Ausências de Humberto Costa e Carlos Veras no lançamento da chapa de João Campos expõem cautela do PT em Pernambuco

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O lançamento da pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco, realizado na sexta-feira, 20 de março, no Recife, foi desenhado para transmitir imagem de chapa montada e palanque amplo. No palco, João confirmou o economista Carlos Costa como pré-candidato a vice e apresentou Marília Arraes, recém-filiada ao PDT, como nome ao Senado. Mas, nos bastidores, o que mais chamou atenção não foi apenas quem estava lá, mas sim de quem não apareceu: o senador Humberto Costa e o presidente estadual do PT, Carlos Veras.

A ausência de Humberto teve peso político imediato porque o nome do senador vinha sendo tratado como favorito para ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa da Frente Popular. O problema é que, embora o desenho da composição já estivesse em circulação, o PT ainda não havia fechado internamente sua posição. Em entrevistas concedidas antes e no próprio dia do evento, Humberto reforçou que o partido só discutiria formalmente o assunto em 28 de março, em instância estadual e que a prioridade do PT segue sendo sua reeleição ao Senado e não uma adesão automática ao arranjo apresentado por João Campos.

A justificativa pública de Humberto para não ir ao lançamento foi a agenda que cumpria no Sertão, passando por municípios do Pajeú e do Sertão Central. Ainda assim, a ausência foi lida politicamente porque coincidiu com o momento em que João tentava consolidar a narrativa de que seu palanque já seria, desde já, o palanque de Lula em Pernambuco. Sem Humberto no ato, essa imagem ficou incompleta e abriu espaço para a interpretação de que o PT, apesar da tendência de entendimento com o PSB, ainda não se sente confortável para entregar de bandeja a fotografia da aliança.

Se a falta de Humberto já causou comentários, a de Carlos Veras foi ainda mais eloquente do ponto de vista partidário. Presidente estadual do PT, ele afirmou antes do ato que o partido não participaria do lançamento porque ainda segue seu próprio calendário de deliberação sobre alianças estaduais. Em outras palavras: João podia lançar sua pré-candidatura, mas não poderia falar pelo PT antes que o PT falasse por si.

O pano de fundo dessa cautela é mais amplo. Dentro do PT pernambucano, existem correntes e lideranças que defendem a aliança com João Campos, mas também há setores que resistem ao fechamento antecipado e preferem manter margem de negociação. A própria senadora Teresa Leitão, presente no evento realizado por Campos na última sexta, deixou claro que a prioridade explicitada por Lula é a reeleição de Humberto Costa e que a composição final ainda depende da decisão partidária. Ou seja: o lançamento de João avançou politicamente, mas não encerrou a equação petista.