Espetáculo “Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas” se apresenta no 22º Aldeia do Velho Chico

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Foto: Divulgação/Ascom

Projeto inicia por Petrolina sua circulação pelo Sertão e Agreste de Pernambuco e inclui a condução da “Oficina Corpo-Mãe Corpo-Cria”

A mãe-artista da dança e da performance Iara Sales apresenta em Petrolina, dia 25 de agosto, o espetáculo “Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas”, uma dança-exposição que transita entre os universos da dança, performance, artes visuais e questões sobre maternagem, termo que nomeia as vivências daquela/daquele que cuida. A sessão será às 20h, no Teatro Dona Amélia, no SESC Petrolina, com intérprete de Libras e audiodescrição. O acesso será mediante a doação de 1 kg de alimento. Com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), o projeto, que ganha circulação pelo Sertão e Agreste de Pernambuco, integra a programação do 22º Aldeia do Velho Chico – Festival de Artes do Vale do São Francisco e ainda inclui a realização da “Oficina Corpo-Mãe Corpo-Cria”, no dia 24 de agosto, das 15h às 18h, na Sala Multiuso do SESC Petrolina.

“Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas” reúne oito obras em que Iara Sales elabora assuntos como a solidão materna e os embargos sociais dirigidos ao que ela nomeia como “corpo-mãe”, ou seja, o corpo da mulher que gesta. Mestra em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Iara tem se inquietado pelo tema da maternagem desde 2018, quando, então grávida de seu filho, Ernesto, experimentou um movimento de exclusão no processo de montagem de um trabalho. “Houve uma energia de cancelamento, de não acolhimento, de ‘saia daqui’”, lembra, sobre um tipo de tratamento que é recorrente para com a mulher grávida nos meios de produção.

Já em 2019, cuidando de um bebê, participou de uma residência artística na Colômbia, quando os processos simultâneos de criar um filho e criar uma arte se chocaram. Em 2021, durante a pandemia, idealizou a “Mãe-Artista ou Artista-Mãe? Residência Artística Remota para Mães Artistas da Dança”, que reuniu 18 profissionais de todo o Brasil. A ação fecundou o 1° seminário “Conversas sobre Arte e Maternagem”, um website, uma mostra virtual e a Coletiva Mãe Artista. Imersa nesse universo, continuou sua pesquisa no mestrado e ainda desdobra a sua experiência com a maternagem, que, para ela, tem durado os últimos sete anos após dar à luz o filho.

O que o público irá ver no “Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas” é resultado desses anos de experimentação, discussão e criação movidas pela não-conformidade entre o tempo que o cuidado requer e o tempo que o sistema produtivo impõe. “O tempo do cuidado não é compatível com o tempo acelerado do capitalismo. O ato de cuidar é de suspensão. Sendo que, na lógica do capital, se eu não produzo, eu não existo. Logo, quem eu sou? Minha criação vem dessa condição: sou artista, sou mãe-artista, sou artista-mãe?”, reflete. “E, então, também foram surgindo as questões sobre invisibilidade, porque o trabalho do cuidado é apagado, não é remunerado, acontece 24 horas, 7 dias por semana, e em sua grande maioria é feito por mulheres”.

A obra mais antiga apresentada no espetáculo é o filme-dança “Falta colo, mas colo eu tenho pra dar”, criada em 2021, mergulhada nas memórias das relações dela com a mãe e as avós. Nem todas as obras têm a dança como suporte, ou seja, o corpo da artista em performance ao vivo: há também instalações e fotografias, além de um áudio-dança e de uma dança-livro. É que, embora seja uma artista da dança, ela é uma artista multilinguagem, atuando também na performance, nas artes visuais e no design gráfico. “Eu atuo entre linguagens. Esse espetáculo, é uma dança-manifesto, um corpo coletivo, composto por obras que entrelaçam a dança a outras linguagens. Algumas das obras, inclusive, não necessariamente precisam da minha presença, podem estar apenas expostas. Por isso, defino o espetáculo como uma dança-exposição”, explica.

“‘Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas’ surgiu por uma demanda de dar visibilidade ao cancelamento da mãe e à rotina exaustiva: o que fazer com tudo isso? O espetáculo é uma dança-exposição-manifesto”, considera. Estreado em 2024, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, o espetáculo tem alcançado toda a faixa-etária de público. “As crianças se divertem, enquanto os adultos se emocionam.”

“Oficina Corpo-Mãe Corpo-Cria”

No dia anterior ao espetáculo, Iara Sales vai conduzir a “Oficina Corpo-Mãe Corpo-Cria”, destinada a cuidadores (adultos que cuidam de crianças) com as suas crias (crianças que estejam ainda na primeira infância, com idade entre 3 e 7 anos). A partir de fragmentos de danças e folguedos populares, a artista trabalha o fortalecimento do vínculo entre quem cuida e quem é cuidado. Para a oficina, ela recorre, ainda, à metodologia do eslovaco Rudolf Laban, um estudioso do movimento humano.

“Criei uma metodologia autoral, a partir dos estudos do método Laban, de Análise do Movimento, e de elementos das danças e dos folguedos da cultura pernambucana para fazer brincadeiras em que afeto, amor e troca são palavras enfatizadas. A mãe ou a cuidadora, ou o cuidador, estará em atenção à cria, e vice-versa. Há um momento em que as crianças massageiam as mães criando uma experiência de afago, de contemplação”, exemplifica. “É na primeira infância em que acontece a formação base do indivíduo. Por isso, nessa oficina, tudo acontece em volta do ato de cuidar.”

Para participar, o/a cuidador/a deve se inscrever por formulário online: https://eventos.sescpe.com.br/corpocria/

SERVIÇO
Dentro da programação do 22º Aldeia do Velho Chico – Festival de Artes do Vale do São Francisco

“Oficina Corpo-Mãe Corpo-Cria”
Dia 24/08 (segunda-feira), das 15h às 18h – Sala Multiuso (SESC Petrolina)
Espetáculo “Pequeno Manual de Sobrevivência para Mães-Artistas”
Dia 25/08 (terça-feira), às 20h – Teatro Dona Amélia (SESC Petrolina) – sessão com Libras e audiodescrição

Mais informações: @mae.artista / @iarasalesagra