Candidatos a deputado federal e estadual deram início à caminhada eleitoral neste domingo (16); ato também teve discurso do candidato ao Senado Mendonça Filho, que reforçou alinhamento com a direita, apoio a Raquel Lyra e voto em Flávio Bolsonaro
O PL abriu, neste domingo (16), primeiro dia da campanha eleitoral, o comitê que servirá como ponto de referência em Petrolina para as candidaturas de Carlos Britto a deputado federal e Lara Cavalcanti a deputada estadual. O evento contou com a presença do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), que participou do ato e reforçou o alinhamento político do grupo para as eleições deste ano.
Em seu discurso, Lara Cavalcanti relembrou a primeira experiência eleitoral, quando disputou a Prefeitura de Petrolina, e afirmou que chega à nova campanha com mais experiência. A candidata também destacou a trajetória política de Mendonça Filho e a identificação com as pautas defendidas pelo PL. “Eu tive a minha primeira experiência para prefeita, que foi muito difícil, muitos que estão aqui acompanharam, mas a gente já vem agora com uma nova experiência”, afirmou.
Lara, de 41 anos, brincou com o tempo de atuação política de Mendonça, que soma quatro décadas de vida pública, e disse enxergar no candidato ao Senado uma referência. “Há 40 anos Mendonça está na política. Mas não é porque ele está velho, não. Pelo contrário, ele está muito experiente”, disse.
A candidata também relacionou sua entrada na vida pública à trajetória pessoal e, mais uma vez, citou a filha Joana, que nasceu com uma doença rara e já faleceu, como uma das principais motivações para sua atuação política. “Eu não tenho pai político, não tenho avô político. […] A minha experiência de vida com a minha filha Joana, que nasceu com uma doença rara e hoje não está mais aqui, ela foi que me trouxe essa missão. Como eu disse, eu não herdei de ninguém, mas a vida me trouxe essa missão”, declarou.
Lara afirmou que pretende concentrar a campanha em políticas públicas voltadas às pessoas, às mulheres e às famílias. Ela também relatou ter encontrado, durante visita à feira do bairro João de Deus na manhã deste domingo, eleitores desmotivados com a política. “É muito triste a gente andar numa feira como a de João de Deus e encontrar as pessoas sem esperança alguma: ‘Não quero saber de política’, quando, na verdade, a política define a nossa vida da hora que a gente acorda à hora que a gente vai dormir”, afirmou.
Ao encerrar, Lara definiu a própria campanha como “honesta, limpa e propositiva” e disse esperar conquistar a confiança dos eleitores para chegar à Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Carlos Britto, candidato a deputado federal, também utilizou o discurso para apresentar sua trajetória pessoal como um dos fundamentos da candidatura. Ele afirmou ter origem em uma família simples, sem tradição política, e disse entender a disputa eleitoral como uma oportunidade de servir à população. “Eu tenho tido muita felicidade de encontrar muita gente que eu olho nos olhos e que são pessoas iguais a mim, que vieram de uma família simples, sem parentes importantes, sem sobrenomes famosos, sem dinheiro, mas com a dignidade do mundo”, declarou.
Britto afirmou que a campanha está fundamentada em valores como caráter, honradez e compromisso com o serviço público. “Eu queria que vocês acreditassem num cara que é simples demais, mas que acredita num Deus vivo, que pode entregar o seu melhor para que mais pessoas tenham uma vida melhor, com passado limpo, com presente honesto e com futuro que não vai envergonhar nem minha família, nem nenhum de vocês”, disse.
Durante a fala, o candidato também deixou explícito o alinhamento eleitoral do seu grupo. Britto declarou voto em Flávio Bolsonaro para presidente, Mendonça Filho para o Senado, Lara Cavalcanti para deputada estadual e Raquel Lyra para governadora. “Contem comigo, confiem em mim, saibam que vocês estão diante de alguém com coragem de fazer, com a credibilidade de uma cidade que me respeita há mais de 30 anos e que sabe que minha vida é para servir, é em prol das pessoas”, acrescentou.
Convidado para participar da abertura do comitê, Mendonça Filho direcionou parte do discurso às candidaturas locais. Disse acreditar que Lara poderá representar Petrolina e o Vale do São Francisco na Alepe e destacou a trajetória de Carlos Britto na cidade. “Para mim, é um privilégio poder participar do ato de abertura e de início da campanha política aqui em Petrolina. É um ato simbólico, marcante”, afirmou.
Mendonça também aproveitou a passagem pelo município para relembrar sua própria relação com Petrolina. Citou a passagem pela Secretaria de Agricultura de Pernambuco, ainda aos 24 anos, durante o governo Joaquim Francisco, além da atuação como governador e ministro da Educação.
Entre os episódios citados, lembrou a criação da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e investimentos realizados na área educacional. “Não estou aqui por acaso. Estou aqui porque eu tenho história política, eu tenho um trabalho realizado, eu tenho como me apresentar. E a minha trajetória política em Petrolina, no Vale do São Francisco, nas cidades vizinhas, é a mesma que pode ser reproduzida para todas as regiões do estado. É uma história de trabalho, de luta e de valores”, declarou.
O candidato ao Senado voltou a explicar a decisão de abrir mão de uma nova disputa à Câmara Federal. Segundo Mendonça, ele aguardou a composição das principais chapas estaduais e decidiu entrar na corrida pelo Senado ao avaliar que havia espaço para uma candidatura identificada diretamente com a direita. “O que eu via, onde quer que eu ia, era que a direita estava órfã, que a direita não tinha voz, que a direita não tinha representação e que se sentia, naturalmente, fora da disputa para o Senado da República”, afirmou.
Mendonça disse considerar que teria grandes chances de conquistar o quinto mandato de deputado federal, mas preferiu disputar uma das vagas ao Senado. “Eu tinha um mandato praticamente certo, todo mundo sabe. Iria para o quinto. Mas eu nunca procurei caminho fácil na vida pública”, declarou.
O discurso também trouxe críticas ao Supremo Tribunal Federal. Mendonça afirmou que, se eleito, pretende defender no Senado pautas ligadas à liberdade de expressão, à família e aos valores conservadores. “Eu jamais ficarei de joelhos para o Supremo Tribunal Federal”, disse.
O candidato também afirmou, como posicionamento político, que a direita sofre perseguição no país e criticou o que classificou como restrições à liberdade de expressão e religiosa. “Minha voz em Brasília, no Senado, será sempre em defesa da liberdade e em defesa da família”, declarou.
Ao tratar da eleição para o Senado, Mendonça pediu diretamente os votos do eleitorado identificado com a direita e citou Carlos Santana, do Novo, como uma alternativa para o segundo voto de quem deseja escolher dois nomes do mesmo campo ideológico. “Quem quiser votar na direita, vota Mendonça. Quem quiser votar no voto conservador, vota Mendonça”, afirmou.
Mendonça também reiterou que apoia Flávio Bolsonaro para a Presidência da República e Raquel Lyra para a reeleição ao Governo de Pernambuco. “Para presidente eu não hesito, não fico em cima do muro. Meu candidato a presidente é Flávio Bolsonaro”, declarou.
Sobre Raquel, disse considerar que Pernambuco deve manter o atual projeto estadual. “Não dá pra gente mudar em time que está ganhando. É uma mulher séria, é uma mulher competente, é uma mulher comprometida”, afirmou.
Ao final, Mendonça pediu mobilização pelas candidaturas de Lara Cavalcanti e Carlos Britto e apresentou sua própria candidatura como uma tentativa de dar ao eleitorado conservador pernambucano uma representação no Senado.
A abertura do comitê marcou, assim, o início oficial da campanha do PL em Petrolina com um palanque que busca combinar candidaturas locais com a estratégia nacional e estadual da legenda, tendo Flávio Bolsonaro como candidato presidencial, Mendonça Filho na disputa pelo Senado e apoio à reeleição de Raquel Lyra em Pernambuco.



