Investigador norte-americano lança livro sobre Caso Beatriz: “Tem detalhes que não foram à público”, contam Lucinha Mota e Sandro Romilton

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Sandro Romilton e Lucinha Mota em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (15). Foto: Mídias Sociais/Nossa Voz

Em entrevista ao Nossa Voz desta segunda, pais de Beatriz, assassinada aos 7 anos em Petrolina, contam sobre o livro que relata os desafios encontrados durante a investigação do crime que chocou o país em 2015

O caso do assassinato da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, morta à facadas em uma escola, em Petrolina, ganhou livro escrito pelo investigador norte-americano do caso, o Dr. Fred Ponce. O pré-lançamento do livro “Beatriz – Caminhando por Justiça: a Jornada de uma Mãe na Caça ao Assassino de sua Filha”, aconteceu no último dia 7 de junho, na Chácara Professor Sandro, em Juazeiro. O evento contou com a presença de Freddy Ponce, que é especialista em investigação de homicídios aposentado de Miami e integrante das análises independentes realizadas ao longo dos últimos anos sobre o caso.

Em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (15), os pais de Beatriz, Lucinha Mota e Sandro Romilton, falaram sobre o livro e a relação deles com o autor. Lucinha relatou que o investigador norte-americano já acompanhava o caso antes de conhecer a família.

“Dr. Fred Ponce é uma pessoa que vem me ajudando ao longo desses últimos 6. Nós nos conhecemos ali no final de 2019 para 2020, mas ele já tinha conhecimento do caso, ele já vinha acompanhando e ele materializou tudo que a gente viveu, naqueles 7 anos, em busca do assassino de Beatriz”, relatou Lucinha.

A mãe de Beatriz disse que, para a produção da obra, Ponce veio para o Brasil, por diversas vezes, para a realização de entrevistas com a família, pesquisas e estudos, além de participar de audiências sobre o caso.

“Nós fomos entrevistados, o grupo Somos Todos Beatriz também foi entrevistado, ele participou de audiências de instrução, ou seja, é uma pessoa que tem tem todos os parâmetros, não só legais, mas também científicos para escrever essa obra”, informou Lucinha.

De acordo com o pai de Beatriz, o livro traz detalhes do caso que nunca vieram à público.

“O livro traz relatos que, durante esses anos, não foram colocados para a mídia, para o grande público, inclusive, da nossa investigação paralela que contou também com a participação do Dr. Fred. Esse livro traz essa visão nossa também de como contribuir com uma investigação criminal”, disse Sandro.

Ainda segundo Sandro, o livro também conta sobre os primeiros dias após o crime, as investigações na escola e a história de Marcelo da Silva, apontado como o principal suspeito do crime no ano de 2022. O pai de Beatriz explicou que ainda será realizado o lançamento oficial do livro no Brasil e que eles ainda não fizeram a leitura completa da obra, que foi traduzida para o português recentemente.

“Esse livro foi escrito, na verdade, em língua inglesa, foi lançado nos Estados Unidos, hoje já está sendo vendido na plataforma da Amazon. Ele foi traduzido agora, esses dias, para o português. Então, a gente não fez ainda, exatamente, um lançamento oficial. Nos reunimos com um grupo aqui para ter um uma coisa mais intimista”, relatou.

Eles informaram que o lançamento oficial em Juazeiro está previsto para o mês de julho e que o valor arrecadado com a venda do livro será utilizado para fins filantrópicos.

“De certa maneira, esse livro tem um tom filantrópico, porque a parte do dinheiro que for arrecadado com as vendas, vai ser retornado para Petrolina para a gente ajudar outras pessoas, então, vai, de uma certa maneira, continuar ajudando na luta”, afirmou Sandro.

Para Lucinha Mota, que escreveu o prefácio do livro, a obra representa um registro da luta de muitos que, coletivamente, buscaram justiça por Beatriz, além de eternizar a memória de sua filha.

“Ela eterniza a memória de minha filha, ela eterniza a luta de um povo sertanejo, de pessoas de Juazeiro, de pessoas de Petrolina, de pessoas do Sertão do São Francisco, que dedicaram ali a sua vida, tempo, para nos ajudar, para colaborar com a gente na investigação, como também nos manifestos. É um documento físico que vai perpetuar por muitos e muitos anos. Para gente é emocionante”, destacou.

“Inclusive, eu escrevi o prefácio do livro e eu espero que isso venha colaborar na vida de outras pessoas, fortalecer o senso de justiça das pessoas, das vítimas, dos familiares de vítimas, das instituições, porque esse livro também é um livro acadêmico, estudantes da área do direito, da psicologia, profissionais da área da segurança, inclusive, delegados, agente de polícia, porque esse livro ele traz também ele ensina como investigar”, acrescentou Lucinha.

Dr. Fred Ponce, autor do livro e investigador de homicídios/CEO CITGROUP. Foto: CITGROUP

Julgamento do caso na Justiça segue sem previsão

Lucinha Mota disse que o caso segue sem previsão de julgamento na Justiça, após defesa entrar com novo pedido de recurso.

“Na última sexta-feira, o STJ publicou a decisão do último recurso que a defesa do assassino de Beatriz entrou e ele perdeu mais uma vez por unanimidade. Então, a gente aguarda, agora, que o processo retorne para Petrolina, apesar de que ele ainda pode entrar ainda com recurso para o STF. Mas o que a defesa dele vem tentando fazer é protelar e causar mais dor à família”, relatou.

A mãe de Beatriz diz que as investigações apontam Marcelo como culpado e que ele não é apenas um “bode expiatório”, como ela disse costumar ouvir da opinião de pessoas sobre o caso.

“No livro, o Dr. Fred fundamenta, através da ciência, o comportamento dele, do assassino. Então, aquelas pessoas que ficam achando: “Ah, Lucinha, eu acho que ele é um bode expiatório”. Não é, gente. Não é um sentimento de mãe que está falando aqui, não. Eu estava estudando na academia do Dr. Fred Ponce. Então, hoje eu já tenho uma visão técnica completamente diferente”, disse Lucinha relembrando sobre o início das investigações que apontavam diversas linhas da polícia civil, a partir das imagens das câmeras de segurança da escola e os retratos falados divulgados do possível suspeito.

“Levantou-se milhões de teorias e nós embarcamos nisso porque a gente não tinha conhecimento. A gente nunca tinha entrado numa delegacia. E com uma dor imensurável permeando tudo isso. Mas aí eu passei a estudar em meados de 2020, com ele o Dr. Fred Ponce, e aí eu me alimentei da ciência, da tecnologia, para que eu pudesse avaliar, identificar e confirmar. Ninguém conhece mais esse inquérito do que eu e Sandro, ninguém. E eu desafio qualquer delegado, qualquer promotor, qualquer juiz, qualquer advogado, são mais de 8.000 páginas. Eu conheço cada uma delas”, desabafou Lucinha.

Relembre o caso

Beatriz Angélica Mota foi assassinada a facadas durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no dia 10 de dezembro de 2015. Ela foi alvo de 35 golpes de faca dentro de um depósito de material esportivo da escola.

A menina estava acompanhada dos pais e saiu para beber água quando foi surpreendida por Marcelo da Silva, conforme apuraram as investigações do caso. O crime chocou o país e ainda não teve um desfecho pouco mais de dez anos depois.

Livro está disponível em plataformas digitais

O livro “Beatriz – Caminhando por Justiça: a Jornada de uma Mãe na Caça ao Assassino de sua Filha”, de autoria do Dr. Fred Ponce, está disponível para venda através do link. A obra foi financiada pelo CITGROUP que agrega investigadores de polícia especialistas em investigações criminais.

Confira a entrevista na íntegra

A entrevista com Lucinha Mota e Sandro Romilton, no programa Nossa Voz desta segunda-feira (15), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.

E dentro desse todo esse contexto, a caminhada, né, até Recife e a acolhida também da população, ah, em meio a esse contexto, o caso Beatriz mudou o comportamento de famílias, de instituições de ensino em relação à realização de eventos e até o próprio dia-a-dia, a segurança, o vídeo monitoramento, né, tudo isso tem lei com nome de Beatriz também, justamente buscando essa segurança, mas passado mais de 10 anos do crime, na sua opinião, quais perguntas ainda merecem respostas?

Muito importante, Carine, isso que você perguntou. No último sábado, o Eissandro e o Fred Ponce, tivemos a oportunidade de estar ali no Rivershop, é, ao lado, na, na banca da Revistaria do Vale, com uma tarde de autógrafo, é, e foi assim, queria aproveitar aqui o espaço e agradecer ao Rivershop. Foi um sucesso. de venda, vendemos todos os exemplares que levamos para lá. É, agradeci a Bernadette por ter aberto o espaço lá para gente.

E Carine, todas as pessoas que sentavam com a gente lá para comprar o livro, adquirir o livro ou tirar alguma dúvida, todos traziam na memória. Lucinha, eu mudei completamente a forma, é, de como identificar a melhor escola para meu filho, para minha filha.

Eu passei a a perguntar, a questionar: “Vocês têm Alvaradia licença, por exemplo, de corpo de bombeiros, vocês tem câmeras de segurança, essas câmeras de segurança estão funcionando, vocês tem monitores qualificados para estarem aqui no ambiente escolar, então as isso mudou o comportamento das pessoas, né? Dos pais, principalmente, os pais, Carine, trazem na sua memória a noite daquele dia. É isso que mais me marca quando eu converso com as pessoas.

Todo mundo traz uma memória, o Luciano estava em tal lugar e eu lembro disso, disse disso. Mas infelizmente Carine, apesar de de ter termos um tido, né, um caso que demonstra completa negligência e fragilizar e fragilização tanto do ambiente escolar, quanto da polícia, dos órgãos que deveriam investigar e punir, infelizmente na prática isso não mudou muito, né? Por quê?

Porque ainda não existe mecanismos reais para controlar tudo isso. Infelizmente, eh e eu e eu posso te dizer posso te dar um exemplo como isso. A maioria das escolas, os porteiros, eles não têm qualificação. E falta isso. Falta formação. O que precisa para esses profissionais é formação, como identificar um pai de aluno, né? Como identificar um perigo de uma pessoa que está entrando.

Será que aquela pessoa é é é tem permissão, autorização para entrar naquele ambiente escolar com a criança ou sem a criança? Ainda falta muito isso. A gente percebe o esforço, né, é das instituições, principalmente das privadas, a gente percebe isso. Mas, é, infelizmente, nas escolas públicas não tem tanto ainda é é é essa essa preocupação em fazer esse controle. E ainda digo mais, infelizmente tem paz aqui ainda reclama. Eu visito, eu pesquiso, né?

Eu estou sempre presente nas escolas conversando e pesquisando e eu percebo ainda uma certa resistência, porque o pai, ele quer mandar o filho de 14 anos, de 13 anos para buscar o filho de 4, 5 anos. O pai quer que o vizinho vá buscar o seu filho. Isso tá errado. É um É um É A gente tem que mudar essa cultura. A responsabilidade por aquela criança tem que ser o pai ou a mãe ou aquela pessoa que é legalmente responsável por ele para deixar, para buscar na escola, né? Enfim, em todos os ambientes. A gente precisa de mais fiscalização, né?

A gente precisa saber se os parques, por exemplo, os circos, eles eles estão realmente ali preparados adequadamente para receber essas pessoas. Quem são essas pessoas? Né? Para você ter ideia, Carine, no início desse ano em fevereiro, o Data Folha divulgou uma pesquisa que diz que mais de 866.000 mulheres e meninas foram vítimas de algum tipo de violência. Foram estupradas e menos de 12% virou boletim de ocorrência.

E significa fica a dizer que mulheres e meninas estão sendo estupradas no nosso país e ninguém tá fazendo nada, né? Isso são diversos fatores. A gente tem também uma estatística preocupante em relação ao desaparecimento de pessoas, principalmente crianças. E e sabe, Pernambuco são quase quase 3.000 pessoas que desaparecem, pouco mais de 600 são encontradas e identificadas. E as outras? E E quem tá fazendo o quê? Existe algum protocolo de busca? Ó, uma pessoa desapareceu. Tem Existe um protocolo de busca? Não.

Então, são esses mecanismos que a gente precisa colocar em prática. O prefeito de Simmão Duran recentemente sancionou uma lei que realmente vai funcionar na prática. Vai Vai ser um mecanismo a lei que garante a mulheres vítimas de violência ter prioridade na matrícula e na transferência dos seus filhos. Ah, Lucinha, mas por quê?

Porque aquela mulher que é vítima de violência, o seu eh parceiro ou ex-parceiro, ele sabe onde o filho estuda e a forma dele atingir aquela mulher é tirando a vida dos filhos e Nós já vimos diversos casos aqui no nosso país só esse ano, casos absurdos, né? Então quando essa mulher, ela tem uma medida protetiva que alcança também seus filhos, ela pode transferir, ela tem o direito de transferir o seu filho para uma outra instituição e garantir ali a segurança. Isso sim é um mecanismo, né? Que vai fazer a diferença.

E é disso que a gente precisa é pensar, colocar em prática, ter a coragem enquanto gestor para estar fazendo esses movimentos. E em relação a ao julgamento do acusado, o que peta essa situação agora?

Obrigada ao programa Nossa Voz, mais uma vez pela o espaço, a oportunidade de estarmos aqui.