Apoio de deputado do PL a Jerônimo Rodrigues provoca reação e expõe racha na oposição da Bahia

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João Bacelar declarou apoio à reeleição do governador e foi criticado publicamente por Leandro de Jesus, que defendeu punição dentro do partido. Direção nacional do PL disse que irá consultar código de ética do partido

A aproximação entre setores da oposição e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ganhou um novo capítulo na noite deste sábado (23). O deputado federal João Carlos Bacelar (PL) subiu ao palanque do governador em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, e declarou apoio à reeleição do petista nas eleições de outubro.

Durante o evento, Bacelar fez elogios ao governador e afirmou:

“Um dos melhores governadores da Bahia. O homem do social, o homem da infraestrutura. Tamo junto, governador”.

A manifestação provocou reação imediata dentro do próprio Partido Liberal. O deputado estadual e candidato a deputado federal Leandro de Jesus (PL) criticou publicamente a decisão do colega de legenda e classificou o episódio como um “caso claro de infidelidade”.

Segundo Leandro, durante a pré-campanha, a direção nacional do PL teria encaminhado uma circular aos diretórios estaduais proibindo filiados de apoiar partidos e candidaturas de esquerda. De acordo com o parlamentar, o documento é assinado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e prevê medidas disciplinares para quem descumprir a orientação.

“É um caso claro de infidelidade partidária. Uma traição aos princípios e ao direcionamento do partido, mas também não vejo como novidade”, afirmou Leandro.

O deputado também disse que Bacelar já apresentava, há anos, posicionamentos que, segundo ele, não estariam alinhados às diretrizes do PL. Leandro citou como exemplo o fato de o colega ter votado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A pergunta que fica é: por qual motivo ele não saiu do partido quando tivemos a janela partidária?”, questionou.

Leandro de Jesus foi além e defendeu que o deputado federal seja responsabilizado internamente pela legenda.

“O citado parlamentar quer o quê no PL? Aproveitar a onda bolsonarista para se eleger? Traidores precisam ser expostos e punidos no partido. Que ele procure um partido alinhado ao petismo e siga a sua vida”, declarou.

Conduta pode render expulsão do partido ao deputado

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, se manifestou sobre a conduta do parlamentar durante entrevista a uma emissora de rádio baiana.

Costa Neto afirmou que há uma regra na legenda para que filiados não apoiem candidatos de esquerda. O dirigente pontuou que, até o momento, não há uma definição sobre qual será a punição do baiano diante do episódio.

“Tem que estudar isso aí para ver o que o João vai falar. Nós temos que ouvir o Jonga porque a saída é se retratar, não tem outro jeito e precisa ver se o Conselho de Ética aceita [a retratação]. Nós temos uma norma específica para que o nosso pessoal não pode apoiar candidato de esquerda, então vamos aguardar qual vai ser o comportamento do João Carlos Bacelar”, disse Valdemar.

“Tiveram vários deputados que escreveram para o partido e não aceitam isso. O nosso candidato [na Bahia] é o ACM e ele declarou apoio para o outro candidato. Isso aí prevê expulsão do partido. É o Conselho de Ética que vai dizer se expulsa ou não expulsa, se corta o fundo partidário dele. Não posso responder antes do Conselho de Ética”, acrescentou.