Os bastidores da política não param de girar em torno das eleições deste ano e neste final de semana, Petrolina foi surpreendida com os rumores de que o ex-prefeito Júlio Lóssio, hoje pré-candidato a deputado estadual, estaria se afastando do palanque da governadora Raquel Lyra (PSD) por causa da aproximação dela com o grupo Bezerra Coelho, reforçada pela entrada do União Brasil na base governista. Mas, até aqui, os sinais públicos apontam na direção oposta.
Em declarações recentes, o próprio Júlio Lóssio adotou tom pragmático ao tratar da possível chegada dos Coelho ao palanque de Raquel. Em entrevista reproduzida por blogs políticos de Pernambuco, ele afirmou que todo apoio à governadora seria bem-vindo e chegou a dizer que acolheria esse movimento como “água de beber”, frase que foi interpretada como gesto de acomodação política, e não de rompimento.
Procurado, Lóssio não respondeu diretamente, mas o filho, Júlio Lóssio Filho, negou qualquer mudança de rota e afirmou que o grupo permanece com Raquel por convicção, não por conveniência eleitoral. Segundo ele, “não existe a menor possibilidade” de alinhamento com João Campos e o apoio à governadora estaria baseado na crença de que ela representa “o melhor caminho para Pernambuco”.
Na mesma fala, Lóssio Filho também fez questão de marcar distância do grupo de Miguel Coelho, dizendo que não vota nem apoia Miguel “não por uma questão eleitoral, mas por uma questão de convicção política”. Essa resposta reforça duas mensagens ao mesmo tempo: o grupo de Lóssio continua ao lado de Raquel, mas não aceita ser confundido com uma aliança política orgânica com os Bezerra Coelho.
Esse é o ponto central do momento. A aproximação entre Raquel Lyra e o grupo de Miguel Coelho muda o tabuleiro em Petrolina, mas não significa automaticamente fusão de trajetórias ou recomposição plena entre adversários locais. Para o grupo de Lóssio, a permanência com a governadora é tratada como uma escolha estratégica e ideológica, enquanto a rejeição aos Bezerra Coelho continua sendo preservada no discurso. Ou seja: o palanque pode até ficar mais largo, mas as fronteiras internas permanecem visíveis.



