
Pneumopediatra, a Dra. Ana Carolina, explicou ao Nossa Voz sobre os sinais de gravidade da doença, destacou a importância da higiene e alertou para riscos em bebês menores de seis meses
O aumento dos casos de doenças respiratórias em crianças tem provocado superlotação em hospitais e preocupado famílias em Petrolina e região. Durante participação no quadro de saúde do programa Nossa Voz, desta segunda-feira (08), a pneumopediatra, Dra. Ana Carolina, esclareceu dúvidas sobre a bronquiolite, doença que afeta, principalmente, bebês e crianças pequenas e que costuma registrar maior incidência nesta época do ano.
Segundo a especialista, a bronquiolite, geralmente, começa com sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, como coriza e tosse leve, mas pode evoluir para um quadro mais grave ao atingir as vias respiratórias inferiores. “A bronquiolite é o acometimento das vias aéreas menores. Como os bebês possuem essas estruturas mais estreitas, o acúmulo de secreção dificulta a respiração e pode causar grande desconforto”, explicou.
A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias. De acordo com a médica, adultos e crianças com sintomas leves podem transmitir o vírus aos bebês sem perceber a gravidade do risco. O principal agente causador da doença é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por grande parte dos casos registrados durante os meses de maior circulação viral.
Sinais de alerta
A pneumopediatra destacou que os primeiros dias da doença costumam ser semelhantes a uma gripe comum, mas a piora clínica geralmente ocorre por volta do quinto dia. Entre os sinais que exigem avaliação médica imediata estão:
Respiração acelerada;
Afundamento das costelas durante a respiração;
Afundamento da região próxima ao pescoço;
Batimento das asas do nariz;
Gemência ao respirar;
Recusa alimentar;
Sonolência excessiva;
Lábios ou boca arroxeados.
“Quando a criança começa a apresentar esforço respiratório importante, é fundamental procurar atendimento médico. Em alguns casos, pode ser necessário suporte ventilatório e até internação em UTI”, alertou.
Bebês menores são os mais vulneráveis
A médica ressaltou que o risco de complicações é maior nos primeiros meses de vida, especialmente, em bebês com menos de seis meses e em prematuros, que possuem os pulmões ainda em desenvolvimento. Embora a bronquiolite possa atingir crianças de até dois anos, os quadros mais graves costumam ocorrer entre os mais novos.
Cuidados para prevenir a doença
Entre as principais orientações para reduzir o risco de contaminação estão evitar visitas a recém-nascidos, reforçar a higiene das mãos e utilizar máscara ao apresentar sintomas respiratórios. A especialista também recomendou atenção especial aos irmãos mais velhos que frequentam escolas e podem levar vírus para dentro de casa.
“Quando a criança maior chega da escola, uma medida simples como a lavagem nasal pode ajudar a reduzir a carga viral e diminuir o risco de transmissão para o bebê”, explicou.
Fumaça e tabagismo podem agravar o quadro
Durante a entrevista, um ouvinte questionou os impactos da fumaça das queimadas sobre a saúde das crianças. Ana Carolina confirmou que fatores ambientais podem agravar problemas respiratórios e aumentar os riscos para crianças predispostas. Além das queimadas, ela alertou para os prejuízos causados pelo tabagismo dentro de casa. “O tabagismo domiciliar provoca lesões nas vias respiratórias da criança e favorece quadros mais graves”, afirmou.
Automedicação deve ser evitada
A pneumopediatra também fez um alerta contra o uso indiscriminado de medicamentos. Segundo ela, xaropes e corticoides não são indicados para o tratamento da bronquiolite, na maioria dos casos. “É muito comum os pais repetirem medicamentos usados em episódios anteriores, mas isso não deve acontecer sem orientação médica. A bronquiolite é uma doença viral e exige avaliação individualizada”, destacou. A recomendação é que pais e responsáveis procurem atendimento médico diante dos primeiros sinais de agravamento e evitem tratamentos caseiros ou automedicação, especialmente em crianças menores de dois anos.


