Garis e trabalhadores da limpeza urbana aderem à paralisação nacional por regulamentação da profissão e piso salarial em Petrolina

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Foto: Marco Aurélio/Nossa Voz

Profissionais participaram de manifesto em apoio ao PL 4146/20 que regulamenta a profissão e que segue sem previsão de apreciação no Senado

Garis e trabalhadores da limpeza urbana de Petrolina aderiram à mobilização pela regulamentação da profissão e ampliação de direitos realizada nesta segunda-feira (22) em todo o país. A mobilização sindical foi convocada em apoio à PL 4146/20 que regulamenta a profissão de Trabalhador essencial de limpeza urbana, mas que aguarda apreciação pelo Senado Federal.

Os trabalhadores da limpeza de Petrolina se concentraram, em protesto, em frente ao pátio de eventos Ana das Carrancas, onde está acontecendo o São João do município. Em entrevista ao programa Nossa Voz, Radamés Cândido, coordenador nacional do Movimento Luta de Classes, disse que, enquanto o processo segue sem previsão de votação no Senado, a categoria segue sem regulamentação e acesso à direitos.

“Essa luta começou na Câmara dos Deputados, onde a gente fez grande mobilização e a Câmara Federal aprovou, encaminhou. O Senado está segurando a nossa PL que dá dignidade a gente. Nós não temos, nós não somos, pelas leis conhecidos como categoria. E essa PL 4146 nos traz isso. Há 150 anos que existe o trabalhador da limpeza urbana. Há 150 anos que nós somos olhados de uma forma indiferente pela lei, pela CLT, pela legislação trabalhista. Então, essa luta de hoje que a gente está trazendo a nível nacional é para que a nossa PL seja aprovada pelo Senado”, afirmou.

Segundo o movimento, em torno de 400 trabalhadores da limpeza urbana de Petrolina aderiram à mobilização, em Petrolina. Serviços essenciais como coleta de lixo e varrição ficaram paralisados na manhã desta segunda. “Estamos em torno de 380. Aqui, a gente tem em média de 400, 430 trabalhadores na limpeza urbana, não todo, com tudo. Então tem em média de 380. Hoje, mesmo, a coleta por completo está parada e alguns setores de varrição”, disse Radamés.

O Sindicato de Trabalhadores da Limpeza de Petrolina não aderiu à mobilização e os profissionais do município que participaram da manifestação receberam apoio do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Limpeza Urbana no Estado da Paraíba (Sindlimp-PE). Representando o Sindlimp-PE e o Movimento Luta de Classes, Sérgio Andrade falou sobre a realidade dos profissionais diante da falta de regulamentação e piso salarial.

“O que você vê aqui não é diferente de qualquer lugar. A gente consegue minimizar as condições de trabalho do trabalhador da limpeza urbana, a gente impede que ele seja perseguido, a gente impede que ele seja prejudicado, a gente impede que ele adoeça. E assim por diante. O que a gente está pedindo é para que a sociedade em geral, ela entenda que essa essa categoria, ela é essencial para a sociedade, é essencial para a saúde pública do município, e o do Brasil inteiro”, afirmou.

Segundo Sérgio, além da regulamentação da profissão, o projeto prevê o estabelecimento de um piso salarial fixado em R$ 3.036 e o aumento no valor do adicional de insalubridade dos trabalhadores.

O trabalhador da limpeza de Petrolina, Josiel Santos, disse que participar da mobilização pelo fortalecimento da classe. “Então assim, eu vou atrás do meu direito, que eu tenho direito. Eu vou atrás para poder fortalecer essa classe”, afirmou.

O secretário de Serviços Públicos, Alisson Oliveira, esteve no local de concentração dos trabalhadores e disse, em entrevista ao Nossa Voz, que a adesão ao movimento no município não foi abrangente e criticou a presença de um sindicato de outro estado na mobilização.

“Não temos ainda os bairros que foram afetados. Ainda não houve absolutamente nada em relação a isso. É uma mobilização da Paraíba, o sindicato não aderiu e aí é um problema. Eu respeito todos os paraibanos, mas não faz sentido o sindicato tanto da Bahia quanto da Paraíba querer coordenar uma coisa que não é da jurisdição dele aqui em Petrolina”, disse.

O secretário acrescentou: “O sindicato daqui, o Siemaco, não aderiu à paralisação nacional. Então, é importante salientar, a gente está trabalhando para manter o serviço o mais depressa possível. Conseguimos ainda ter mais de um terço rodando nas ruas da cidade. Agora, a parte da limpeza da cidade, da parte da varrição, praticamente ninguém parou e parou, infelizmente, foi uma parte da coleta e a gente está tentando ver ainda o impacto em relação a isso”, .

Alisson Oliveira disse ainda que prefeitura tem garantido os direitos dos trabalhadores terceirizados da limpeza no município. “A gente paga os funcionários em dia, a gente tem toda a regularização em relação ao direito trabalhista em dia, absolutamente tudo regular. E respeitamos, claro, com o direito cada um parado, não tem absolutamente nada contra isso. A gente pede, evidentemente, pela responsabilidade em relação à cidade, mas respeitamos qualquer movimento”, afirmou o secretário.

O Sindicato Intermunicipal dos empregados em empresas de asseio e conservação de Petrolina (Siemaco-Petrolina) não se manifestou oficialmente sobre a mobilização. Até o momento, a presidência do Senado não oficializou uma votação imediata para o projeto e não se pronunciou sobre a mobilização.