Após apagão em municípios do sertão, Rachel Lyra diz que vai à Brasília tratar sobre problema nesta segunda (18)

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Operação de religamento da Subestação Brígida, com presença de forças de segurança em Orocó (PE). Foto: Blog Didi Galvão

Orocó, Santa Maria da Boa Vista e Parnamirim ficaram mais de 24h sem energia elétrica, após desligamento emergencial das subestações Brígida, Maria da Boa Vista e Caraíbas II

Os moradores dos municípios de Orocó, Santa Maria da Boa Vista e Parnamirim, no sertão de Pernambuco, ficaram mais de 24h sem energia elétrica, após a Neoenergia Pernambuco realizar o desligamento emergencial das Subestações Brígida, Maria da Boa Vista e Caraíbas II.

Segundo nota enviada à imprensa pela concessionária, foi necessário ampliar na manhã da quinta-feira (14) o desligamento emergencial da Subestação Brígida, devido ao impedimento de acesso das equipes para realização de manutenções preventivas e corretivas.

Ainda conforme a Neoenergia Pernambuco, o impedimento estaria relacionado ao protesto de agricultores do Projeto Público de Irrigação Brígida, contra interrupção de fornecimento de energia na região. O protesto chegou ao terceiro dia consecutivo neste sábado (16). Os manifestantes interditaram os dois sentidos da BR-428. Protestos semelhantes foram realizados na quinta (14) e na sexta-feira (15).

O restabelecimento da energia nos municípios foi realizado no final da tarde do sábado. A concessionária disse que a medida só foi possível em razão do apoio das forças de segurança pública. Segundo a Neoenergia, a subestação Brígida, em Orocó, estava sequestrada, “com terceiros impedido a entrada dos profissionais da distribuidora”.

Governadora anunciou reunião em Brasília sobre o problema

Em vídeo publicado em suas redes sociais neste sábado, a governadora Raquel Lyra (PSD) declarou estar indignada com a situação. “Hoje o ministro Waldez [Integração e Desenvolvimento Regional], em telefonema comigo, garantiu a retomada da conexão de energia para todos que foram afetados. Falei com os prefeitos. No dia de hoje, energia sendo retomada”, diz.

No mesmo vídeo, a governadora também declara que tratará do tema em Brasília nesta segunda-feira (18).

Gestores relataram transtornos

Em nota na sexta-feira (15), o prefeito de Orocó, Ismael Lira, declarou que a situação do apagão no município é consequência de políticas públicas mal feitas e mal executadas. “Tenho acompanhado de perto e gerenciado toda a crise que se instalou por conta desse impasse entre o Governo Federal e a Neoenergia”. Na nota, ele afirmava que haveria desligamento total de energia na cidade de Orocó a partir das 11h.

Também na sexta-feira, o prefeito de Santa Maria da Boa Vista, George Duarte (PP), gravou um vídeo com uma vela na mão em uma rua escura. “Parece mentira, parece um filme de fantasia, mas a Neoenergia simplesmente desligou a subestação do Projeto Brígida, onde lá manda energia para toda a Santa Maria, Orocó e Parnamirim. Estamos com nosso município à luz de velas, cidade e zona rural”, descreve o prefeito.

Duarte continua: “E a Neoenergia tem a cara de pau de dizer que não religou porque a subestação está invadida, procurando desculpa, infelizmente”.

O prefeito disse que o hospital da cidade estava operando com gerador e que havia um temor de perder medicamentos e vacinas.

O gestor pediu para a população registrar eventuais prejuízos para a prefeitura entrar com uma ação contra o que chama de “irresponsabilidade da Neoenergia”. “Não só está faltando luz, mas faltando água também porque todos os reservatórios já acabaram. Parece filme de terror mas é pura realidade”, disse o prefeito no vídeo.

Em nova publicação nesta manhã, o prefeito de Santa Maria da Boa Vista diz que foi informado pela Neoenergia que a situação será normalizada neste sábado. “É inadmissível em 2026 uma situação dessa”.

Ao Blog do Didi Galvão, um dos manifestantes que interditou a rodovia na sexta-feira afirmou que a situação dos agricultores era “crítica”. “Fomos surpreendidos com o corte de energia, que não é o primeiro, e ontem foi mais grave porque afetou o fornecimento humano. Estamos tentando reivindicar que o Governo Federal veja a nossa situação”.

Projeto Brígida

O Projeto Público de Irrigação Brígida integra empreendimento promovido pela então Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), atual Axia Energia, para reassentamento das populações rurais afetadas pelo reservatório de Itaparica.

Procurada, a Axia Energia declarou que mantém sua atuação e compromissos relacionados aos processos sob sua responsabilidade no Sistema Itaparica. “A empresa não tem governança sobre a regularização de débitos de energia elétrica desses projetos irrigados”.

As demandas dos agricultores do Sistema Itaparica são objeto de análise em Câmara de Mediação e de Conciliação da Advocacia-Geral da União (AGU). O tema também é tratado no âmbito da Secretaria Nacional de Energia Elétrica, do Ministério de Minas e Energia (MME), com atuação mediadora da Secretaria-Geral da Presidência da República.

O MME ainda não se pronunciou sobre o caso.