
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta sexta-feira, o chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HU-Univasf, Dr. Fabrício Olinda, destacou sobre os altos índices de acidente com motociclistas, sobretudo, aos finais de semana
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), em Petrolina, voltou a registrar superlotação, chegando a 166% da capacidade, segundo dados apresentados pela unidade. O cenário é agravado pelo número de vítimas de acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motocicletas.
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta sexta-feira (21), o chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HU-Univasf, Dr. Fabrício Olinda, informou que somente nas últimas 48 horas foram registrados 69 acidentes de transporte terrestre, sendo 59 envolvendo motocicletas.
O hospital é referência em atendimento de alta complexidade para 53 municípios de Pernambuco e da Bahia, o que amplia o impacto da demanda sobre a estrutura da unidade.
Motocicletas representam cerca de 80% dos acidentes
Os números apresentados pelo hospital mostram a dimensão do problema. Em 2025, foram registrados 12.448 acidentes de transporte terrestre, dos quais aproximadamente 9.500 envolveram motocicletas, representando cerca de 78% do total.
No primeiro semestre de 2026, o cenário permanece em crescimento. Foram contabilizados 6.522 acidentes de transporte terrestre, sendo 5.250 envolvendo motocicletas, o equivalente a aproximadamente 80% dos casos.
Segundo Fabrício, o hospital recebe, em média, 60 atendimentos diários na emergência relacionados a traumas, com forte predominância dos acidentes envolvendo motos.
69 acidentes em apenas dois dias
O recorte das últimas 48 horas chamou a atenção pela quantidade de vítimas. Dos 69 acidentes registrados no período, 59 foram relacionados a motocicletas. Considerando que o hospital possui 149 leitos, o médico explicou que o volume de pacientes provenientes desses acidentes chegou a representar aproximadamente 40% da capacidade instalada da unidade em apenas dois dias.
A consequência é uma pressão sobre diferentes setores do hospital, principalmente a ortopedia, mas também áreas como neurocirurgia e cirurgia geral, já que traumas de maior gravidade podem provocar múltiplas lesões.
Homens jovens são maioria entre as vítimas
De acordo com o chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, cerca de 70% das vítimas são homens, principalmente na faixa etária entre 20 e 39 anos.
Outro dado destacado é a concentração dos acidentes nos finais de semana. Sexta-feira, sábado e domingo respondem por aproximadamente 50% da chegada desses pacientes ao hospital.
Fabrício também apontou fatores associados a parte dos acidentes, como falta do uso de capacete, excesso de velocidade e consumo de álcool.
Segundo ele, muitos dos acidentes acontecem fora do horário de trabalho e durante momentos de lazer.
Superlotação impacta outras cirurgias
O aumento das vítimas de trânsito também interfere no atendimento de pacientes que precisam de procedimentos por outras causas.
O hospital realiza atualmente entre 20 e 25 cirurgias por dia, incluindo procedimentos programados e atendimentos de urgência e emergência.
Nas últimas 48 horas analisadas, foram realizadas 52 cirurgias. Com a chegada de pacientes vítimas de traumas graves, como fraturas expostas e traumatismos cranioencefálicos, a estrutura do bloco cirúrgico precisa estabelecer prioridades constantemente.
Fabrício explicou que o HU-Univasf também recebe pacientes com traumas de menor complexidade, que acabam ocupando o mesmo espaço destinado aos casos de alta complexidade devido à ausência de estruturas suficientes na rede para absorver essas demandas.
Tempo médio de espera por cirurgia caiu de cinco para dois dias
Apesar da pressão sobre a estrutura, o médico informou que houve redução no tempo médio de espera por cirurgia ortopédica entre os pacientes internados.
Segundo Fabrício, em março de 2025 a média era de aproximadamente cinco dias. Atualmente, o tempo médio está em torno de dois dias.
Os casos classificados como emergências são tratados prioritariamente e, normalmente, resolvidos em menos de 24 horas. A maior espera ocorre entre pacientes que não são classificados como urgentes e precisam entrar na programação cirúrgica.
Acidentes podem provocar sequelas permanentes
O médico alertou ainda que o impacto dos acidentes vai muito além do atendimento inicial. Algumas vítimas conseguem se recuperar após o tratamento e o período de reabilitação. Outras, porém, ficam com sequelas permanentes ou podem morrer em decorrência dos ferimentos.
Entre as complicações citadas está a osteomielite, uma infecção óssea que pode surgir após procedimentos relacionados aos traumas.
Segundo Fabrício, alguns pacientes precisam permanecer internados por 150 ou 160 dias para receber tratamento com antibióticos intravenosos. Além das consequências físicas, o médico chamou atenção para os impactos sociais e econômicos, principalmente porque muitas vítimas são homens jovens em idade produtiva e responsáveis pela renda familiar.
Detran defende fiscalização mais ostensiva
Durante a entrevista, o coordenador do Detran na região, Adalberto Bruno Filho, conhecido como Betão do Detran, também participou da discussão e defendeu o fortalecimento das ações de fiscalização e educação no trânsito.
Ele afirmou que Petrolina já deveria contar com uma estrutura específica de fiscalização da Lei Seca e destacou a necessidade de ações mais ostensivas, principalmente diante do crescimento da frota de motocicletas.
Betão também relatou a ocorrência de grupos de motociclistas realizando manobras consideradas perigosas durante a noite na região do Roçado, situação que, segundo ele, deveria receber atenção dos órgãos de fiscalização.
Hospital faz alerta à população
Para o Dr. Fabrício Olinda, os números divulgados pelo Hospital Universitário não devem ser vistos apenas como estatísticas, mas como um alerta para a necessidade de prevenção.
Segundo ele, o hospital acaba funcionando como uma espécie de “semáforo final” do problema, ao receber diariamente as consequências dos acidentes que acontecem nas ruas.
O médico defendeu uma discussão envolvendo saúde pública, trânsito, fiscalização, infraestrutura, educação e organização urbana, com o objetivo de reduzir o número de acidentes e, consequentemente, a pressão sobre o sistema de saúde.
“Precisamos cada vez mais conscientizar a nossa população no nosso trânsito”, reforçou.
Olha a gente, Hospital Universitário aqui de Petrolina, registrando novamente super lotação.
Chegando aqui a 166%. de superlotação, 69 vítimas de acidente de trânsito só nas últimas 48 horas. Gente, número preocupante, viu?
E o Hospital Universitário é a unidade aqui de referência para 53 municípios de Pernambuco e da Bahia, vem divulgando esses boletins de atendimento com dados que acendem o alerta para a superlotação e para a violência no trânsito aqui de Petrolina e Região. Para falar sobre esse assunto, vamos conversar agora com o Dr. Fabrício, Olinda, chefe da divisão de gestão do cuidado do Hospital Universitário Unifesp aqui de Petrolina. Muito bom dia, seja bem-vindo aqui ao nosso avó.
Bom dia, Néa, Marco Aurélio, a todos os ouvintes que faz desse programa. Agradecer mais uma vez o espaço aqui cedido para que a gente possa estar mais uma vez trazendo dados para nossa população e que nesse nessa temática falar sobre os acidentes de transporte terrestre com o especialmente voltado para as motocicletas. Então a gente Sempre superando, né, as motocicletas em número de acidentes e de veículos também, não é? De veículos.
E aí eu quero sempre gosto de trazer alguns dados, né, pra gente fazer essa reflexão e, infelizmente, do ponto de vista de acidentes, a gente vem aumentando. Se a gente trazer 2025 como referência, nós finalizamos o ano passado com 12.448 acidentes relacionado a acidentes de transporte terrestre. Desses 9.500 foram só de moto. 9.500. 9.500 Ou seja, em torno de 78% dos acidentes terrestres estão relacionados a motocicletas.
E quando a gente vai agora só para o balanço do primeiro semestre, né? Infelizmente, são números que cada vez chamam atenção crescendo. Vem crescendo cada vez mais. Crescentes. Só nesse primeiro semestre nós tivemos 6.522 acidentes terrestres, de transporte Olha terrestre e observem, de motos 5.250. Nossa, de 6.500 e e 22. E 22. 5.250 foram foi motos, ou seja, 80%. A única E então, o erro é a pergunta que se deve fazer. E isso, é exatamente.
O objetivo é esse. É prazer, É verdade porque o hospital universitário, ele se torna o ponto final muitas das vezes desse paciente e e a gente precisa refletir sobre as políticas públicas, né? Que a gente tá falando sobre um problema de gestão pública, de saúde pública que envolve nós, que estamos fazendo parte do trânsito, infraestrutura, fiscalização, né? Aí a gente precisa É cada educação vez também, né? É educação conscientização E porque tudo isso traz consequências gravíssimas, não é? Gravíssimas, né?
E eu tava trazendo um dado aqui o partilhando antes, né, dizendo que Pernambuco e Petrolina naturalmente faz parte desse processo também, nós temos hoje mais motos do que carros. Olha aí. Tanto Pernambuco quanto Petrolina. Então Pernambuco e Petrolina. Petrolina e Petrolina Olha se destaca no quantitativo uma das maiores cidades que tem o número de motocicletas. Então, a gente aqui não quer condenar a moto, porque nós sabemos que é um meio de transporte de multi Mais econômico também mais econômico que traz muitas vantagens, mas a gente precisa discutir de forma ampla, né?
Como é que tá esse processo de conscientização, como é a cidade está preparada para estar tendo esse fluxo alto e naturalmente todos nós que estamos fazendo parte desse processo do do do de ser motorista ou pedestres, como é que tá essa conscientização para que a gente tenha cada vez mais?
Então, é esse dado que a gente precisa refletir, porque dentro do hospital, naturalmente, como nós sabemos, a mal a em torno de 80% dos acidentes do acidente é moto, a maior parte dos acidentes dos dos pacientes de ortopedia são vinculados a esse esse tipo, então, a gente tá falando aí em média de 60 atendimentos na emergência. Olha.
60 atendimentos na emergência Só na diária emergência diário diário Olha aí Então, a gente, o nosso assessor de comunicação, ele publicou recentemente uma uma atualização sobre isso e a gente e me fez refletir muito, né? Sobre em um único dado, em um ele fez um dois dias, né? Um corte de 48 horas que pegou o final de semana, né?
Nós tivemos 69 acidentes terrestres, desses 59 de moto. Se a gente pensar que 59 pacientes, 64 pacientes foram internados nesse hospital em dois dias, nossa capacidade do hospital são 149 leitos, né? Nós estamos falando que em dois dias nós temos praticamente 40% da nossa capacidade instalada, ocupada em dois dias. Só para o atendimento a essas vítimas dessas vítimas.
Então a gente precisa refletir, Aí né Aí essa conta não vai fechar nunca, Não fecha né Não fecha O que que mais chama atenção aqui no perfil dessas vítimas idade tipo de acidente ou gravidade dos ferimentos? Perfeito. Então a gente a gente traz alguns comportamentos que eles se mantém, né? É primeiro sexo masculino é o predominante dentro deles, né? Ou seja, em torno de 70% são esses é esse perfil.
Pessoas jovens, então que vão ali na faixa etária de 20 20 anos até 39 anos, então ainda continua sendo essa faixa. E o que nos chama atenção, né? É que serve também como alerta aqui para sua grande seu grande público que infelizmente muitos desses acidentes poderiam ser evitáveis.
Porque estão relacionado a vítimas que não usam capacetes, vítimas relacionado com alta velocidade, vítimas relacionado com uso de álcool e acreditem, a maioria dessas vítimas não estão relacionado ao trabalho. Ao lazer? Em momentos fora do horário comercial. E aí chama a atenção, e Marco Aurélio aqui a todos ouvintes, que boa parte desses acidentes estão acumulados nos finais de semana. Eu já ia perguntar mais nos finais de semana.
Então, sexta, sábado e domingo, esses três dias representam apresentam em torno de 50% do da prevalência de chegada desses pacientes, ou seja, enquanto que segunda, terça, quarta e e quinta diminui fica 50%, ou seja, o percentual é menor, ou seja, o fluxo maior está entre sexta, sábado e domingo. Caberia então uma fiscalização mais reforçada para o final de semana? Isso. A gente tenta trazer, né?
Naturalmente nós fazemos parte do nosso é é setor de epidemiologia, vigilância, ela compartilha todos esses dados, né? Todos têm acesso para que, naturalmente, medidas, né, ações preventivas, elas possam acontecer, para que a gente não esteja apenas discutindo o processo da assistência, que nós, naturalmente, o Hospital Universitário, ele vai desenvolver, né, dar melhor qualidade de atendimento a esses pacientes, mas também pensar em evitar. É. Fazer campanha que chegue menos campanha educativas muitas vezes não funcionam. Tem que mexer no bolso mesmo.
Fiscalização, Fiscalização mais dura porque tá se passando do extremo. A gente, eh, pode até trazer, né, o senhor pode trazer aqui em relação ao impacto nesse número aqui, quando há um número elevado aqui de pacientes de trauma, outros atendimentos de emergência terminam também sendo comprometidos. Qual é o impacto hoje, né, que o hospital tem desse balanço? Tudo sobrecarrega, como eu falei.
Então, como eu falei, hoje a ortopedia e a gente tá falando aqui, eu tô falando ortopedia, mas lembrar que muitos desses acidentes, dependendo da energia, do trauma, ele vai terminar não só trazendo alterações ortopédicas, ela vai trazer neuro cirurgia geral e que tá entrando aqui, ou seja, eu tô dando dados que ainda são subestimados, porque que muitas vezes dão entrada como neurocrítico, com cirurgia geral, mas que também vai ter alterações ortopédicas.
Então a gente tem um quantitativo que nosso hospital não é apenas só de trauma, Exato nós somos referência em neuro, né? Cirurgia de alta complexidade e aí isso naturalmente nós temos um recurso instalação física limitada e nós temos também recursos humanos e que terminam conflitando. Desde uma Desde uma uma simples fratura que a gente também vai falar que não é só de de de acidentes de terrestres.
Nós temos pessoas que, de repente, tão jogando bola, fraturam o pé, pessoas que torcem, fraturas de idosos. Então, veja, tudo isso vai tá sendo disputado É verdade. esse espaço Então E E E cria automaticamente uma fila de espera, né? Porque existe também a transferência, né? Você para fazer outras cirurgias, às vezes é necessário também ser transferido para outros setores, né? Exames também tem um tempo de espera, tudo isso é complicado. Tudo, né? E principalmente o maior carro quando esse o que nessa mais do bloco cirúrgico, né?
Então, esses pacientes vão concorrer. É verdade. desde acidentes de maior complexidade, com menor complexidade, ao mesmo espaço do bloco cirúrgico. E, Hum por exemplo, nesse nesse mesmo período que o foi colocado nessas últimas 48 horas, 52 cirurgias aconteceram. Hoje nós temos uma um um volume em torno de 20 a 25 cirurgias dia. Lógico, desde pacientes eletivos, que a gente chama urgências programadas, há também pacientes graves que tem que entrar diretamente com fraturas expostas, que precisam imediatamente acessar um bloco cirúrgico.
E essa conta, como foi colocada, ela termina ficando cada vez mais difícil, priorizações, filas de espera toda hora de prioridade e prioridades. E eu queria que me permitam trazer também as consequências, né?
Então a gente falar um pouquinho para essa nossa população que muitas das vezes a gente vai ter desde consequências lesões que vão ser passageiras, transitórias que a gente fala, uma fratura que foi vai ser processo de reabilitação e que vai voltar para sua sua vida normal, mas vão existir outros que geram sequelas permanentes ou aqueles que também vem aumentando esse número de pacientes que vem que terminam também perdendo sua vida.
Então a gente precisa conscientizar a nossa população a esses riscos, que às vezes uma uma tomada de decisão ela pode ser a sua última tomada de decisão. Então a gente precisa cada vez mais conscientizar a nossa população no nosso trânsito. Betão aqui esse coordenador aqui do Detran, né? Tá aqui na linha também, quer colaborar aqui com o assunto. Bom dia, seja bem-vindo, Betão. Bom dia, Néia. Bom dia a todos seus ouvintes. Um bom dia, Dr. Fabrício. É, né?
Eu tive a oportunidade de de participar de uma audiência pública, eu acredito que o Dr. Fabrício estava também, é, feito pela, é, Promotoria Pública, foi até lá na na Fundação Nilo Coelho, e lá eu eu, de certa forma, critiquei o fato de não ter ninguém dos órgãos de segurança.
Não tinha, é, ninguém, nem nem Detran, nem Ampla, nem Polícia Rodoviária Federal. Na verdade, eles não estavam porque também não foram convidados, não foram provocados para ir. E eu não sei se foi Dr. Fabrício que me que falava lá dizendo que não adiantava aumentar os leitos, porque quanto mais leitos tivesse, mais iriam ser ocupados.
E realmente, isso passa por uma educação forte, a educação de trânsito forte em nossa cidade, no Brasil, o Brasil aumentou Eu vi os dados ontem, 35% de acidente de motos na categoria de fretista. As pessoas que levam pessoas, pessoas que levam mercadorias, deliveries, enfim, 35% aumentou, né, nesse último semestre.
E a tendência é isso, é piorar porque as pessoas estão inconsequentes. Flexibilizaram muito a questão da habilitação. Eu acredito que tem que ser já existe as leis, as pessoas conhecem a maioria das leis, mas precisa ter uma fiscalização muito ostensiva. Petrolina já passou da hora de ter hoje um núcleo de lei seca só aqui para a região, um núcleo de lei seca.
Porque eu tenho certeza que muitos dessas ligações, dessas dessas acidentes estão ligados a alcoolemia, não é? Então tem que ser uma discussão ampla, as pessoas tem que entender que estão destruindo as famílias porque semana passada mesmo mesmo muitos me ligaram, o cidadão já tava com um pé amputado por causa de um acidente, né? E pegou uma bactéria e teve que amputar a perna. Tá no trauma. Teve que amputar a perna, a família preocupada, foi um acidente de moto, né?
E aqui, você tem uma ideia, é, quase todos os dias, às 10 horas da noite, tem um grupo aqui na região Ribeirinha, ficam ali no roçado de 20, 30 motos fazendo aquele aquele grau, né? Eles parecem que estão treinando para alguma coisa. É muita moto. É o pessoal da região e o pessoal que vem na rua mesmo fazer esse tipo de prática. Vocês podem ver aqui 9:30, 10:00 da noite, 11:00 da noite tá ali.
20 a 30 pessoas em frente ao cemitério do Roçado ali fazendo essa prática aí, de direção perigosa. Então tem que ser um debate bem amplo, tem que envolver muito a família, porque as famílias estão sendo destruídas por conta desses acidentes, né? Tem aumentado cada vez mais esse tipo de sinistro.
Só ontem eu vi ontem saiu uma estatística que, é, é, 35%, aumentou 35% o número de acidentes, principalmente, ligar as pessoas que fazem frete. Quando eu entrei no Detran em 2007, nós temos 45.000 veículos. Desses aí, é, só tinha, se eu não me engano, 15.000 motos. Hoje a gente já passa de 200.000 veículos.
Então precisa realmente fazer um trabalho não só de enlarguecer as vias, que nós temos boas vias, mas mas de educação e principalmente uma fiscalização mais ostensiva. Um abraço, bom dia. OK. Muito obrigada, Betão, ex-coordenador aqui do Detran, ex-vereador de Petrolina, Dr. Fabrício.
agradecer, dar também um abraço para você e dizer que muito pertinente sua fala, eu acho que a gente precisa cada vez mais entender e ampliar essa discussão. Não é apenas o hospital, não é apenas os condutores, é falar ampliar de leis, organização, logística, urbanidade em relação a isso. Eu me permita dentro da sua fala, já falando sobre se troux sobre a questão das infecções, né? Então as sequelas.
E uma delas exatamente é o que a gente chama de osteomielite, que é a infecção nos ossos pós procedimentos. E acreditem, muitos desses pacientes depois com sequelas retornam ao hospital para dar início ao tratamento com antibiótico, Dr. Corélio. Sabe quantos dias muitas vezes esses pacientes ficam dentro do hospital? 150 dias, 160 dias. Somente, Carine, para tomar antibiótico venoso. Nossa. Então, é é é sobre isso que a gente tem que estar discutindo, sobre as sequelas.
Então, imagina você agora tá com a dizendo que vai passar metade de um ano dentro de um hospital para tomar no seu tratamento um antibiótico venoso. Então, imagine, porque a gente tá falando só de uma questão sequela física. Vamos falar agora sobre questões, pensar, né, refletir.
Questões sociais, emocionais, uma família que naturalmente vai estar comprometida, muitas das vezes, como eu falei, é que são homens, né, jovens, que são ativamente dentro do seu processo de financeiro, ou seja, tá trazendo a a a receita para casa e às vezes dependente apenas dessa receita.
Exato Então o cunho social que se gera, a gente aqui poderia expandir para várias vertentes, mas uma coisa é fato, como o Betão falou, a gente precisa cada vez mais ampliar essa discussão. Do ponto de vista do hospital, a gente só traz o número porque a gente entende que nós terminamos sendo esse semáforo final. Diz ó, uma superlotação, por que uma superlotação? Como eu falei, em dois dias nós conseguimos fazer a ocupação de 40% da nossa capacidade instalada em dois dias.
Mas além disso, a gente precisa discutir outras frentes, né? E a população natural, a nossa população, a nossa civilização, como foi colocado, Betão falou aí sobre também um dado importante sobre números de carros. Hoje o nosso número de motocicletas são maiores, o número é maior do que de de de de carro.
Então veja, a nossa cidade, nós sabemos disso, peprolina e nossa o nosso entorno, ela vem no crescimento exponencial, desenvolvimento, mas que carrega outras situações, se não tiver muito bem estruturada, vai se pagar um preço muito caro, então nós precisamos cada vez mais discutir e avançar nas nossas tecnologias, no nosso avanço. E diante desse cenário aí, como é que os profissionais lá do hospital universitário estão lidando aí, né, com a situação? Há necessidade também de reforço de equipe, de estrutura ou não?
Sim, sempre, sempre é como a gente falou, né, a a a nossa capacidade ela ela vai ficando limitada do ponto de vista tanto de estrutura, né, né, a gente não tem mais para onde expandir tamanho e naturalmente quando discutimos que esse hospital ele foi construído em um outro cenário em muitos anos atrás, a população aumentou e a gente começa e entende ser um fato.
Do ponto de vista de recurso humano, naturalmente ele vem sendo aumentado ao longo dos anos, então já se aumentou de forma significativa, mas ela gera também uma sobrecarga porque lidar com corredores lotados, quando a gente fala corredor, são pacientes que eram que não estão em leitos devidamente instalados, mas que esses pacientes que estão em corredores não lhe falta nenhuma atenção assistencial. No entanto, isso gera uma sobrecarga para a equipe.
Então, a equipe hoje toda vive lá sobre fila de espera, ou seja, tendo que atender prioridades das prioridades, gera uma sobrecarga emocional também, porque ninguém está acostumado a trabalhar no nível de alta intensão. Então, isso gera. Então, a gente busca sempre essas condições, dar, gerar as melhores condições, apesar de todas as diversidades, mas no final de tudo, né, o que nós temos como feedback, retorno dos nossos pacientes é sempre um nível de satisfação altíssima.
Porque apesar de todo todas essas dificuldades, ele sai com suas demandas resolvidas e saem encaminhados. Como é que estão hoje a questão das escalas, né? E principalmente a vazão no que diz respeito aos pacientes que demoram por cirurgia, né? É, a gente tem especialidades diversas que se interligam dentro de um trauma é, causado por um acidente, principalmente de moto, né?
Onde não há ali, é, nenhuma medida de retenção corporal da pessoa realmente vai pela inércia e choca contra a barreira, seja ela o chão, seja ela uma parede, enfim. Como é que tá hoje essa escala? Como é que tá esse fluxo? E dentro desse processo de superlotação, né? O que que ainda precisa ser feito no que diz respeito às cirurgias e o tempo de espera dessas pessoas em internamento e pós-operatório? Perfeito, Karina. Então, o que é que nós temos?
Hoje é o nosso grande desafio é dentro de um hospital de alta complexidade como você falou, tá ainda recebendo pacientes com perfil de menor complexidade. Que eles vão, naturalmente, disputar espaços, né?
Entendo eu disputar de uma forma salutar, ou seja, imagine que eu tenho pacientes com fraturas expostas, TCS, traumatismo cranio-encefálico, ou seja, lesões no no cérebro e que vão disputar com cirurgia de menor menor menor complexidade, como por exemplo, uma simples torção fratura pequena que não foi exposta e que naturalmente ele tenha o mesmo direito de ser atendido, naturalmente, não estamos questionando isso.
Mas ainda por uma fragilidade que nós temos dentro da nossa rede e não ter ainda estruturas que consigam ser barreiras, esses pacientes terminam chegando todos dentro do hospital. Então, isso faz com que a gestão, ela esteja toda hora buscando alternativa de dar maior celeridade no não no só no quantitativo, mas também no tempo de resposta. Eu queria que me permita compartilhar, então nós vemos ao longo dos anos, naturalmente, aumentando essa nossa produção cirúrgica. Então é é sempre todo mês nós temos destaques em relação à produção.
Mas um outro dado que a gente também acompanha, que eu acho que também vale a pena entender e compartilhar, que é um dado qualitativo de indicadores, era a gente compensou desde de março do ano passado, acompanhando o tempo de espera de um uma cirurgia. Um paciente que tá internado, tá? O paciente que tá hoje internado. Nós tínhamos uma média para ortopedia 5 dias. Ou seja, o paciente entrou, ele levava em torno de 5 dias para fazer uma cirurgia. Hoje, Carine, nós nosso tempo de espera está em torno de 2 dias. Certo?
Então, a maior parte dos nossos pacientes que chegam, isso eu tô fazendo das programadas. Porque naturalmente as emergências que são ditas como emergência, elas geralmente vai ser em menos de 1 dia vai ser resolvida. O grande problema são aqueles pacientes que são classificados não como urgentes e que naturalmente eles vão entrar numa fila de espera maior, mas mesmo assim nós saímos de 5 dias para 2 dias, hoje é o nosso tempo médio de espera para uma cirurgia na ortopedia. Rico alerta, né, gente?
Olha, deixa aqui o convite, que a gente está sempre batendo nessa tecla aqui que é muito importante, né, para buscar a educação de quem está aí fazendo o trânsito de petrolina, principalmente dos motociclistas aqui de nossa cidade. Tem muita gente mal educada aí no trânsito, desrespeitando a as leis e tudo isso ocasiona também um congestionamento na no Hospital Universitário aqui da nossa cidade e a gente vai estar sempre debatendo esses números, viu? Dr. Fabrício, muito obrigada.
Se tiver algo mais aqui a acrescentar e deixar como orientação também, pode ficar à vontade.
Não, só mais uma vez agradecer a a você, né, e a todos que fazem esse programa de alta audiência e de nos colocar à disposição como Hospital Universitário, não só para estar trazendo os números por números, mas principalmente gerando com isso uma debate, uma reflexão na nossa população para que a gente saia cada vez mais com ações que possam diminuir ou quem sabe parar com esse grande número que nós temos hoje relacionado a acidentes terrestres especialmente de motos. Então nos colocamos a disposição sempre.


