El niño tem previsão de maior intensidade em outubro; impactos no Nordeste serão menores, afirma ministra Luciana Santos

0
Ministra da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos. Foto: Luara Baggi (ASCOM/MCTI)

Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (13), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação informou sobre o processo de monitoramento climático realizado pelo governo federal e as ações adotadas para mitigar os impactos do fenômeno climático que será mais intenso no Sul e Sudeste do país

O Brasil entrou em estado de atenção para os impactos do fenômeno climático El Niño, que pode estar entre os mais intensos das últimas décadas. As projeções indicam impactos diferentes pelo país, possibilidade de chuvas mais intensas e redução das precipitações, temperaturas elevadas, maior pressão sobre os recursos hídricos, a agricultura e o risco de incêndios.

Em entrevista concedida por telefone ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (13), a ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, explicou que o avanço do fenômeno foi confirmada no mês de junho pelo satélite da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A previsão é que o fenômeno ganhe maior intensidade nos meses de outubro, novembro e dezembro.

“O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento do oceano Pacífico, quando ele chega pouco mais de 2 graus, causando ou seca assim em algumas regiões, enchentes em outra, de maneira mais intensa. O satélite da NOAA, que são satélites americanos, confirmaram no mês de junho o fenômeno. Ele vai ganhar intensidade maior em outubro, novembro e dezembro”, disse.

Reflexos da chegada do El Niño com chuvas no Sul e previsão de menor severidade da estiagem no Nordeste

Segundo a ministra Luciana Santos, apesar da previsão de maior intensidade no mês de outubro, o fenômeno já apresenta reflexos no sul do país, que tem registrado enchentes no Rio Grande do Sul. Fazendo um panorama por regiões brasileiras, a ministra informou que no Nordeste, a previsão é de seca menos severa na maior parte da região, mas para os estados da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí, na região de Matopiba, poderá haver maior pico de estiagem.

“Ele já está impactando enchentes no Sul, em particular, no Rio Grande do Sul. A seca vai ser menos severa. A não ser na região de Matopiba, que reúne quatro estados da Federação. No restante do país, assim, no Sudeste também vai ser um pouco mais seca, mas no restante ela vai ser mais suave do que foi o fenômeno 2023, que foi o último fenômeno”, afirmou.

A ministra tranquilizou a população do Nordeste, em específico do Semiárido, reforçando que não há previsões para grandes impactos do El Niño na região.

“Como a região Nordeste não se prevê um impacto do El Niño forte nas secas, a população de Petrolina, da região do Semiárido, de maneira geral, pode ficar numa situação mais tranquila de que os impactos não serão nem de enchentes, nem de secas, em função de que ele será menos severo”, destacou.

Alerta segue até 2027

O alerta para o fenômeno seguirá até 2027 e o foco do governo federal, de acordo com Luciana Santos, está na previsão de riscos com o objetivo de minimizar possíveis desastres climáticos em meio à chuvas intensas ou estiagens prolongadas. O planejamento, ainda segundo a ministra, é baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Serviço Geológico do Brasil e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Ele vai durar, pelo menos, até o início de 2027. Por isso, o nosso foco é antecipar os riscos para proteger a vida das pessoas. A gente funciona com os dados e, principalmente, o Ministério de Integração Regional, faz ações de controle”, afirmou.

As ações, segundo a ministra, são conjuntas entre os ministérios e o investimento do governo federal para prevenção e redução de danos diante do alerta climático é de mais R$ 1 bilhão de reais.

“O presidente Lula fez uma reunião há 15 dias, com 24 ministérios, anunciando mais de 1 bilhão de investimentos, que vai desde reservas de alimentos, que ele pediu imediatamente. A Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional para atuar junto com municípios”, destacou.

Confira a entrevista na íntegra

A entrevista completa com a ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, no programa Nossa Voz desta quinta-feira (13), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.