
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta segunda-feira (13), o médico urologista, Dr. Luís Henrique Nunes, orientou sobre os fatores de risco da doença que acomete, majoritariamente, a saúde masculina
O julho roxo é uma campanha de conscientização para os cuidados e prevenção contra o câncer de bexiga e o programa Nossa Voz desta segunda-feira (13) recebeu o médico urologista, Dr. Luís Henrique Nunes, para tratar sobre a doença que, segundo ele, está no ranking dos dez cânceres mais comuns do mundo.
“O câncer de bexiga é um crescimento desordenado das células do urotélio, que é a camada interna da bexiga. É o nono câncer mais comum no mundo, sendo que no Brasil, em homens, é o sexto mais comum”, afirmou o especialista.
O médico destacou, com base em previsões do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que esse tipo de câncer acomete, majoritariamente, a saúde masculina. “Esse ano, mais ou menos, 13 mil pessoas vão ser acometidas e 75% delas serão homens”.
Segundo o especialista, o principal sintoma de alerta para a doença é o sangramento na urina. “Um sangramento intermitente que, às vezes, acontece e some sem dar vestígios e depois de um tempo pode aparecer novamente. Sangue na urina não é normal. Teve sangue na urina, o paciente tem que investigar”.
Diferente da infecção urinária, Dr. Luiz Henrique Nunes disse que o sintoma não causa dor e o sintoma é considerado mais grave se for detectado em pessoas acima de 50 anos.
Fatores de risco para o câncer de bexiga
Aos fumantes, o especialista fez o alerta de que o tabagismo é uma das principais causas do câncer de bexiga. “O tabagismo é o 60% dos casos têm relação com tabagismo”, afirmou. Segundo o especialista, as toxinas do cigarro não ficam retidas apenas no pulmão. Como também são filtradas pelos rins, essas toxinas podem se concentrar na bexiga, causando danos celulares no órgão que pode evoluir para uma doença cancerígena.
O pessoal acha que o cigarro vai ali entrar pelo pulmão e sair e acabou. Tem mais ou menos 11 tipos de câncer que são associados ao cigarro. A urina fica com essas toxinas em exposição às células uroteliais. Com o tempo, essa exposição prolongada vai causando alterações na divisão dessas células que acaba um momento ela se tornando desordenada e gera o câncer”, explicou.
Outros fatores elencados por ele foram o uso de produtos químicos sem a devida precaução, como agrotóxicos e solventes. O médico alertou ainda para o uso excessivo de medicações à base de ciclofosfamida, utilizada em quimioterapias.
Prevenção e diagnóstico precoce
O médico urologista informou que não há recomendação de exames periódicos de rotina para avaliar a saúde da bexiga, mas que é importante dar atenção aos sintomas assim que eles surgirem, procurando um especialista.
“O importante é a investigação ser precoce. Quando ele é identificado no momento precoce, a taxa de cura é boa”, afirmou o especialista.
Tratamento
O Dr. Luís Henrique Nunes disse que, a depender do estágio, o tumor pode ser retirado, sem maiores danos à bexiga. No entanto, a depender do avanço da doença no órgão, é necessária sua remoção completa.
“Quando esse tumor está na mucosa, na camada mais alta, geralmente a gente passa uma câmera ali e faz uma raspagem desse tumor, mas se atingir o músculo da bexiga a gente tem que fazer a retirada completa”, explicou.
Ainda segundo o especialista, o tratamento também pode ser realizado com medicamentos para evitar que a doença retorne, considerando que a taxa da chamada recidiva ou reincidência é alta em casos de cancêr de bexiga.
“Mitomicina ou BCG dentro da bexiga para evitar uma recidiva. Às vezes, tem uma lesão local, você faz a raspagem, mas outras áreas da bexiga foram expostas àquele contaminante também e aí ele pode surgir em outro local posteriormente”, disse.
Novos tratamentos e avanços
O especialista informou que os tratamentos contra o cancêr de bexiga tem se modernizado, bem como os medicamentos que reduzem as possibilidades de retorno da doença em pacientes em tratamento.
O médico mencionou os estudos sobre cirurgia robótica, regeneração de tecidos e as bexigas artificiais. Ele informou ainda que foi realizado, no ano passado, o primeiro transplante de bexiga, mas que ainda ele não é indicado para casos de câncer. O especialista finalizou deixando uma recomendação importante para o tratamento precoce do câncer de bexiga.
“Teve um sangramento na urina procure um médico porque pode ser que a gente consiga, se for um tumor, preservar essa bexiga, se for no estágio inicial”, alertou.
Confira a entrevista na íntegra
A entrevista completa com o médico urologista, Dr. Luis Henrique Nunes, sobre o câncer de bexiga, está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.


