O balizamento vai nos dar respaldo para agir com mais precisão, principalmente em áreas onde há grande circulação de pessoas.”
O capitão também reforçou orientações aos condutores.
“Moto aquática e lancha de pequeno porte devem evitar se aproximar de áreas de banho. Se for realmente necessário, que seja com velocidade extremamente reduzida. A norma recomenda menos de seis quilômetros por hora. Atitudes imprudentes afastam o público do rio e podem colocar vidas em risco.”
Educação ambiental e manutenção
A manutenção das boias ficará sob responsabilidade da Secretaria de Meio Ambiente. O secretário destacou que a participação da população será fundamental.
“A secretaria foi criada na atual gestão com esse olhar voltado ao meio ambiente. O plano de gerenciamento costeiro também envolve educação ambiental e senso de pertencimento. Não adianta apenas instalar as boias; é preciso que a população ajude a preservar, cuidar da sinalização e entender que o rio é um patrimônio coletivo.”
A proposta, segundo a gestão, é que a iniciativa se torne referência para cidades vizinhas da região do Vale do São Francisco, fortalecendo a cultura de segurança e preservação ambiental às margens do rio.



