Dado como certo ao Senado, Túlio Gadêlha fica fora da divulgação da convenção de Raquel Lyra

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Ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil); governadora Raquel Lyra (PSD); vice-governadora Priscila Krause (PSD); e o deputado federal Túlio Gadêlha, na abertura do São João de Caruaru. Foto: Sérgio Figueiredo/Divulgação

A ausência do deputado federal, Túlio Gadêlha, na divulgação da convenção estadual do PSD chamou atenção nos bastidores da política pernambucana. Filiado ao partido da governadora Raquel Lyra e apontado até agora como o nome mais consolidado da sua base para o Senado, Túlio não aparece na publicação que anuncia o encontro partidário do próximo domingo, 2 de agosto.

Na peça, Raquel Lyra aparece ao lado da vice-governadora Priscila Krause, confirmando a repetição da atual composição na disputa pela reeleição ao Governo de Pernambuco. Nenhum dos pré-candidatos ao Senado, porém, foi incluído.

O silêncio sobre Túlio tem peso político diferente da ausência de Miguel Coelho e Eduardo da Fonte. Enquanto os dois ainda disputam espaço dentro da Federação União Progressista, o deputado federal pertence ao próprio PSD, legenda responsável pela convenção, e vinha tratando sua presença na chapa como uma decisão já tomada.

Em julho, Túlio afirmou publicamente que havia sido convidado por Raquel Lyra e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para concorrer ao Senado. O parlamentar declarou que não havia sido chamado para ser apenas “candidato a candidato” e sustentou que uma das duas vagas da chapa estava assegurada ao PSD.

A pré-candidatura foi anunciada ainda no final de março, quando Túlio deixou a Rede Sustentabilidade e se filiou ao a legenda. A mudança partidária foi construída justamente para inseri-lo na chapa majoritária de Raquel, com a função política de aproximar o palanque governista do eleitorado progressista e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde então, Gadelha passou a acompanhar a governadora em agendas públicas e foi apresentado por setores da imprensa estadual como o único nome já definido para o Senado no palanque dela. A segunda vaga é que permaneceria em disputa entre Miguel Coelho, do União Brasil, e Eduardo da Fonte, do Progressistas.

O que explica a ausência?

A decisão de não incluir Túlio na divulgação pode ser uma estratégia para evitar a apresentação isolada de apenas um candidato ao Senado enquanto Raquel ainda tenta solucionar o impasse envolvendo Miguel e Eduardo da Fonte.

Analistas avaliam que a governadora pode ter evitado expor somente um dos nomes antes da conclusão das articulações com a Federação União Progressista. A convenção da federação está marcada para 5 de agosto, três dias depois do evento do PSD e no último dia permitido pelo calendário eleitoral.

A ausência, portanto, não representa necessariamente o afastamento de Túlio da chapa. Ainda assim, produz uma dúvida política: se o deputado pertence ao PSD, teve sua pré-candidatura anunciada há meses e considera a vaga garantida, por que não foi apresentado na convocação da convenção que deverá oficializar as candidaturas do partido?

O nome de Túlio precisa ser homologado no encontro do próximo domingo para que ele concorra formalmente ao Senado pelo PSD. Por isso, a convenção deverá mostrar se sua candidatura permanece protegida das negociações que envolvem os demais partidos ou se a governadora ainda considera outras configurações para a chapa majoritária.

Disputa na base pressiona composição

Raquel Lyra ainda tenta administrar a disputa entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte pela outra vaga ao Senado. União Brasil e Progressistas marcaram convenções partidárias separadas para sábado, 1º de agosto, em horários semelhantes e locais diferentes.

Caso não haja acordo, as duas legendas poderão homologar seus respectivos candidatos, transferindo o impasse para a convenção da Federação União Progressista. Nos últimos dias, também surgiu a possibilidade de Túlio, Miguel e Eduardo concorrerem de forma avulsa, solução que manteria os três no campo político de Raquel, mas sem uma dupla oficialmente escolhida pela governadora.

Nesse cenário, a exclusão de Túlio da primeira divulgação da convenção pode ser apenas prudência política. Mas, para um pré-candidato que trocou de partido, iniciou uma movimentação própria e afirma ter recebido a garantia da governadora e da direção nacional do PSD, a ausência não passa despercebida.

Com Priscila Krause confirmada na vice, a principal expectativa para a convenção do PSD estará menos na candidatura de Raquel Lyra, já esperada, e mais na resposta a uma pergunta que a própria publicação deixou em aberto: Túlio Gadêlha será finalmente apresentado como candidato oficial da governadora ao Senado?