Cerimônia contou com a presença do presidente nacional do PSB e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos
O PSB oficializou nesta quarta-feira (29), em convenção nacional, o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin para a chapa do presidente Lula (PT) à reeleição. O partido aprovou a aliança nacional com a Federação do PT, Psol, PCdoB e PV. Os membros também aprovaram o nome do presidente do PT, Edinho Silva, como representante legal da coligação. O evento ocorreu no Centro de Convenções Meliá Brasil 21, em Brasília.
O vice-presidente destacou feitos do governo e criticou a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Segundo Alckmin, Bolsonaro foi responsável pelas mortes da Covid-19 e por baixar impostos para motos aquáticas e armas, enquanto o atual governo isentou imposto de renda para salários de até R$ 5 mil. Ele também reafirmou lealdade ao presidente Lula.
Alckmin criticou o slogan “Deus, pátria, família e liberdade”, usado pelos bolsonaristas. “Não é possível usar o nome de Deus em vão para promover a violência, promover o ódio, para propor e arquitetar o assassinato daqueles que o povo legitimamente elegeu pelas urnas. Pátria é a união, não é entreguismo. Não é você trabalhar lá fora contra o interesse do país, contra o emprego, contra as empresas, de maneira servil”, disse.
Lula discursou no evento e destacou sua confiança em Alckmin. Para o presidente, “ele é a única pessoa que você pode deitar e não vai ter um golpe de manhã”. O petista ainda lembrou que ele e o vice-presidente foram deputados constituintes quando participaram da elaboração do SUS (Sistema Único de Saúde).
Lula criticou o presidente da Argentina, Javier Milei, por suas declarações no evento do PL. “Vocês viram a papagaiada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa”, disse Lula. No sábado, o argentino discursou na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à presidência, e criticou Lula e Alexandre de Moraes, causando uma crise diplomática.
O petista também afirmou que não quer ser inimigo de Donald Trump. “O Trump às vezes fica querendo brigar comigo, eu não quero brigar com ele, eu não sou bobo. O cara diz que tem os maiores navios do mundo, as maiores bombas atômicas do mundo, os maiores aviões do mundo. Eu não quero briga, eu quero paz”, declarou.
Convenção nacional
“Nós estaremos juntos em todos os 27 estados da federação”, afirmou o presidente nacional do PSB, João Campos. Ele disse que Alckmin é “o melhor nome do Brasil” para ocupar a posição e destacou a atuação do vice-presidente em meio às sanções dos Estados Unidos contra o país.
A deputada federal Tabata Amaral frisou a necessidade de mais mulheres na política. Ela defendeu o movimento Lidera40, que tem a meta de eleger 40% da bancada do partido feita por mulheres. Segundo ela, o PSB escolheu a política da soberania e ressaltou a união de Lula e Alckmin, que eram adversários politicos e se uniram em sinal de “grandeza”.
Além de Lula, evento teve a presença de ministros como José Múcio (Defesa) e Márcio Elias Rosa (MDIC). Parlamentares e líderes nacionais do PSB, como o senador Cid Gomes, que busca a reeleição, Simone Tebet, que está na chapa de Fernando Haddad em SP, também estavam presentes, além do presidente nacional do PT, Edinho Silva. O apresentador José Luiz Datena, recém-filiado, também compôs a mesa.
Quem é Geraldo Alckmin
Alckmin é médico, com especialidade em anestesiologia, e professor universitário. Desde 1º de janeiro de 2023, é o 26º vice-presidente da República, na chapa ampla eleita com o presidente Lula. Ele foi ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços até abril, quando deixou o cargo para poder disputar as eleições.
Alckmin começou sua trajetória política em sua cidade natal, Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, aos 20 anos de idade, quando se elegeu vereador pelo então MDB, em 1972. Foi prefeito da mesma cidade (1977-1982), deputado estadual (1983-1987) e deputado federal (1987-1995), sempre por São Paulo, tendo participado como deputado da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela promulgação da Constituição Federal de 1988.
De 1995 a 2001, foi vice-governador de São Paulo, assumindo o governo paulista após a morte do governador Mário Covas. Alckmin comandou o governo de São Paulo, ainda, de 2003 a 2006, ano em que disputou sua primeira eleição presidencial, e de 2011 a 2018, quando concorreu, novamente, à Presidência da República.
Fonte: Uol



