Osvaldo Coelho, 95 anos: um legado que pavimenta os caminhos da prosperidade

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Se estivesse vivo, Osvaldo Coelho completaria 95 anos neste 24 de agosto.

Há homens públicos cuja grandeza precisa ser constantemente lembrada. Depende de discursos, títulos, monumentos, sessões solenes e homenagens para permanecer visível. Com Osvaldo Coelho acontece algo diferente porque, independente de bustos e estátuas públicas, é muito mais difícil atravessar Petrolina e o Vale do São Francisco sem encontrar alguma consequência das causas às quais dedicou sua vida.

Seu legado não está restrito à memória. Está incorporado ao funcionamento da região.

Está no jovem do Sertão que entra numa universidade federal sem precisar deixar sua terra para buscar formação superior. A própria Universidade Federal do Vale do São Francisco reconhece Osvaldo Coelho como um de seus idealizadores e registra sua participação na longa mobilização pela criação da instituição.

Está também nas salas de aula e laboratórios da educação profissional. A trajetória de Osvaldo esteve diretamente ligada à implantação em Petrolina das escolas Técnica e Agrotécnica Federais, instituições que participaram do processo histórico que resultou na atual estrutura do Instituto Federal do Sertão Pernambucano.

Mas talvez seja olhando para o campo que se compreenda com maior nitidez a dimensão de sua determinação política.

Osvaldo Coelho percebeu cedo que a água do São Francisco não poderia continuar sendo apenas parte da geografia do Sertão. Precisava se transformar em instrumento de desenvolvimento. Sua defesa permanente da irrigação, especialmente dos grandes perímetros irrigados, ajudou a estruturar uma mudança econômica que alteraria profundamente Petrolina e todo o Vale.

Onde durante muito tempo o imaginário brasileiro enxergou apenas seca, limitação e dependência, nasceu uma agricultura tecnificada, produtiva, exportadora, geradora de emprego e renda.

Não por acaso, Osvaldo ficou conhecido como o “Deputado da Irrigação” e, em 2020, cinco anos depois de sua morte, foi oficialmente declarado pela Lei Estadual nº 17.086 Patrono dos Projetos de Irrigação do Estado de Pernambuco.

É importante compreender o significado disso para além da homenagem.

Irrigação, para Osvaldo, não era simplesmente levar água à terra. Era criar condições para que o sertanejo pudesse produzir riqueza onde durante décadas se acreditou que havia apenas escassez. Era substituir uma política fundada exclusivamente no enfrentamento das consequências da seca por outra capaz de construir desenvolvimento apesar dela.

Essa talvez tenha sido uma de suas características mais importantes: não se conformar com o destino que haviam escrito para o Sertão.

Sua atuação política começou ainda muito jovem, em meados da década de 1950. Foi deputado estadual por três legislaturas, secretário da Fazenda de Pernambuco e ocupou a Câmara dos Deputados em diferentes períodos ao longo de décadas, inclusive como parlamentar constituinte. Sua biografia oficial registra uma trajetória que atravessa diferentes momentos da história política brasileira.

Por isso, mais importante do que contar mandatos é observar a permanência das ideias.

Governos passam. Legislaturas terminam. Grupos políticos se reorganizam. Homenagens podem ser concedidas, esquecidas ou adiadas.

Uma universidade permanece formando gente.

Uma escola técnica permanece oferecendo profissão.

Um perímetro irrigado continua produzindo.

Uma fazenda emprega.

Uma manga colhida no Vale atravessa o oceano.

Uma família constrói renda onde gerações anteriores enxergavam poucas alternativas.

É nesse ponto que a dimensão de Osvaldo Coelho ultrapassa qualquer avaliação circunstancial da política.

Ele não precisa que cada governo reconheça sua grandeza para que ela exista. Também não depende de uma Casa Legislativa para ingressar na memória de Petrolina. Reconhecimento institucional é justo e desejável, mas há uma espécie de homenagem que decreto algum consegue produzir, aquela que acontece quando uma obra pública deixa de carregar o nome de quem lutou por ela e passa a fazer parte naturalmente da vida das pessoas.

Osvaldo alcançou esse lugar.

Sua visão também alcançava outra dimensão fundamental do desenvolvimento: a comunicação. Fundador do Sistema Grande Rio de Comunicação, ele ajudou a construir meios capazes de aproximar o Sertão de Pernambuco do restante do estado e do país, partindo da mesma compreensão de que uma região só se desenvolve plenamente quando produz, aprende, comunica-se e acredita em si própria.

Por isso, essa é a maneira mais justa de lembrá-lo aos 95 anos.

Não olhando apenas para trás, mas olhando ao redor.

Há muito de Osvaldo Coelho na Petrolina que trabalha, estuda, planta, pesquisa, exporta e cresce.

Ele pertence a uma geração de homens públicos que imaginou que o Sertão poderia deixar de pedir licença ao desenvolvimento e passar a produzi-lo.

E trabalhou para isso. Alguns políticos deixam lembranças, outros deixam obras.

Os mais raros deixam uma ideia de futuro tão poderosa que, décadas depois, milhares de pessoas passam a viver dentro dela sem sequer perceber.

Osvaldo Coelho pavimentou caminhos para a prosperidade do Vale do São Francisco. Aos 95 anos de seu nascimento, sua maior homenagem é constatar que muitos desses caminhos continuam sendo percorridos.

Por isso, sua ausência pertence ao calendário, seu legado, não.

Osvaldo Coelho permanece vivo naquilo que ajudou a tornar possível.