
Em entrevista durante sabatina no programa Nossa Voz, candidata ao Governo de Pernambuco criticou o financiamento dos partidos e disse que seu projeto político se diferencia de outros adversários de esquerda porque busca o protagonismo do povo nas decisões do governo, para além das eleições
A candidata ao Governo de Pernambuco, Camila Falcão (UP), afirmou que o processo eleitoral não é democrático e criticou o financiamento de partidos, que segundo ela, são favorecidos com amparo financeiro desproporcional. A declaração foi dada durante entrevista no programa Nossa Voz desta segunda-feira (24).
“A gente precisa entender também que o processo eleitoral não é democrático de verdade, é muito injusto. Por que é muito injusto? Porque nós não recebemos o mesmo amparo financeiro que esses partidos que estão no poder há muito tempo recebem. O nosso fundo eleitoral da unidade popular não chega a 1% é 0,07% para o Brasil todo. Isso significa disputar com uma máquina financeira na casa dos milhões”, afirmou a candidata.
Ainda segundo Camila Falcão, a disputa também seria desigual devido à restrição de espaço nos meios de comunicação tradicionais.
“E eu quero aqui, falando também dessa questão da desigualdade de participação, agradecer o espaço da sabatina, porque as grandes redes, as grandes TVs estão fazendo sabatina, estão fazendo debate. Por que nós, a unidade popular, não somos chamados? Nós não somos chamados porque a gente não vai ficar de conciliação. Nós vamos colocar a pauta do povo no centro, porque não há impedimento para nós sermos chamadas”, ressaltou.
A candidata mencionou sobre a manifestação de seu partido realizada em frente aos estúdios da Band, na noite deste domingo (23), como manifesto pela ausência da candidata à presidência Samara Martins que não foi convidada para o debate.
“Acabou de ter debate inclusive com a presidência e a Samara Martins não foi, mesmo pontuando. Então, é uma vitória nós estarmos pontuando 1%, porque nós estamos fazendo isso na luta do dia a dia. E quanto mais pessoas nos conhecerem, vão aderir ao nosso programa, porque nós somos um programa que pauta a vida das pessoas”, afirmou.
Busca por ‘mudança radical na estrutura’ como diferencial de campanha
Ao ser questionada sobre o diferencial de sua campanha, diante das candidaturas de outros postulantes da esquerda, como o adversário Ivan Moraes (PSOL/Rede) e de centro-esquerda, como o candidato a governador, João Campos (PSB), Camila Falcão disse que seu projeto propõe “mudanças radicais nas estruturas” de poder.
“Ser de esquerda não é ter só uma sigla, é ter um programa que aponte a mudança radical na estrutura. Nós somos um país e um estado rico, mas que coloca o dinheiro do nosso povo, em vez de resolver o problema da saúde, da educação, da moradia, do saneamento básico, coloca para os bancos, para aqueles que são ricos e isso gera uma profunda desigualdade social”, disse.
De acordo com a candidata, o partido se diferencia pelo trabalho voltado à uma governabilidade que protagonize a decisão popular para além do momento das eleições.
“Nós da Unidade Popular priorizamos que o povo decida, que o povo decida não só nas eleições, mas decida no dia a dia para onde vai o nosso dinheiro, para onde vai o investimento público, para pôr fim a essa desigualdade que a gente vive”, destacou.


