Análise: novela da chapa majoritária de Raquel Lyra vira série e segunda temporada já começou

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O radialista e apresentador do Painel 100,7, Daniel Campos, em participação no programa Nossa Voz desta segunda (3). Crédito: Reprodução/YouTube Grande Rio FM

De acordo com Daniel Campos, as convenções partidárias deste fim de semana não apresentaram um desfecho para a trama entre Miguel Coelho, Eduardo da Fonte e Raquel Lyra, mas transformaram o embate político em uma história de disputa entre o Sertão e o Litoral no âmbito de uma Federação desunida

O fim de semana de convenções no Recife ampliou as discussões em torno da chapa majoritária da base governista quando se pensou, ao contrário, que haveria um desfecho para a trama entre Raquel Lyra (PSD), Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (UB). O declínio do ex-prefeito de Petrolina na disputa ao Senado e o triunfo de Eduardo da Fonte, na análise realizada pelo radialista e historiador, Daniel Campos*, no programa Nossa Voz desta segunda-feira (3), transformou a novela em série e segunda temporada, segundo ele, já começou.

“Eu também pensei, no começo, que seria só uma novela, com fim único. Mas, depois das convenções do fim de semana, a gente está vendo que não. Vai ser é uma série e já começou a segunda temporada que é a temporada das especulações, da rearrumação, das declarações e de que caminho vão seguir”, afirmou Campos.

Ainda de acordo com o radialista, a nova temporada será sobre os resultados da escolha de Raquel nas urnas. Para ele, a governadora teria ficado entre dois caminhos: o do litoral, com Eduardo da Fonte, e o do Sertão, com Miguel Coelho.

“A governadora tinha dois caminhos a seguir. Um era o apoio de Eduardo da Fonte que representa para ela mais tempo na propaganda eleitoral, nos programas eleitorais e ele tem a densidade eleitoral dele lá na região metropolitana, onde a governadora já atua. Já tá muito bem posicionada, inclusive com muitos apoios de prefeitos daquela região. O outro lado, Miguel Coelho, representava para ela um caminhão de votos aqui do Sertão”, disse.

Nesse sentido, na análise de Campos, aí está o mote para o início da segunda temporada: a insatisfação do grupo político de Miguel e o possível revés para a governadora Raquel Lyra no Sertão do estado.

“O time de Miguel também ficou insatisfeito, basta ver as manifestações nas redes sociais, inclusive, para citar uma que tem representatividade, Maria Helena Alencar, lamentando em texto que o Sertão, mais uma vez, ficou esquecido e o litoral mantém a hegemonia nas escolhas, nas decisões de candidaturas e de lideranças partidárias. Essa é a segunda temporada que já começou”, destacou.

A questão que fica, nesta análise de Campos, é sobre o que teria sido melhor para a governadora e seu projeto de reeleição: a definição pela Federação União Progressista ou ela ter brigado com a União Progressista e ter escolhido Miguel.

De acordo com Daniel Campos, o resultado, só em outubro.

“É uma resposta que a gente só vai ter no final da eleição. Vamos ver como vai ser a votação dela aqui, porque mesmo o Miguel declarando o apoio, ele não chamou a turma dele, o time que ele lidera para dizer: “Vamos estar firmes e fortes com a governadora, porque senão estariam todos lá no palanque”. E aí a ausência anotada por toda a imprensa que cobriu. As especulações são essas que vocês já colocaram aí”, disse Campos em referência à ausência de Miguel Coelho e seu grupo político na convenção da governadora neste domingo.

O silêncio de Dueire

Daniel Campos também destacou sobre a ausência do senador Fernando Dueire (PSD) do palanque da governadora ontem e analisou que ele também teria saído insatisfeito da disputa da qual ele nem chegou a ser incluído por Raquel.

“Fernando Dueire esteve aqui no programa Painel e concedeu uma entrevista a mim e a Marcos e na época não havia ainda a definição de Raquel por Túlio. Então, ele acreditava piamente naquele momento da pré-campanha de que seria indicado naturalmente por já ser senador, pela governadora. Teve a surpresa da indicação de Túlio e teve a certeza de que o outro candidato sairia da Federação nessa coligação com a governadora. Aí ele esteve ausente. Ele não deu nenhuma declaração justificando a ausência, a gente entende daqui que é insatisfação”, avaliou.

Aposta em Túlio Gadêlha

Sobre Túlio Gadêlha (PSD) que, desde o início da formação da base da governadora teve vaga garantida na corrida ao Senado, Daniel Campos disse que vê como uma aposta alta feita por Raquel Lyra. O resultado, em termos de votos de eleitores da esquerda para sua reeleição, conforme Campos, só se saberá em outubro.

“Uma outra resposta que também só vamos saber no final da eleição, é se essa aposta em Túlio representou realmente votos de Lula, que é muito bem consolidado pelo menos na dianteira das pesquisas aqui em Pernambuco e que fez Raquel ficar com medo de perder essa simpatia desse eleitorado. Só vamos saber também depois da eleição”, disse.

Eduardo da Fonte no mesmo cenário que Miguel Coelho

Outro aspecto da análise é que Eduardo da Fonte se encontra hoje na mesma posição de estabilidade que Miguel estava quando se falava sobre a possibilidade de Raquel escolher por ele, mas a federação não validou. O estatuto da Federação União Progressista determina que quando as convenções do PP e do União Brasil tomam decisões divergentes, cabe à executiva nacional resolver a questão, exatamente o que era dito quando Miguel estava nessa instabilidade da falta de apoio do PP.

“Essa questão de Federação, a Justiça Eleitoral quando permitiu a união dos partidos determinou o seguinte: a decisão é da federação e ninguém pode correr pela raia de fora, porque senão a federação será punida, não serão válidas as decisões. Mas a lei é interpretação. Tem advogado que consegue pegar uma lei, ler diferente, apresentar os argumentos diferentes e convencer o juiz. Então, a gente vai ficar ainda nesse embate jurídico. De repente, o pau que bateu em Francisco vai bater também em Chico. As decisões ou tudo que remou contra Miguel agora pode se virar contra o próprio Dudu da Fonte”, analisou Campos.

Mendonça Filho como outra opção ao Senado

Outro fator que pode pesar nesta disputa, ainda de acordo com Daniel Campos, é a possibilidade da entrada do deputado federal Mendonça Filho na corrida ao Senado pelo PL, partido que já demonstrou apoio à Raquel nessa eleição. Movimentação gera forte pressão e disputa por espaço na base governista em Pernambuco, rivalizando diretamente com Eduardo da Fonte pela vaga ao Senado na chapa majoritária.

“A incógnita continua, as pesquisas estão apontando um empate técnico, não numérico, mas técnico, ainda uma leve dianteira de Raquel. A eleição tem 60 dias pela frente. Tudo pode acontecer, muita coisa pode acontecer, inclusive, a chegada de Mendonça Filho como uma outra opção ao Senado”, ressaltou.

Sem desfecho, a conclusão é de que novos episódios virão até esta quarta-feira (5), quando se encerra o prazo para a realização das convenções partidárias.

“A gente achava que a novela ia realmente terminar com as convenções e não terminou. Vem esse segundo episódio, essa segunda temporada e aí tudo pode acontecer”, concluiu Daniel Campos.

*Daniel Campos é radialista, com formação em História pela Universidade de Pernambuco (UPE). Ele é apresentador do programa Painel 100,7, na Grande Rio FM