O debate sobre o valor econômico e ecológico da Caatinga ganhou registro oficial na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O deputado estadual Jarbas Filho apresentou o Requerimento nº 5258/2026, solicitando a transcrição, nos Anais da Alepe, do artigo “O ponto cego do desenvolvimento: a invisibilidade do capital natural da Caatinga”, de autoria do engenheiro agrônomo Zacarias Ribeiro Filho, que é mestre em Dinâmica de Desenvolvimento do Semiárido e possui MBA em ESG (Environmental, Social and Governance). O texto foi publicado originalmente no Blog Nossa Voz, em 4 de junho de 2026, e a proposta de transcrição foi discutida e aprovada em reunião plenária no dia 16 de junho de 2026.
No artigo, Zacarias Ribeiro Filho chama atenção para a urgência de rever a forma como riqueza e progresso são medidos no Brasil, especialmente no caso do Semiárido. Com base em sua formação técnica e acadêmica, o autor sustenta que indicadores tradicionais, como o PIB e o IDH, falham ao ignorar o valor dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos que sustentam a economia e a vida.
A análise parte de uma crítica central: biomas estratégicos, como a Caatinga, seguem “invisíveis” para investidores e para políticas públicas por falta de indicadores capazes de traduzir, de forma objetiva, seu valor econômico.
Único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga reúne alta biodiversidade, com mais de 4.900 espécies de plantas, além de notável resiliência a eventos climáticos extremos.
O artigo destaca ainda que a preservação do bioma gera serviços ecossistêmicos essenciais, como captura de carbono, proteção do solo, regulação do clima local e recarga de aquíferos. Apesar disso, o modelo atual de medição da economia cria uma distorção: enquanto o desmatamento aparece como resultado positivo nas estatísticas do PIB, a conservação ambiental permanece invisível.
Para o autor, o Semiárido brasileiro possui um patrimônio natural capaz de abrir novas oportunidades de desenvolvimento por meio da bioeconomia, restauração ecológica e créditos de carbono. A proposta defendida no texto é a criação de novos indicadores, numa visão que ele chama de “Semiárido 4.0”, capazes de integrar fatores ambientais, sociais e humanos e reconhecer a Caatinga como patrimônio estratégico para o futuro do país.
Ao solicitar a transcrição do artigo nos Anais da Assembleia, o deputado estadual, Jarbas Filho, reforça a importância de incluir o debate ambiental e econômico do Semiárido no centro da agenda legislativa pernambucana. A medida tem peso simbólico e prático: além de preservar oficialmente o conteúdo como parte da memória parlamentar do Estado, também confere reconhecimento institucional ao tema e amplia sua utilização como subsídio para futuras políticas públicas.
A inclusão do artigo nos registros oficiais da Alepe fortalece a discussão sobre o papel da Caatinga no desenvolvimento de Pernambuco e se alinha ao discurso de interiorização das oportunidades econômicas e de valorização do Sertão. Mais do que um gesto formal, a iniciativa ajuda a projetar o capital natural do Semiárido como ativo estratégico, em um momento em que cresce a pressão por modelos de desenvolvimento mais sustentáveis e conectados à realidade climática do Nordeste.



