Abril Azul reforça importância do diagnóstico precoce e inclusão de pessoas com autismo em Petrolina

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O mês de abril, marcado pela campanha Abril Azul, tem como objetivo ampliar o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e reforçar a importância do diagnóstico precoce. Em Petrolina, o tema ganhou destaque durante entrevista com a neuropediatra Tatiana Alves no programa Nossa Voz.


Durante a conversa, a especialista destacou que o período deve ir além da conscientização básica e provocar uma mudança real na forma como a sociedade enxerga o autismo.


“Primeiro, conscientização traz o principal, que é a empatia. A gente se colocar no lugar do outro, no lugar dessas famílias que sofrem e dessas crianças que têm um comportamento diferente. Nesse sentido, entra não só a conscientização, mas principalmente uma luta pelos direitos dessas crianças, pelo acolhimento, para que elas sejam incluídas de fato nas escolas e nos ambientes sociais. Afinal de contas, elas têm todos os direitos que todo ser humano tem. E a gente precisa respeitar o princípio da equidade, que é possibilitar a quem tem dificuldades as condições necessárias para se igualar dentro da sociedade.”


A médica também chamou atenção para a necessidade de políticas públicas voltadas ao público com TEA, diante do aumento nos diagnósticos e da falta de estrutura nos serviços de saúde e educação.


“A gente precisa validar a luta dessas famílias e principalmente as necessidades de políticas públicas direcionadas para esse público, que só tende a crescer. Os diagnósticos têm sido cada vez mais frequentes, mas infelizmente a saúde não está preparada, a educação não está preparada para receber esse número de crianças que precisam de terapias e acompanhamento especializado. É uma luta constante.”


Outro ponto abordado foi o preconceito e a desinformação ainda presentes na sociedade, que dificultam tanto o diagnóstico quanto a aceitação por parte das famílias.


“Existe ainda muita desinformação, preconceito e simplificação. A gente escuta coisas como ‘é falta de limites’, ‘é falta de educação’. Depois que a família consegue o diagnóstico, ainda precisa lidar com pessoas que negam, dizendo que ‘não parece autista’. Como se autismo tivesse cara. Muitas famílias, por medo e preconceito, evitam buscar ajuda, e isso atrasa ainda mais o diagnóstico. Muitas mães acabam enfrentando essa busca praticamente sozinhas.”


A neuropediatra explicou ainda que a observação dos primeiros sinais é fundamental para um diagnóstico precoce, principalmente nos primeiros anos de vida da criança.


“Para perceber sinais de alerta, é preciso conhecer o desenvolvimento típico. Um bebê de três meses que não sustenta o pescoço, não fixa o olhar ou não apresenta sorriso social já merece atenção. Aos seis meses, esperamos vocalizações, como sons repetitivos. Quando isso não acontece ou há regressão, é um sinal importante. Além disso, comportamentos como não apontar, não buscar interação ou evitar contato visual também indicam alerta.”


Segundo a especialista, o ambiente escolar também desempenha papel essencial na identificação de possíveis sinais de autismo, especialmente em crianças que não têm irmãos como referência de desenvolvimento.


“A escola é um marcador muito importante. Professores experientes conseguem perceber quando a criança se isola, não interage ou apresenta comportamentos repetitivos, como enfileirar objetos ou girar rodas de carrinho. Essas atitudes são sinais de alerta. Por isso, é fundamental que os profissionais da educação estejam preparados para identificar e orientar as famílias, embora muitas vezes exista dificuldade em abordar o tema com os pais.”


A entrevista reforça que o Abril Azul é também um momento de mobilização social para garantir mais informação, respeito e inclusão às pessoas com autismo e suas famílias.