Com a aproximação do período de maior circulação de vírus respiratórios, a Prefeitura de Petrolina atualizou o Plano Municipal de Contingência para Enfrentamento de Vírus Respiratórios Sazonais. A estratégia tem como objetivo preparar a rede de saúde para prevenir e atender casos de síndromes gripais e da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que costumam aumentar entre os meses de março e agosto.
O tema foi discutido nesta quinta-feira (12) durante entrevista ao programa Nossa Voz, com a participação do secretário executivo de Vigilância em Saúde, João Thalisson Rodrigues, e da médica pediatra e diretora médica da atenção especializada, Tatiana Cerqueira.
Segundo João Thalisson, o plano foi atualizado após a experiência do município no ano passado e busca antecipar ações para reduzir casos graves e hospitalizações.
“A Secretaria de Saúde, junto com a Vigilância em Saúde e toda a equipe técnica, vem atualizando o plano de sazonalidade que foi instituído no ano passado. A gente percebeu a grande importância desse planejamento para evitar o aumento das síndromes gripais no município e também os casos mais graves, que são as síndromes respiratórias agudas graves. O objetivo é reestruturar toda a rede de atenção à saúde para que ela esteja preparada para esse período de sazonalidade que acontece todos os anos”, explicou.
O secretário destacou que o aumento de casos costuma ocorrer entre o fim do verão e o inverno, período marcado por mudanças climáticas e maior circulação de pessoas em eventos e festas.
“Entre o final de fevereiro, março até agosto, a gente observa mudanças climáticas que influenciam diretamente na circulação desses vírus. Além disso, há também o processo de aglomeração, principalmente após eventos como as festas de fim de ano e o Carnaval. Tudo isso cria um ambiente propício para a propagação dos vírus respiratórios, o que exige uma preparação antecipada da rede de saúde para evitar agravamentos e internações”, afirmou.
Monitoramento epidemiológico
De acordo com João Thalisson, o município mantém um acompanhamento semanal dos casos de síndromes respiratórias para orientar as decisões da rede de saúde.
“Epidemiologicamente falando, a gente faz um monitoramento semanal das síndromes respiratórias agudas graves por meio das notificações que chegam à vigilância. No ano passado, tivemos uma redução significativa no número de hospitalizações. Foram cerca de 221 notificações no geral, enquanto em 2024 tivemos um pico com mais de 500 casos registrados. A tendência atual é de queda, e estamos em torno da 14ª semana epidemiológica acompanhando essa curva”, disse.
Segundo ele, o plano prevê diferentes níveis de resposta conforme o aumento ou redução dos casos.
“O plano é organizado por níveis de atuação. No nível 1, estamos no processo de planejamento e preparação, reunindo as áreas técnicas e as referências hospitalares para discutir estratégias e capacitar profissionais da atenção básica e da rede hospitalar. O que determina a mudança de fase é justamente o monitoramento epidemiológico, observando hospitalizações e o número de casos registrados semanalmente”, explicou.
Entre as estratégias previstas está a criação de unidades básicas de referência para atendimento de pacientes com sintomas respiratórios.
“Uma das estratégias do plano é a abertura de quatro unidades básicas de referência. São unidades de porte três, com quatro equipes, onde uma equipe ficará destinada exclusivamente ao atendimento de casos de síndrome respiratória em crianças, com demanda espontânea. Isso evita o agravamento dos casos e também reduz a procura direta por hospitais, permitindo que esses pacientes sejam acompanhados desde o início”, afirmou.
Crianças são grupo mais vulnerável
A pediatra Tatiana Cerqueira alerta que o período exige atenção redobrada, principalmente para crianças pequenas e bebês prematuros.
“Esse período de fevereiro a agosto é muito importante, principalmente quando falamos de crianças. É quando os vírus respiratórios circulam com mais intensidade. A gente observa desde quadros mais leves, como resfriado comum, até situações mais graves, como bronquiolite e pneumonia. Por isso, é um período que exige muito cuidado, especialmente com crianças prematuras ou menores de dois anos de idade”, destacou.
Segundo a médica, esse grupo possui sistema imunológico ainda em desenvolvimento, o que aumenta o risco de complicações.
“A faixa etária mais acometida costuma ser justamente a das crianças menores de dois anos. Prematuros e crianças que já têm alguma comorbidade, como asma ou cardiopatias, precisam de atenção especial. São pacientes que podem evoluir com mais facilidade para quadros graves, inclusive necessitando de internação em UTI, e é exatamente isso que queremos evitar com o planejamento da rede de saúde”, explicou.
Prevenção e sinais de alerta
Tatiana também ressaltou que o município já está aplicando um anticorpo monoclonal indicado para proteger bebês de maior risco contra vírus respiratórios.
“O município já está realizando a aplicação do anticorpo monoclonal, o Nirsevimabe, que é muito importante para crianças que fazem parte do protocolo, principalmente prematuros ou bebês com condições clínicas específicas. As famílias que tiverem dúvidas podem procurar a unidade de saúde de referência para avaliação e apresentação da documentação necessária”, disse.
Além disso, a médica reforça a importância da vacinação e da observação de sinais de alerta nas crianças.
“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação das crianças. Qualquer atraso vacinal pode contribuir para que um quadro respiratório evolua de forma mais grave. Também é importante observar sinais como febre persistente por mais de 72 horas, cansaço, dificuldade para se alimentar ou uma criança muito prostrada. Nesses casos, o atendimento médico deve ser procurado imediatamente”, alertou.
Ampliação de atendimento
O plano também prevê medidas para ampliar a assistência em períodos de maior demanda.
“Na fase três do plano, uma das estratégias é a abertura da Policlínica Municipal nos finais de semana e feriados, com horário estendido das 14h às 20h. No ano passado esse serviço não funcionou nesses dias, mas agora a ideia é ampliar a oferta de atendimento justamente para evitar a sobrecarga dos hospitais de maior porte”, explicou João Thalisson.
Segundo a Secretaria de Saúde, a organização antecipada da rede busca garantir atendimento mais rápido e evitar a evolução de quadros leves para situações mais graves, especialmente entre crianças e grupos mais vulneráveis.



