A entrevista do deputado federal Lucas Ramos ao programa Nossa Voz, nesta sexta-feira (29), colocou mais pimenta no já aquecido tabuleiro político de Pernambuco. Ao relembrar a eleição de 2022 e os movimentos feitos desde então pelo ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, Lucas fez um resgate duro da trajetória recente do adversário no campo político, acusando-o de ter transformado um projeto de grupo em um projeto “individual, familiar”.
Lucas começou lembrando que, em 2022, ele e seu grupo permaneceram no PSB e apoiaram a candidatura de Danilo Cabral ao Governo de Pernambuco, enquanto Miguel Coelho foi candidato ao Palácio do Campo das Princesas pelo União Brasil. No segundo turno, Miguel declarou apoio público a Raquel Lyra, movimento que, segundo Lucas, também foi acompanhado por ele, por Gonzaga Patriota e por outras lideranças locais.
Na entrevista, Lucas resgatou esse momento para dizer que a leitura das forças políticas de Petrolina era a de que o eleitorado queria mudança e por isso, naquele cenário, optaram por votar em Raquel Lyra. Ele também citou o salto da votação da então candidata em Petrolina, onde Raquel saiu de 4.957 votos no primeiro turno para 89.757 no segundo, tornando-se majoritária no município, em disputa contra Marília Arraes. Esse avanço é confirmado pelos resultados eleitorais da época.
A partir daí, porém, Lucas disse que o grupo se sentiu deixado de lado pelo novo governo. Segundo ele, mesmo após o apoio à governadora, o espaço político em Petrolina foi entregue a aliados que estiveram em outro palanque naquele pleito. “Ela escolheu Júlio Lóssio para fazer a equipe em Petrolina, que tinha votado e coordenado a campanha de Marília Arraes. Deixou eu, Miguel e Gonzaga e todo mundo que a apoiou a ver navios”, afirmou. E emendou: “Faltou o gesto? Eu acho que ficou muito claro que faltou vontade dela construir pontes”.
O deputado também aproveitou para mirar a gestão de Raquel Lyra, dizendo que a governadora ainda não correspondeu ao sentimento de mudança que ajudou a levá-la ao poder. Citou, como exemplos, a demora em investimentos na área de abastecimento de água em Petrolina e obras que, segundo ele, foram iniciadas ainda na gestão do PSB e apenas entregues pela atual administração.
Mas foi ao entrar na movimentação de Miguel Coelho entre os grupos políticos que Lucas elevou de vez a temperatura da entrevista. Segundo ele, o ex-prefeito de Petrolina rompeu com o campo de Raquel em 2023, aproximou-se de João Campos e, depois de não obter o espaço desejado (a indicação da candidatura ao Senado), retornou ao grupo da governadora.
“Esse projeto de Miguel Coelho tornou-se um projeto individual, familiar”, disparou. Na sequência, detalhou a crítica: “Quando ele é preterido do governo Raquel no início, ele indica o irmão Antônio Coelho para ser secretário municipal de Turismo, jura amores e apoia a reeleição de João Campos no Recife. Na hora em que Miguel ouve de João Campos que não seria o candidato a senador, ele volta para Raquel indicando dois secretários de Estado para compor o governo. Aí não dá para a gente achar que isso é um projeto político de grupo, pelo contrário, é familiar”, disparou.



