Dulci Amorim deve ser 2ª suplente de Túlio Gadêlha e movimento redesenha disputa proporcional em Petrolina

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Ex-deputada vinha sendo apresentada por Raquel Lyra como candidata à Alepe. Entrada na chapa ao Senado retira um nome competitivo da disputa estadual e reposiciona o grupo Amorim, que terá Odacy buscando vaga na Câmara Federal

A ex-deputada estadual Dulci Amorim (PSD) deve ser anunciada nesta terça-feira (11) como segunda suplente do candidato ao Senado, Túlio Gadêlha (PSD). A oficialização está prevista para as 15h, na sede estadual do partido, no Recife. O primeiro suplente será André Teixeira Filho, vice-presidente estadual da legenda e um dos nomes de confiança da governadora Raquel Lyra.

Para Petrolina, porém, é a escolha de Dulci que produz o movimento político mais significativo. Há menos de um mês, ela havia sido apresentada pela própria governadora como pré-candidata a deputada estadual, com o discurso de representar Petrolina e o Sertão do São Francisco na Assembleia Legislativa. A mudança de rota significa que Dulci deixa a corrida pela Alepe, caso seja efetivamente registrada como suplente de Túlio. A legislação eleitoral não admite que uma mesma pessoa concorra a mais de um cargo na mesma eleição e os suplentes integram formalmente a chapa do candidato ao Senado.

Politicamente, Raquel troca uma candidatura proporcional por uma peça regional na chapa majoritária. Dulci tem trajetória eleitoral própria e uma base comprovada em Petrolina, algo particularmente útil para Túlio, cuja força eleitoral historicamente está menos concentrada no Sertão do São Francisco.

Em 2022, por exemplo, quando ambos disputaram a Câmara Federal, Dulci recebeu 16.526 votos somente em Petrolina, terminando como a terceira candidata a federal mais votada no município. Túlio Gadêlha recebeu 3.715 votos na cidade naquela eleição.

A escolha, portanto, pode ser lida como uma tentativa de “sertanejar” a candidatura de Túlio, incorporando à sua chapa uma liderança conhecida no Sertão do São Francisco e com relações políticas construídas em outros municípios da região.

Os Amorim já testaram a dobradinha federal-estadual duas vezes

O movimento também recoloca em evidência uma estratégia eleitoral conhecida do casal Dulci e Odacy Amorim. Em 2018, os dois disputaram juntos cargos proporcionais, mas em posições diferentes das atuais. Odacy concorreu à Câmara Federal e Dulci à Assembleia Legislativa.

Foi uma eleição eleitoralmente forte para o grupo. Odacy conquistou 40.050 votos em Pernambuco e, embora não tenha sido eleito deputado federal, ficou como primeiro suplente do PT. Em Petrolina, foi o candidato a deputado federal mais votado, com 30.158 votos, superando inclusive Fernando Filho naquele pleito. Dulci recebeu 22.359 votos no Estado e foi eleita deputada estadual. Em Petrolina, obteve 14.656 votos, ficando em segundo lugar na disputa local para a Alepe, atrás apenas de Antonio Coelho.

Quatro anos depois, em 2022, o casal inverteu os papéis. Dulci deixou a tentativa de reeleição para a Alepe e concorreu a deputada federal; Odacy tentou retornar à Assembleia.

Dulci terminou com 22.010 votos em Pernambuco, dos quais 16.526 vieram de Petrolina. Não conseguiu uma cadeira na Câmara, mas foi a candidata a federal sertaneja mais votada de seu campo político. Odacy obteve 24.429 votos para deputado estadual e terminou como primeiro suplente da Federação Brasil da Esperança. Em Petrolina, recebeu 16.847 votos, novamente figurando entre os três estaduais mais votados da cidade.

Em 2026, Odacy Amorim está filiado ao Avante e é pré-candidato a deputado federal. A legenda apresentou sua filiação justamente como uma estratégia para ampliar a presença no Sertão e trabalha com a meta de eleger pelo menos dois deputados federais.

Com Dulci deslocada para a suplência do Senado, o desenho eleitoral do casal muda. Em vez de duas campanhas proporcionais simultâneas, com uma pedindo voto para federal e outra para estadual, o grupo poderá concentrar sua estrutura proporcional na candidatura de Odacy à Câmara Federal, enquanto Dulci passa a trabalhar na majoritária por Túlio e, consequentemente, no palanque de Raquel.

É uma mudança potencialmente favorável a Odacy. Não porque os votos de Dulci sejam automaticamente transferíveis, mas porque a estrutura política, as lideranças comunitárias e o capital eleitoral do casal deixam de ser divididos entre dois projetos proporcionais próprios.

O Avante já havia oficializado apoio à reeleição de Raquel e à candidatura de Túlio, o que reduz o atrito partidário dessa composição, apesar de marido e mulher estarem hoje em legendas diferentes.