IPS Brasil 2026 revela ranking de qualidade de vida dos 5570 municípios brasileiros; Bahia aparece entre piores estados

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O IPS Brasil divulga, nesta quarta-feira (20.05), a edição 2026 do Índice de Progresso Social, que avalia os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais. O relatório mostra que a qualidade de vida no país segue marcada por desigualdades persistentes, com diferenças relevantes entre regiões e municípios. Pelo terceiro ano consecutivo, o pequeno município de Gavião Peixoto (SP), localizado no interior de São Paulo, recebeu a melhor classificação do Brasil, com nota 73,10 em uma escala que vai de 0 a 100. Entre as capitais, Curitiba (PR) lidera o ranking nacional, seguida por Brasília (DF), São Paulo (SP), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG).


Figura 1. Mapa dos resultados do IPS Brasil 2026

O Progresso Social é definido como a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial. Para calcular o índice, o IPS  leva em consideração 57 indicadores sociais ou ambientais, com foco em resultados, uso de dados públicos confiáveis, atualizados e com ampla cobertura territorial. “Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato”, sendo entregues aos cidadãos”, afirma Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.

Entre os 20 melhores resultados, há forte predominância de cidades do Sudeste, especialmente do estado de São Paulo, com destaque para Gavião Peixoto (SP), que lidera o ranking nacional, seguido por municípios como Jundiaí (SP), Osvaldo Cruz (SP) e Pompéia (SP). Também aparecem cidades do Sul e Sudeste, como Curitiba (PR), Nova Lima (MG) e Maringá (PR), indicando maior concentração de altos níveis de progresso social nessas regiões. Na outra ponta, os 20 municípios com piores desempenhos concentram-se majoritariamente na região Norte, especialmente no estado do Pará, além de municípios de Roraima, Acre, Tocantins e Maranhão. Uiramutã (RR) ocupa a última posição do ranking, seguido por cidades como Jacareacanga (PA) e Alto Alegre (RR). 

Quadro 1. Pontuações dos 20 municípios brasileiros com os desempenhos mais altos e mais baixos no IPS Brasil 2026, com exceção de Fernando de Noronha (PE).

Capitais

O ranking das capitais no IPS Brasil 2026 mostra diferenças relevantes nos níveis de qualidade de vida entre grandes centros urbanos do país. Curitiba (PR) lidera com 71,29 pontos, seguida por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64. Na sequência aparecem Campo Grande (MS), com 69,77, e Belo Horizonte (MG), com 69,66. Na faixa intermediária, capitais como Rio de Janeiro (RJ) registram 67,00 pontos, Porto Alegre (RS) 66,94 e Natal (RN) 66,82. Já entre os menores resultados estão Salvador (BA), com 62,18, Maceió (AL), com 61,96, Macapá (AP), com 59,65, e Porto Velho (RO), com 58,59. A diferença entre a capital mais bem colocada e a última ultrapassa 12 pontos, evidenciando a variação nos níveis de progresso social entre as capitais brasileiras.

“Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”, afirmou Melissa Wilm.

Quadro 2. Pontuações das capitais no IPS Brasil 2026 e sua classificação entre os 9 grupos.

Estados

O IPS também também avalia o desempenho médio dos estados brasileiros. Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina foram os mais bem colocados. Na outra ponta, Pará, Maranhão e Acre. No ranking dos estados do IPS Brasil 2026, o Distrito Federal (1º), São Paulo (2º) e Santa Catarina (3º) apresentam as melhores pontuações, destacando-se no mapa com os níveis mais elevados de progresso social. Na outra ponta, os menores desempenhos concentram-se nas regiões Norte e Nordeste, com Acre (25º), Maranhão (26º) e Pará (27º) ocupando as últimas posições do ranking. Considerando as regiões geográficas, o Distrito Federal lidera no Centro-Oeste, São Paulo no Sudeste e Santa Catarina no Sul, enquanto a Paraíba se destaca no Nordeste e Tocantins apresenta o melhor desempenho entre os estados da região Norte.

Figura 2. Resultados do IPS Brasil 2026 para as unidades federativas.

Quadro 3. Pontuação do IPS Brasil 2026 para as unidades federativas.

Resultados gerais 

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 mostra que o país alcançou pontuação média de 63,40, em uma escala de 0 a 100, indicando uma evolução sutil em relação ao ano anterior. Entre as dimensões do índice, Necessidades Humanas Básicas apresentou o melhor desempenho, com média de 74,58, seguida por Fundamentos do Bem-estar, com 68,81. Já a dimensão Oportunidades registrou o menor resultado, com 46,82, mantendo o padrão observado desde as edições anteriores.

Na análise dos 12 componentes que compõem o índice, Moradia obteve a maior pontuação média (87,95), seguida por Acesso à Informação e Comunicação (79,81), que também apresentou o maior avanço percentual em relação ao ano anterior. Em contrapartida, os piores resultados concentram-se na dimensão de Oportunidades, com destaque para Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22).

O componente de Inclusão Social mantém trajetória de queda desde 2024, refletindo desafios persistentes como a baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas câmaras municipais e os altos índices de violência contra minorias. Ao mesmo tempo, parte da região Nordeste apresenta desempenhos relativamente melhores nesse tema.

Os resultados também evidenciam desafios regionais. Estados da Amazônia Legal apresentam desempenho mais baixo no componente de Qualidade do Meio Ambiente, influenciados pelo desmatamento acumulado e pela concentração de emissões de gases de efeito estufa. Já o componente de Saúde e Bem-estar aponta fragilidades especialmente nas regiões Sul e Sudeste, associadas a taxas elevadas de obesidade, suicídio e mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis.

O estudo classifica os municípios brasileiros em nove grupos de desempenho, representados no mapa nacional por diferentes tonalidades. O Grupo 1, com melhores resultados, reúne 706 municípios, enquanto o Grupo 9, com piores desempenhos, concentra apenas 23 municípios. Entre 2025 e 2026, 754 municípios avançaram para grupos de melhor desempenho, enquanto o número de cidades nas faixas mais baixas foi reduzido em 500 municípios, indicando mudanças importantes na distribuição do progresso social no país.

O grupo com melhores resultados concentra a maioria das capitais e grande parte dos municípios mais populosos, com mais de 200 mil habitantes. Já os municípios com piores desempenhos tendem a apresentar baixa densidade demográfica e maior distância dos grandes centros urbanos.

Figura 6. Notas dos componentes do IPS Brasil 2026.

O que o IPS Brasil 2026 avalia

O Progresso Social é definido pelo Social Progress Imperative como a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial.

Com base nesse conceito, o IPS Brasil 2026 é formulado a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.


Quadro 1. Dimensões e componentes do IPS.

No site do IPS Brasil, é possível analisar o perfil detalhado de todos os municípios, identificando em quais áreas cada um se destaca e onde há necessidade de melhorias. A plataforma também permite comparar municípios com características semelhantes, como PIB per capita, população e território, oferecendo uma ferramenta prática para gestores públicos, investidores sociais e a sociedade em geral compreenderem melhor as dinâmicas de desenvolvimento local e planejarem ações mais eficazes para promover o progresso social e ambiental.

Acesse o site do IPS Brasil: https://ipsbrasil.org.br/
Para acessar o relatório na íntegra, clique aqui.

O índice é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, Fundação Avina, iniciativa Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, sendo baseado exclusivamente em dados públicos e atualizado anualmente. A ferramenta permite acompanhar tendências e apoiar o planejamento, a avaliação de políticas públicas e o direcionamento de investimentos sociais.

Cada indicador passa por um processo de validação e modelagem estatística, incluindo normalização, verificação de qualidade e definição de pesos por meio da Análise de Componentes Principais (ACP). O resultado final varia de 0 a 100, refletindo o desempenho dos municípios nas três dimensões do progresso social.

Diferentemente de indicadores econômicos como o PIB e o IDH, o IPS mede diretamente resultados na vida da população, permitindo identificar desigualdades e comparar territórios de forma mais precisa. O índice evidencia que municípios com níveis semelhantes de renda podem apresentar desempenhos muito distintos em qualidade de vida, reforçando o papel das políticas públicas e da gestão na transformação de recursos em bem-estar.