
Na opinião de Lóssio Filho, a governadora demonstrou lealdade à Miguel Coelho e teria até se exposto demais no processo, quando poderia se isentar e apenas aguardar pela decisão da Federação
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (6), o advogado e aliado de Raquel Lyra (PSD), Júlio Lóssio Filho, avaliou que a governadora foi correta com o grupo Bezerra Coelho em meio ao impasse da Federação União Progressista (UP) para a definição do nome que concorreria à vaga ao Senado na chapa governista. Para Lóssio Filho, Miguel Coelho (UB) é responsável pelo resultado após não ter conseguido viabilizar sua candidatura dentro do próprio partido.
“Acho que a governadora foi muito correta com o grupo deles porque ela disse que se eles conseguissem viabilizar a candidatura, a vaga era dele. E ocorre que o grande problema é que ele não conseguiu viabilizar a sua candidatura dentro do seu próprio partido”, afirmou.
Cenário desfavorável
Júlio Lóssio Filho disse que, em termos de processo eleitoral e político partidário, a definição que culminou na desistência de Miguel Coelho já estava anunciada logo quando a Federação, presidida estadualmente pelo candidato ao Senado, Eduardo da Fonte (PP), foi formada.
“Se você for para ler o estatuto do União Progressistas, tem lá, salvo engano, no artigo 12, que as decisões do partido serão resolvidas por maioria absoluta. E você pega a composição do União Brasil são sete pessoas que decidem ali. Cinco são do PP, duas são do União Brasil. Então, Miguel só tinha uma opção: ou ele conquistava o povo do PP para ser candidato ou estava fadado a não ser”, disse.
Na avaliação de Lóssio Filho, nesse cenário de forças políticas contrastantes, Miguel Coelho deveria ter tentado a candidatura dentro de outro espaço político que não o da Federação.
“Eu acho que se ele realmente queria ser candidato ao Senado, ele deveria ter buscado um outro espaço, porque dentro do União Progressistas se mostrava, desde o início, quando se colocou as duas postulações, todo mundo que faz e entende política em Pernambuco sabia que, dentro da União Progressistas, quem manda é o grupo de Dudu da Fonte”, ressaltou.
“Eu acho que ela fez foi demais”
Nesse sentido, para Lóssio Filho, a governadora não poderia interferir em uma decisão intrapartidária e que não entende a discussão que culpabiliza Raquel Lyra pela definição da Federação.
“E aí eu eu não entendo toda essa discussão porque veja, a governadora deu diversas declarações e vocês estão de prova e que ela realmente é tinha até uma preferência por Miguel naquele primeiro momento. Agora desde que ele construísse as condições necessárias dentro do partido. A decisão é intrapartidária, não é da governadora, é de quem faz o partido”, destacou.
Júlio Lóssio Filho avaliou ainda que a governadora demonstrou lealdade à Miguel Coelho e teria até se exposto demais no processo, quando poderia se isentar e apenas aguardar pela decisão da Federação.
“Eu acho que até a governadora se expôs muito. Ela poderia desde o começo ter dito assim: ‘Ó, resolveu vão lá e vem’. Mas não, ela deu demonstrações claras de apoio a Miguel. Então, eu acho isso relevante para o processo político e para tomada de decisões, mas mesmo assim, mesmo com esse relevante apoio, ele ainda não conseguiu dentro do próprio partido reunir as condições. Então, eu acho que ela fez foi demais. Eu sendo ela, teria me eximido de poder dar qualquer tipo de declaração e dito assim: ‘ó, resolvam e venham com o nome’, analisou.
nova fase de campanha
Ontem também tivemos o último dia de convenções marcada aí por tensões na Federação do União Progressista. O grupo liderado aqui por Miguel que defendia que a federação não integrasse formalmente com a ligação da governadora e depois de muita conversa houve a confirmação do apoio à reeleição de Raquel Lyra. Depois desse acordo o senhor acredita que a campanha de Raquel entra em uma nova fase com uma base política mais consolidada ou ainda haverá novos desafios para manter a unidade entre os aliados?
É, veja né, eu tô muito feliz com a construção da governadora Raquel Lyra. Acho que ela tem sido muito feliz, né? E os números mostram isso, né? Você tem um governo hoje com 68, 70% de aprovação, não é? Uma governadora que é é virou uma eleição, né, segundo as pesquisas e que não para o ritmo de trabalho e e isso não é só por conta da construção política, mas sobretudo por conta da construção do trabalho, né? Eu Eu desde quando a gente estava com a governadora e o grupo do ex-prefeito Miguel Coelho não estava e começaram esses essas conversas de que ele poderia vir a apoiar a governadora.
Eu fiz até um vídeo e falei em alguns lugares que eu ficava muito feliz, né, com esse apoio porque é sinal de de que a governadora ia ganhar a eleição, porque é uma turma que gosta de quem ganha a eleição, né? E E E fiquei muito feliz com isso. Eh, acho que a governadora foi muito correta com o grupo deles, né? Porque eh eh ela disse que se eles conseguissem viabilizar a candidatura, a vaga era dele.
E ocorre que o o grande problema é que ele não conseguiu, né, viabilizar a sua candidatura dentro do seu próprio partido. Repercutiu muito né?
No estado após a o anúncio da desistência, né, de Miguel, essa questão de pessoas cobrando, né, eventualmente da governadora, um posicionamento, já que ela tinha sinalizado preferência por ele, né, em meio às andanças e agendas aqui, é, pelo estado, enfim, no sertão e aí ficou, né, essa sensação entre alguns apoiadores do grupo, né, do ex-prefeito Miguel Coelho, exatamente de que ela poderia ter tido uma intervenção em meio a esse contexto.
Como é que o senhor entende, né, essa leitura que foi repassada e que inclusive informações basilares disseram que Rueda teria ligado para a governadora, coisas desse tipo, né, em meio a esse processo.
É, veja, Carine, a gente tem que entender como é que funciona o processo eleitoral e político partidário, né? Quando a federação foi formada, fez-se um acordo, né, nacional de que, eh, quem mandaria na federação em cada estado, seria quem tem mais força política naquele estado, né? Por exemplo, na Bahia, Mário Negro Monte, o nome histórico na Bahia, era presidente do PP na Bahia, ou seja, tinha muita força política.
Mas quando foi-se fazer a federação, Mário Negro Monte viu o cenário e percebeu que ali na Bahia, quem tinha mais força política entre o PP e o União Brasil, era União Brasil por conta de ACM Neto. Então, ele saiu do partido para construir construir um outro caminho. Né?
Aqui em Pernambuco, quando fez-se a federação, ficou muito claro de que quem tinha mais força política dentro da federação, não era o grupo de Miguel, era o grupo de Eduardo da Fonte, e aqui a gente não tá dizendo que eles não tem força, né? Tem um deputado federal, um deputado estadual, prefeito, isso é relevante. Mas Eduardo da Fonte tem dois deputados federais só em casa, ele e o filho. Fora outros, tem 10 deputados estaduais, uma gama de prefeitos. Então, veja, é, a partir do Desde quando a federação foi firmada, sabia-se, né? Tanto é que Eduardo da Fonte é o presidente da federação, que quem mandaria na federação em Pernambuco era o grupo do PP, de Eduardo da Fonte, né? E aí, ninguém é candidato de si mesmo.
O Brasil não existe a postulação de candidaturas avulsas sem partido. Então, para você ser candidato, por exemplo, para Dr. Júlio, para Júlia, para quem quer que seja ser candidato, tem que ter aprovado pelo partido. Né? E aí, é, é, é Miguel não construiu dentro do próprio partido as condições necessárias para ser.
E aí eu eu não entendo toda essa discussão porque veja, a governadora deu diversas declarações e vocês estão de prova e que ela realmente é é é tinha até uma preferência por Miguel naquele naquele primeiro momento, né? Agora desde que ele construísse as condições necessárias dentro do partido. A decisão é intrapartidária, não é da governadora, é de quem faz o partido.
Se você for para ler o estatuto do do União Progressistas, tem lá, salvo engano, no artigo 12, que a decisão as decisões do partido serão resolvidas por maioria absoluta. E você pega a composição do União Brasil são sete pessoas que decidem ali. Cinco são do PP, duas são do União Brasil. Exato. Então Miguel só tinha uma opção, ou ele conquistava o povo do PP para ser candidato ou ou estava fadado a não ser, né?
Porque do lado do PP também tinha um pré-candidato ao Senado, que é hoje o candidato Eduardo da Fonte.
Você acredita que Miguel e Lula a escolha em permanecer na Federação? Porque Mendonça chegou isso lá atrás, o o Inclusive Inclusive avisou a ele a Disse que inclusive no programa que avisou a ele, ao irmão e pulou fora. Veja,
É, veja né, eu acho que ou ele se enganou de como seria essa condução, né? Ou ele acabou enganando todo mundo dizendo que seria candidato sem, sabendo que não poderia ser. Porque eu acho que é de grande relevância você ser presidente de um partido como ele é do União Brasil em Pernambuco, isso não se pode tirar. União Brasil é um partido grande no nosso estado e no Brasil, mas para você ter voos solos desse jeito você precisa precisa ter o comando ou a maioria do seu partido e ele não tinha.
Né? Por exemplo, em 2008 quando o Dr. Oswaldo chamou meu pai para ser candidato a prefeito a primeira vez, ele chamou para ir para o DEM inicialmente.
Mas meu pai sabia que dentro do DEM tinha algumas pessoas que não queriam que ele fosse candidato porque eu não conhecia, eu nunca tinha sido político, tal. E aí meu pai fez: “Dr. Oswaldo deu o topo com uma condição, eu quero o meu cavalo selado, eu quero um partido para eu poder chamar de meu, porque aí eu tenho a garantia de que eu serei candidato, né? E foi assim que a gente construiu naquela época com o MDB.
Então, eu acho que que se ele realmente queria ser candidato ao Senado, ele deveria ter buscado um outro espaço, porque dentro do União Progressistas se mostrava desde o início, né, desde o começo, quando se colocou as duas postulações, todo mundo que faz e entende política em Pernambuco sabia que dentro da União Progressistas quem manda é o grupo de Dudu da Fonte, né?
E E aí a governadora pode ter suas preferências, eh você pode ter sua preferência, Carine pode ter a preferência dela, todo mundo pode ter suas preferências. Agora, a vida real, ela impõe as regras do jogo. E a regra do jogo era que para ser candidato da União da União Progressistas, precisava ter pelo menos a maioria absoluta do partido. Ele tinha dois, enquanto Dudu tinha cinco.
Então não cabe credita a governadora a culpa pela não escolha de Miguel ao Senado, como muitos estão fazendo.
Pelo contrário, eu acho que até a governadora se expôs muito, né? Ela poderia desde o começo ter dito assim, né? Ó, resolveu vão lá e vem. Mas não, ela deu demonstrações claras de apoio a Miguel. Não é? Então eu eu eu acho e e e isso é relevante para o processo político. Você tem uma governadora, não é? Dizendo que que que que quer você, que quer trabalhar ao seu lado.
Isso é relevante para o processo político e para tomada de decisões, mas mesmo assim, mesmo com esse relevante apoio, ele ainda não conseguiu dentro do próprio partido reunir as condições. Então, eu acho que ela fez foi demais. E E Eu sendo ela, teria eh eh me eximido de poder dar de qualquer tipo de declaração e dito assim, ó, resolvam e venham com o nome.
O que você pode ver, é, é, é, né, aqui, na convenção do PSD, em nenhum momento, em nenhum momento, até porque não poderia, foi dito assim, ó, Eduardo da Fonte é o candidato ao Senado. Nenhum momento foi dito isso porque não poderia, porque a a a a convenção da União Progressista não tinha acontecido ainda. Se você for ler a ata do PSD, tem lá o candidato ao Senado na a segunda vaga da chapa da governadora Raquel Lyra será o definido pela União Progressistas.
Porque veja, essa não é uma decisão da governadora, essa não é uma decisão do PSD, essa é uma definição partidária dentro do União Progressistas. E a ontem foi-se batido o martelo que esse candidato da União Progressistas é Eduardo da Fonte. Então, eu eu acho que a governadora foi muito correta nesse processo. Eu acho que quem quer colocar no colo dela essa decisão é porque não reconhece as suas próprias limitações dentro do seu próprio grupo, né?
É, é, eu acho que, que a gente precisa ter muita muita coerência e muita e, e ser muito correto com as coisas, né? Né? Se você, veja, eu não posso, eu não posso querer ser uma coisa sem poder, né? Então, é, é, eu, por exemplo, eu hoje poderia dizer: “Não, né? Hoje eu quero ser candidato”. Mas veja, eu não fui aprovado em convenção, eu não saí lá da fundação no período certo.
Eu não fiz nada que eu precisava fazer para viabilizar a minha candidatura dentro do meu partido. Como é que hoje eu posso ser candidato? Não posso. É assim que as coisas funcionam. A O processo eleitoral tem regras muito bem definidas. A governadora seguiu todas elas, acho que sustentou até demais, né? E hoje é esse processo ficou claro, como todo mundo que faz política saberia que seria. E aí nesse contexto, né?
Uma pergunta que não quer calar, até porque cenários na política às vezes tendem, né, a ter um replay. A gente pode colocar sim ou não. Como né, bem colocou aqui na política tudo pode acontecer inclusive nada.
Mas o senhor acredita que o grupo de Miguel Coelho vai apoiar de fato a candidatura de Raquel Lira ou teríamos uma reeleitura de 2008 quando na ata da convenção estava lá assinado o apoio a Gonzaga Patriota, mas na prática, né, aliados e integrantes da base acabaram votando no seu pai para prefeito, né, na eleição daquele ano. Essa é uma boa pergunta, querida. Isso aqui vai responder ao tempo.
Porque veja, eu eu Eu gostaria muito que todo mundo do nosso estado pudesse apoiar a governadora Raquel Lyra, porque eu acredito firmemente, independente de qualquer tipo de conjuntura que ela representa o melhor nome para governar o nosso estado nos próximos 4 anos. Então eu gostaria que todo mundo pudesse apoiá-la, né?
Eu Eu fiquei até mais tranquilo quando o ex-prefeito deu uma declaração retirando a sua candidatura de que estava ali em prol de um projeto maior, que era o projeto da reeleição da governadora Raquel Lyra e e tudo mais. O discurso foi muito bonito, mas ontem me surpreendi quando o seu irmão, que tava ali representando no partido, disse que a opção do União Brasil naquele momento era não pela não coligação.
E aí, como é que o seu projeto maior é esse e você prejudica esse projeto maior, né? Então, a ação tava diferente do discurso, né? Eh, eh eles acabaram ali, no final das contas, depois de todas as negociações, as portas fechadas, que ninguém sabe o que foi conversado. acabaram chegando ali na unanimidade de apoio, mas o apoio efetivo a gente só vai ver na prática, né? Então a gente vai ver aqui no dia a dia como é que isso acontece. Eu não sei fazer política assim, né?
Eu aprendi desde pequeno que é é calça de veludo ou bunda de fora, depois que você dá seu dá sua palavra, depois que você dá seu apoio, você precisa fazer aquilo acontecer, não dá para fazer as coisas pela metade, né? O dizer que faz e por debaixo dos panos não não não fazer aquilo acontecer. Se você realmente acredita, veja, nós temos duas opções para o estado, né? Não tem Não tem muito que discutir. Ou você acredita que um é o melhor ou você acredita que a outra é o melhor.
E se você mesmo acreditando que essa é a melhor, fizer corpo mole, só porque você não conseguiu satisfazer os seus desejos pessoais, isso mostra que talvez você não estivesse pronto para assumir realmente aquilo que você queria. A escolha, né, dos nomes para para disputar o Senado tudo e a do Eduardo. Seria a de Julinho? Ou você defende outro nome? Nossa escolha, eu, eu, eu, eu tenho um carinho muito grande por Fernando D’Euri, né?
Ele foi um grande senador de Pernambuco, ajudou muitos municípios. Tanto é que boa parte dos prefeitos, não é, é, é, tem, tem um apreço muito grande por, por D’Euri, porque a atenção dele, né? Era coisa de outro mundo. E não só a atenção, o trabalho, né?
Se você for aqui, por exemplo, em Dormentes, Afranio, aqui em todas as regiões do nosso estado tem trabalho o recurso, né, a destinação, a presença de do ele e eu e eu e eu torcia muito por ele, mas o nosso time é o time da governadora Raquel Lyra, né? Eu acho que ela é muito mais capacitada do que eu para dizer quem deve estar na chapa dela, para dizer quem vai ajudá-la melhor na condução do nosso estado.
Então, eh o time da gente, o nosso grupo político, ele acompanha a governadora Raquel Lyra. Então, o que ela disser que é o melhor, a gente vai acreditar porque é ela que tá liderando esse processo, né? A gente tem que saber né, também respeitar as lideranças. E E E ela tem feito isso, eh com muito trabalho, com muita seriedade, com muita honestidade, né? Isso é uma coisa que que a gente não abre mão.
E eu não tenho dúvida de que ela escolheu o melhor time, não só de senadores, mas de deputados federais, de deputados estaduais para caminhar junto à sua eleição. Tudo bem. Quero agradecer aqui pela presença e a última pergunta, a sua pausa é só até 28? É, o futuro a Deus pertence. né? A gente tá muito dedicado nessa eleição, eu acho que eh Dr. Júlio e e Júlia podem contribuir muito com a discussão de Petrolina, do Vale do São Francisco, do Sertão Pernambucano, né?
A gente tá muito animado eh com isso. E, obviamente, né? Eh, a gente nem sabe como será o cenário das eleições de 28, mas eh assim como estou presente nessas eleições, estarei presente nas próximas pra gente poder discutir nossa cidade. Porque eu lhe garanto é que aqui a gente não não está imbuído de um projeto pessoal de poder a gente quer construir coletivamente nem em busca de furo privilegiado ou nada do tipo


