Ao declarar apoio a Mendonça Filho para o Senado, presidente estadual do União Brasil afirmou que o segundo voto da legenda ainda está em análise e disse que Antônio de Rueda não participará da convenção da federação
O apoio de Miguel Coelho a Mendonça Filho para o Senado acrescenta mais um episódio à disputa interna entre União Brasil e PP em Pernambuco. Questionado sobre a possibilidade de também apoiar Eduardo da Fonte, candidato do Progressistas, o ex-prefeito de Petrolina evitou assumir qualquer compromisso e afirmou que o segundo voto de seu grupo ainda será discutido.
A declaração foi dada nesta terça-feira (4), durante o encontro em que Miguel reuniu prefeitos, parlamentares e lideranças políticas para oficializar a adesão à candidatura de Mendonça. A movimentação ocorre na véspera da convenção estadual da Federação (des)União Progressista, marcada para esta quarta-feira (5).
Ao ser perguntado se o União Brasil indicaria um nome para a segunda vaga ao Senado, o presidente estadual da leegnda respondeu de forma direta. “Ainda estamos analisando”.
A resposta deixa claro que a retirada de sua candidatura não significou a transferência automática de seus apoios para Eduardo da Fonte. Embora União Brasil e PP integrem a mesma federação, Miguel conduziu as principais lideranças de seu grupo para o palanque de Mendonça Filho, candidato pelo PL.
O presidente estadual do UB justificou a decisão dizendo que Mendonça representa o perfil político no qual acredita e reúne condições para defender Pernambuco no Senado. “Mendonça se aproxima desse perfil, daquilo que eu defendo, daquilo em que acredito e, acima de tudo, quem pode fazer por Pernambuco nos próximos anos no Senado Federal é o nosso senador, Mendonça Filho”, declarou.
Miguel afirmou estar tranquilo com a decisão e prometeu mobilizar não apenas os integrantes do União Brasil, mas também prefeitos, deputados e lideranças de outras legendas que integram o seu campo político. “De peito aberto, como disse, de alma leve, estou feliz de estar aqui. Tenho certeza de que todo este grupo, não apenas do União Brasil, mas também os prefeitos e deputados que temos em outros partidos, não só acompanhará e votará em Mendonça, como também multiplicará essa mensagem. E vamos ver o que as eleições deste ano reservam para nós”, afirmou.
“Ele tem mais o que fazer”
Questionado se Antônio de Rueda poderia comparecer a convenção da Federação União Progressista, que acontece nesta quarta-feira (05) ao lado do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, Miguel Coelho respondeu em tom irônico. “Ele tem mais o que fazer”.
A declaração foi interpretada como mais uma demonstração do desgaste entre Miguel e a condução nacional da União Progressista em Pernambuco. Rueda ocupa a presidência da federação, enquanto Ciro Nogueira é o vice-presidente da organização partidária. A ausência de Rueda, anunciada de forma tão incisiva por Miguel, reforça a percepção de que a convenção deverá ser conduzida sob maior influência do PP e de Eduardo da Fonte. Também evidencia, mais uma vez, que a aliança formal entre os dois partidos não eliminou as diferenças políticas e eleitorais existentes no estado.
Miguel já havia demonstrado resistência ao formato adotado pela federação e, nos últimos dias, entrou em conflito aberto com o grupo de Eduardo da Fonte durante as negociações para a formação da chapa governista.
Mesmo sem confirmar apoio a Eduardo da Fonte, Miguel reafirmou que continuará trabalhando pela reeleição da governadora Raquel Lyra. O desenho apresentado, até o momento, é o de um palanque que votará em Raquel para o Governo do Estado e em Mendonça para uma das vagas ao Senado, deixando o segundo voto em aberto.
A indefinição aumenta o peso político da convenção desta quarta-feira. O encontro deverá formalizar as candidaturas da federação, mas dificilmente encerrará a disputa entre Miguel e Eduardo da Fonte pelo comando, pela estratégia e pelos votos do União Brasil em Pernambuco.



