Médica esclarece impactos do uso de contraceptivos na saúde feminina

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Durante a programação especial da Semana Internacional da Mulher, o programa Nossa Voz trouxe para o debate um tema que vai além da prevenção da gravidez: os impactos do uso de contraceptivos na saúde da mulher.

Para esclarecer dúvidas, a entrevistada foi a médica de Saúde da Família e Comunidade de Petrolina, doutora Sávila Mota Andrade, que explicou como funciona a oferta de métodos na rede municipal e quais cuidados são necessários.

Segundo a médica, a Atenção Básica do município disponibiliza diferentes tipos de métodos anticoncepcionais, que são indicados de forma individualizada.

“Hoje, na atenção básica de Petrolina, conseguimos ofertar vários métodos anticoncepcionais e todos eles são traçados de acordo com a necessidade de cada paciente. A gente avalia o perfil clínico, as comorbidades, o histórico pessoal e familiar e, a partir disso, define qual método é mais seguro e adequado. Não existe uma regra única, existe uma mulher com suas particularidades”, destacou.

Perfil clínico define escolha do método

A médica explicou que algumas condições de saúde impedem o uso de anticoncepcionais hormonais, especialmente os combinados.

“Em pacientes que já tiveram trombose, que apresentam hipertensão descompensada ou outros fatores de risco cardiovascular, nós evitamos os métodos hormonais combinados. Nesses casos, optamos por alternativas não hormonais, como o preservativo ou o DIU de cobre, que também é ofertado na atenção primária. A segurança da paciente vem sempre em primeiro lugar.”

Ela reforça que o DIU de cobre, por exemplo, é um método eficaz e amplamente disponível na rede pública.

“O DIU não hormonal age provocando uma reação inflamatória local que impede a fecundação. Ele não interfere nos hormônios da mulher. Mas é importante lembrar que pode haver adaptação nos primeiros meses, com sangramentos mais irregulares, que geralmente melhoram após esse período.”

Efeitos colaterais e acompanhamento

Entre as queixas mais comuns relatadas pelas usuárias estão alterações no padrão menstrual e dores de cabeça, especialmente nos métodos hormonais.

“Cada método pode provocar efeitos diferentes e nem todas as mulheres vão apresentar reações adversas. Algumas relatam sangramentos intermitentes nos primeiros seis meses, outras falam de dor de cabeça ou retenção de líquido. Por isso, o acompanhamento é essencial. A paciente precisa entender que, se não se adaptar, ela pode procurar a unidade e solicitar a troca.”

No caso do DIU, a médica chama atenção para a necessidade de revisão anual.

“Uma das possíveis complicações é a expulsão do dispositivo. Por isso, orientamos que a mulher faça acompanhamento anual, com avaliação clínica e, quando necessário, ultrassonografia transvaginal. Esse cuidado garante que o método continue eficaz.”

Planejamento familiar é direito garantido por lei

A médica também destacou que o acesso à informação e ao planejamento familiar é um direito assegurado.

“O planejamento familiar é garantido por lei. A mulher tem direito de agendar consulta, esclarecer dúvidas e decidir qual método deseja usar. Se ela está usando uma injeção trimestral e não está se sentindo bem, pode sim solicitar a troca. O plano é construído junto com a paciente, respeitando sua fisiologia, seu momento de vida e seus objetivos.”

Combate à desinformação nas redes sociais

Outro ponto abordado foi a circulação de informações falsas sobre anticoncepcionais nas redes sociais.

“As redes sociais ampliaram o acesso à informação, mas também à desinformação. Na dúvida, a orientação é clara: procure sua unidade de saúde. Não tome decisões baseadas apenas em relatos da internet. Cada organismo reage de uma forma, e só uma avaliação individual pode indicar riscos reais ou não.”

Autonomia feminina e liberdade de escolha

Durante a entrevista, a médica ressaltou ainda o impacto social dos contraceptivos na vida das mulheres.

“Os métodos anticoncepcionais deram à mulher a possibilidade de planejar a própria trajetória. Definir quando quer gestar, investir na carreira, organizar a vida pessoal. Falar de contracepção também é falar de autonomia e liberdade, especialmente neste mês que celebra a força feminina.”

Ela também lembrou que o planejamento não envolve apenas evitar a gravidez, mas também se preparar para ela.

“Quando chega o momento em que a mulher decide que quer engravidar, também é importante procurar a unidade de saúde. Existe um preparo pré-gestacional, com avaliação clínica, exames e orientações que contribuem para uma gestação mais segura.”

Orientação final

Para as mulheres que ainda não buscaram informações na rede municipal, a recomendação é clara:

“Procure sua unidade de saúde. Nossas equipes estão preparadas para orientar, acolher e construir, junto com cada mulher, o melhor plano de anticoncepção. Informação segura é o primeiro passo para uma decisão consciente.”