Campanha da Fraternidade 2026 é lançada nesta Quarta-feira de Cinzas e propõe reflexão sobre moradia digna

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza nesta quarta-feira (18), em Brasília, a cerimônia oficial de abertura da Campanha da Fraternidade 2026. A mobilização tem início junto com a Quaresma e, neste ano, traz como tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós”.

A proposta é despertar a consciência da sociedade para o direito à moradia digna como expressão concreta da fé cristã. De acordo com dados apresentados pela Igreja, mais de 6,2 milhões de famílias no Brasil não têm acesso à moradia adequada e mais de 328 mil pessoas vivem em situação de rua.

Em entrevista ao programa Nossa Voz, o padre Lucas falou sobre a importância da campanha e como ela será trabalhada na Diocese de Petrolina.

“A Igreja olha para as feridas do nosso tempo”, diz padre

Segundo o sacerdote, a Campanha da Fraternidade é realizada há mais de seis décadas e sempre traz à tona temas ligados às necessidades mais urgentes da população.

“Há mais de 60 anos, durante o tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil propõe a Campanha da Fraternidade com temas voltados para as necessidades mais urgentes das pessoas, sobretudo dos mais vulneráveis. A Igreja se compadece de todos como irmãos e irmãs e nos chama, neste tempo de conversão, a olhar para realidades concretas que ferem a dignidade humana. Neste ano, somos convidados a refletir sobre a moradia como direito fundamental e como expressão da própria fé cristã.”

Ele reforça que o tema dialoga diretamente com a realidade social do país.

“Quando olhamos para os números apresentados, percebemos que não se trata de algo distante. São milhões de famílias sem moradia adequada e centenas de milhares de pessoas vivendo nas ruas. Isso exige de nós uma consciência mais desperta. A fé não pode estar dissociada da realidade social. Meditar sobre moradia é também assumir um compromisso com transformação.”

Programação na Diocese de Petrolina

Na Diocese de Petrolina, a abertura será realizada na Catedral, às 9h, presidida pelo bispo Dom Antônio. As paróquias também terão celebrações ao longo do dia.

Na Paróquia São Paulo Apóstolo, no bairro Areia Branca, por exemplo, as missas estão marcadas para 9h, 17h e 19h30.

De acordo com o padre Lucas, a mobilização acontece em todas as comunidades.

“Todas as paróquias da diocese organizaram suas programações para este início de Quaresma. É um momento muito forte da vida cristã. A abertura da campanha não é apenas um evento simbólico, mas um convite concreto para que cada fiel assuma sua responsabilidade enquanto membro vivo da Igreja, refletindo e agindo diante das realidades que nos cercam.”

Como contribuir na prática

A contribuição dos fiéis também faz parte da campanha. No Domingo de Ramos, a Igreja realiza a tradicional Coleta da Solidariedade.

“No Domingo de Ramos acontece a Campanha da Solidariedade. Do valor arrecadado, 60% permanece na própria diocese para ser aplicado em iniciativas locais que atendam necessidades concretas. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, que apoia projetos em diferentes regiões do país. É uma forma prática de transformar reflexão em ação.”

Quaresma: tempo de conversão

Além da campanha, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, período de preparação para a Páscoa. O padre destaca que o tempo é marcado por três pilares: oração, jejum e caridade.

“A Quaresma é um tempo de metanoia, de mudança de mentalidade. Somos chamados a intensificar a oração, fortalecendo nossa comunhão com Deus; a praticar o jejum, que não é apenas abstinência de carne, mas um exercício de disciplina e desapego; e a viver a caridade, a esmola, que significa compadecer-se da necessidade do outro. Esses três pilares sustentam uma vida cristã autêntica e não devem se limitar apenas a este período.”

Convite à comunidade

Ao final da entrevista, o sacerdote fez um convite para que os fiéis vivam a Quaresma de forma mais profunda.

“Que todos nós possamos nos entregar verdadeiramente à oração, ao jejum e à caridade, participando da Eucaristia e buscando o sacramento da confissão para nos reaproximarmos de Deus. É tempo de perguntar a nós mesmos: o que temos feito diante da necessidade do próximo? E o que ainda precisamos fazer? Que o Espírito Santo nos conceda coragem para testemunhar, com atitudes concretas, a presença de Cristo entre nós.”

A Campanha da Fraternidade segue ao longo de toda a Quaresma, propondo reflexão, mobilização social e ações concretas nas comunidades.