Falta d’água em Caititu mobiliza vereadores e Câmara deve discutir audiência pública com órgãos responsáveis

0

A situação do abastecimento de água na região de Caititu, na zona rural de Petrolina, provocou uma das discussões mais fortes da sessão desta terça-feira (11) na Câmara Municipal. O vereador Gilberto Melo apresentou requerimento solicitando a realização de uma audiência pública para discutir a falta d’água que atinge Caititu e também comunidades como Uruás, Cruz de Salinas e Atalho.

O requerimento pede que sejam convidados para o debate o superintendente regional da Codevasf, Edilázio Wanderley; o diretor executivo do DINC, Paulo Sales; a promotora de Justiça Ana Paula Cardoso; e o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Darcílio Almeida.

Ao defender a proposta no plenário, Gilberto Melo afirmou que a situação é urgente e que moradores estão enfrentando dificuldades até mesmo para as necessidades mais básicas. “O povo está morrendo de sede. O povo não sabe mais o que fazer. A gente tem adutora, mas a adutora não chega água. E o povo lá em Caititu com as caixas secas, passando sede”, declarou.

Segundo o vereador, a comunidade fica a cerca de 100 quilômetros do Rio São Francisco e depende do sistema de abastecimento para garantir água às famílias. Gilberto sustentou ainda que é necessário esclarecer por que, apesar da existência da adutora, a água não está chegando às localidades atendidas. “Tem adutora e não tem água. Tem que ser fiscalizado, tem que tomar providência para realmente saber o que está acontecendo. E o povo não vive sem água”, reforçou.

A proposta recebeu apoio de outros vereadores. Ronaldo Cancão pediu para subscrever o requerimento e fez críticas à situação enfrentada pelos moradores. Em sua manifestação, afirmou considerar “inadmissível” que famílias da região dependam da compra de água por meio de carros-pipa.

Cancão também defendeu que sejam apuradas responsabilidades relacionadas à operação do sistema e chegou a mencionar a possibilidade de levar a questão à Polícia Federal. “É inadmissível para Caititu, com quase 400 famílias, […] pagando pipa”, afirmou.

Durante a discussão, houve ainda um momento de tensão entre Ronaldo Cancão e Dhiego Serra. Serra ironizou a postura do colega em relação às regras para manifestação durante a subscrição de requerimentos, lembrando que Cancão havia feito cobrança semelhante anteriormente. A fala provocou reação imediata de Cancão, que rebateu o parlamentar.

A discussão sobre o abastecimento, no entanto, voltou ao centro do debate com a manifestação de Gabriel Menezes. O vereador também pediu para subscrever o requerimento e classificou como calamitosa a situação de Caititu, Cruz de Salinas, Atalho e parte de Uruás.

Menezes destacou que a água destinada ao sistema deve atender prioritariamente ao consumo humano e sugeriu que a audiência pública seja realizada na própria região atingida. “Precisamos levar essas autoridades convocadas, o superintendente da Codevasf, o presidente do DINC, até a comunidade, in loco, para ver de perto a realidade daquelas pessoas”, defendeu.

Diante das manifestações de apoio, Gilberto Melo decidiu colocar o requerimento em nome de toda a Câmara, permitindo a subscrição pelos demais vereadores. “É uma pauta muito importante e uma discussão do povo. A gente sabe a necessidade que é água para a nossa gente”, afirmou.

O parlamentar voltou a destacar que a adutora que atende a região passa por Uruás, Cruz de Salinas e Atalho antes de chegar a Caititu, mas, segundo ele, atualmente a água não está chegando ao destino. A expectativa agora é pela definição da data e do local da audiência pública. A proposta é reunir Câmara, Codevasf, DINC, Ministério Público e Prefeitura para discutir as causas do problema e buscar uma solução para o abastecimento das comunidades atingidas.