O cenário político de Pernambuco para as eleições de 2026 ganhou um novo capítulo com a movimentação do prefeito do Recife, João Campos, que avançou na construção de sua chapa ao Governo do Estado com um perfil mais alinhado à esquerda.
De acordo com informações divulgadas pela revista Veja, João Campos fechou acordo com o senador Humberto Costa e com a ex-deputada federal Marília Arraes para que ambos ocupem as duas vagas ao Senado em sua chapa. A articulação foi construída em Brasília e contou com a participação de lideranças nacionais, incluindo o presidente do PDT, Carlos Lupi.
O movimento posiciona João Campos de forma mais clara no campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fortalecendo a proximidade com o governo federal e consolidando uma aliança com partidos e lideranças identificadas com a esquerda no estado.
Impacto direto na disputa com Raquel Lyra
A composição tem efeitos diretos na disputa com a governadora Raquel Lyra, que deve buscar a reeleição em 2026. Segundo a análise política, ao fechar uma chapa mais alinhada ao campo lulista, João Campos tenta reduzir o espaço de movimentação de Raquel, especialmente na relação com o eleitorado que tem no presidente Lula uma referência política importante em Pernambuco.
Nos bastidores, a estratégia também dialoga com o posicionamento da governadora, que vinha trabalhando a construção de uma chapa mais ao centro e defendendo, inclusive, a possibilidade de neutralidade de Lula no estado. Com o avanço da articulação liderada por João Campos, esse cenário se torna mais difícil de se concretizar.
Efeitos colaterais nas alianças
Se, por um lado, a movimentação fortalece João Campos junto ao campo progressista, por outro, ela provoca rearranjos importantes nas alianças políticas. Com a definição das duas vagas ao Senado ocupadas por Humberto Costa e Marília Arraes, outros nomes que disputavam espaço na chapa tendem a buscar novos caminhos.
Entre eles estão lideranças ligadas a partidos de centro e centro-direita, como União Brasil e PP, que podem migrar para outras composições — inclusive ampliando o campo de alianças da própria Raquel Lyra.
Esse efeito colateral pode, na prática, fortalecer a governadora no aspecto estrutural da campanha, garantindo maior tempo de televisão, capilaridade política e acesso a recursos eleitorais.
Vice ainda indefinido
Apesar do avanço nas definições para o Senado, a vaga de vice-governador na chapa de João Campos segue em aberto. Um dos nomes cotados é o do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que também vinha sendo citado como possível candidato ao Senado. Outro que citado nesse desenho é Carlos Costa, irmão do ministro.
A definição desse espaço será estratégica para equilibrar a composição política da chapa, especialmente diante da necessidade de ampliar o diálogo com setores mais ao centro.



