Após fala de Dhiego Serra sobre “narcoestado”, Gilmar diz que bolsonarista transforma tribuna em “fossa” na Câmara de Petrolina

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A sessão da Câmara de Vereadores de Petrolina, realizada nesta quinta-feira (23), terminou marcada por um duro bate-boca entre os vereadores Dhiego Serra (PL) e Gilmar Santos (PT). Mesmo com a aprovação das matérias da ordem do dia, o que dominou o plenário foram os discursos carregados de acusações, interrupções e ofensas entre os dois parlamentares.

O embate começou quando Dhiego Serra usou a tribuna para cobrar ações em áreas como esgotamento sanitário, macrodrenagem, pavimentação e situação das UBSs, mas ampliou o discurso para o cenário nacional, com ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à esquerda.

Em um dos trechos mais duros, o vereador afirmou que “esse país é um narcoestado. Nós estamos sendo comandados por uma quadrilha, uma quadrilha organizada do crime organizado.”

Dhiego Serra também citou operações policiais e relacionou investigações recentes a apoiadores do presidente Lula. Ao mencionar nomes como Rafael Souza, apontado como dono da página Choquei, além dos cantores MC Ryan e MC Poze, o vereador foi direto ao ponto. “Os três fizeram o L. Os três votaram em Lula. Os três fazem campanha para Lula e conscientemente presos pela Polícia Federal, envolvidos aí ligados ao crime organizado.”

Serra ainda cobrou um posicionamento dos apoiadores de Lula na Câmara Municipal. “Eu não vejo os vereadores daqui que são apaixonados por esse desgovernado falarem nada, nada sobre esses crimes, porque não estão chocados.”

E ao finalizar, cobrou que integrantes de pessoas associadas ao tráfico de drogas fossem classificadas como terroristas. “Não enquadram na lei antiterrorismo essas facções, porque para o atual mandatário do país são vítimas da sociedade.”

A resposta veio logo depois, com Gilmar Santos, que usou praticamente toda a sua fala para rebater Dhiego Serra. O petista subiu à tribuna já em tom de enfrentamento e fez um dos ataques mais pesados da sessão. “A gente vai ter que chamar aqui o ‘Rei da Merda’ (limpa fossa) quando o bolsonarista vem aqui e transforma essa tribuna em uma fossa para despejar tanta indignidade, tanto ataque à nossa população.”

Gilmar também acusou o colega de mentir e manipular a opinião pública. “Uma das piores coisas que se tem é quando a nossa população deposita confiança em parlamentares através do voto e esses parlamentares vêm aqui mentir, manipular a população e, por sinal, votar contra a população.”

O vereador do PT também reagiu às críticas feitas ao presidente Lula e disse que os parlamentares bolsonaristas deveriam ter mais cuidado antes de atacar o governo federal. “Quando o vereador bolsonarista ou os vereadores vêm aqui atacar a dignidade do governo do presidente Lula, os senhores deveriam primeiro lavar bastante o mínimo de sensatez que vocês deveriam ter.”

O clima esquentou ainda mais quando Gilmar citou declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a Polícia Federal e passou a confrontar verbalmente o colega, em meio a interrupções no plenário. “Os senhores devem lembrar que durante o governo Bolsonaro, o próprio Bolsonaro disse que não queria Polícia Federal para prejudicar a sua família e seus filhos. Digam que é esse vereador que está inventando.”

Na sequência, após ser interrompido, reagiu diretamente.“O seu tempo de falar merda aqui já se foi. A gente está aqui para defender a dignidade do povo e a democracia. (…) Mas quem apoia vagabundo e usa o dinheiro do povo para vir mentir e defender crime organizado só pode estar comungando e tendo identidade com vagabundo e com irresponsáveis.”

Em outro trecho, Gilmar Santos voltou a associar o bolsonarismo a práticas criminosas e concluiu “O presidente, ex-presidente de vocês, é um presidiário porque liderou uma organização criminosa e, por sinal, uma organização que destruiu a Praça dos Três Poderes. Se isso não for ato de terrorismo, isso é o quê?”

As falas provocaram sucessivas interrupções e pedidos de respeito no plenário, obrigando o presidente da Casa em exercício, Gabriel Menezes, a intervir para tentar restabelecer a ordem. Ao final deste episódio, Menezes encerrou a sessão.